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Em “Uma Confeitaria para Sarah”, dirigido por Eliza Schroeder, a morte de uma confeiteira no dia da inauguração força três mulheres a decidir se levam adiante um negócio sem estrutura. Sarah, a dona do sonho, morre em um acidente pouco antes de abrir a loja que montou com Isabella (Shelley Conn). A situação deixa um problema. O ponto está alugado, os custos existem e alguém precisa decidir o que fazer. Isabella poderia encerrar tudo, mas escolhe abrir a confeitaria como forma de manter vivo o projeto da amiga.

Essa decisão puxa Clarissa (Shannon Tarbet), filha de Sarah, que entra no negócio sem saber exatamente qual é o seu lugar ali. Ela ajuda e tenta aprender, mas não assume um papel definido. O que começa como gesto afetivo vira responsabilidade diária, com contas para pagar e clientes que ainda não aparecem.

Uma equipe que se forma no improviso

A entrada de Mimi (Celia Imrie), mãe de Sarah, completa o trio. Mimi chega com disposição, mas também com uma energia que nem sempre ajuda. Ela se envolve no funcionamento da loja, opina, interfere e cria pequenas tensões com Isabella, que tenta organizar o mínimo necessário para o negócio funcionar.

Nenhuma delas sabe exatamente como gerir uma confeitaria em um bairro cheio de concorrência. A loja abre, os produtos são feitos, a vitrine chama atenção, mas o movimento não acompanha. O grupo passa tempo discutindo a falta de clientes, mas demora a agir.

Quando surge a ideia de usar redes sociais para divulgar a loja, a sensação é de atraso. O assunto aparece tarde e não resolve a situação naquele momento. O caixa segue apertado, e a falta de planejamento começa a complicar as coisas.

Receitas bonitas não pagam contas

A estratégia para atrair público aposta em receitas mais elaboradas, diferentes do que se vê em outras vitrines. A proposta tem identidade, mas também traz custos maiores e exige mais tempo de preparo. Isabella tenta ajustar preços, Clarissa defende manter o padrão das receitas e Mimi aposta na conversa com clientes para convencer quem entra.

Nada se organiza de forma consistente. São tentativas soltas, que não constroem uma direção clara para o negócio. Enquanto isso, a concorrência segue funcionando com eficiência, e a confeitaria continua vazia em boa parte do tempo.

Há momentos de humor, principalmente nas atitudes de Mimi. Ela flerta com naturalidade, cria situações desconfortáveis e dá um certo ritmo às cenas. Funciona como alívio, mas também reforça o clima de improviso que domina o ambiente.

Relações que não se aprofundam

As três personagens têm conflitos que poderiam sustentar a história, mas eles não evoluem com a força necessária. Isabella carrega a responsabilidade do negócio, mas parece perdida em várias decisões. Clarissa vive o luto da mãe, mas esse sentimento não se desenvolve em ações mais concretas. Mimi alterna entre apoio e interferência, sem um eixo definido.

As relações entre elas existem, mas não ganham profundidade. Discussões surgem e desaparecem sem deixar marcas mais fortes. Um romance envolvendo Mimi aparece de forma rápida, sem construção, como se fosse apenas mais um elemento colocado no caminho.

Isso afeta o envolvimento. Fica difícil acompanhar escolhas que não se conectam de forma clara. As personagens seguem em movimento, mas sem um sentido mais firme.

Uma história que perde o rumo

A ideia de transformar perda em continuidade tem potencial. Há ali um ponto de partida interessante, com espaço para emoção e desenvolvimento. O problema é que o filme não sustenta esse caminho. As situações aparecem, mas não se acumulam de forma que leve a um avanço consistente.

A montagem contribui para essa sensação. Algumas passagens parecem encurtadas, como se partes importantes tivessem sido deixadas de lado. Isso reduz o impacto das decisões e faz com que certos momentos pareçam desconectados.

As imagens dos bolos e da confeitaria são bem trabalhadas e chamam atenção. A vitrine é bonita, os produtos despertam interesse, mas isso não sustenta a narrativa. Falta estrutura para dar peso ao que está acontecendo.

A loja permanece aberta, com as três mulheres tentando fazer o negócio funcionar. Elas continuam ali, dividindo tarefas, lidando com dificuldades e tentando encontrar uma solução que nunca se organiza completamente. O espaço existe, os clientes aparecem de forma irregular e a continuidade depende de escolhas que o filme não desenvolve com a consistência necessária.


Filme: Uma Confeitaria para Sarah
Diretor: Eliza Schroeder
Ano: 2020
Gênero: Comédia/Drama/Romance
Avaliação: 3.5/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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