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Em “O Jogo do Predador”, Charlize Theron, Eric Bana e Taron Egerton entram em cena sob a direção de Baltasar Kormákur para contar a história de uma escaladora que, após um acidente na montanha, passa a ser caçada por um estranho enquanto tenta se manter viva. Sasha (Charlize Theron) e Tommy (Eric Bana) são um casal que vive no limite. Eles escalam por prazer, por desafio e, ao que tudo indica, por hábito mesmo. A relação entre os dois já mostra sinais de desgaste quando o filme começa. Tommy prefere cautela, pensa nos riscos e tenta impor limites; Sasha quer ir além, insiste em testar até onde o corpo aguenta.

Durante uma noite suspensos na encosta, presos a um equipamento improvisado, Tommy expressa suas preocupações. Ele tenta negociar um ritmo mais seguro, mas Sasha cede apenas parcialmente. A conversa não resolve a discordância e deixa um clima de tensão que, no dia seguinte, cobra seu preço quando algo dá errado na escalada, interrompendo o controle que eles acreditavam ter.

A queda

O acidente força Sasha a tomar uma decisão daquelas que ninguém quer enfrentar. A partir daí, ela perde o parceiro como apoio e precisa lidar sozinha com a montanha. O problema deixa de ser apenas técnico e vira questão de sobrevivência: descer, se orientar e manter o corpo funcionando.

Ela tenta reorganizar o caminho, mas o ambiente não ajuda. O terreno é instável, o esforço é constante e qualquer erro pode ser fatal. Ainda assim, o filme não demora a adicionar um novo elemento de risco, que muda completamente o rumo da história e transforma a escalada em algo muito mais perigoso.

A perseguição

É aí que surge Ben (Taron Egerton), um homem que passa a perseguir Sasha sem motivo. A ameaça deixa de ser apenas a natureza e ganha forma humana, o que altera completamente o tipo de tensão. Sasha precisa agora se mover não só para sobreviver à montanha, mas também para escapar de alguém que parece sempre um passo atrás.

Ela tenta ganhar distância usando o terreno, escolhe rotas mais difíceis e aposta em caminhos menos previsíveis. Ben, por outro lado, acompanha, encurta espaço e mantém a pressão constante. Não há descanso. Cada parada vira risco, cada movimento exige cálculo rápido.

Cansaço e decisões sob pressão

O desgaste físico começa a pesar. Sasha perde a frieza, erra pequenos movimentos e precisa corrigir rapidamente para não cair. O corpo cobra, mas a perseguição não permite pausa. Ela pensa em reduzir o ritmo, recuperar energia, mas percebe que parar significa dar vantagem ao perseguidor.

O filme aposta nessa dinâmica por boa parte do tempo, alternando momentos de fuga com tentativas de antecipar o próximo passo de Ben. O problema é que essa repetição começa a desgastar também o interesse de quem assiste. A sensação é de que a história gira em torno da mesma ideia sem avançar de fato.

Promessa inicial se perde

O começo mostra um conflito emocional mais profundo, principalmente pela decisão que Sasha toma após o acidente. Havia espaço para explorar culpa, trauma e consequências psicológicas. No entanto, o roteiro prefere seguir pelo caminho mais direto da perseguição física e deixa essas possibilidades de lado.

Ben também não ganha desenvolvimento suficiente. Ele está ali como ameaça, cumpre essa função, mas não cresce além disso. A relação entre caçador e presa poderia gerar um jogo mais interessante, mas acaba ficando previsível e, em alguns momentos, até repetitivo.

“O Jogo do Predador” não é um filme ruim, porque tem um início eficiente e uma proposta que funciona até certo ponto. Mas, ao longo do tempo, perde força, repete situações e não consegue sustentar a tensão que promete. Charlize Theron segura a presença em cena, mesmo com pouco material para trabalhar, enquanto o filme insiste em prolongar uma perseguição que já disse tudo muito antes de acabar.


Filme: O Jogo do Predador
Diretor: Baltasar Kormákur
Ano: 2026
Gênero: Ação/Suspense
Avaliação: 3/5 1 1
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