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Em “Confiança”, dirigido por Carlson Young e lançado em 2025, a atriz Lauren Lane, vivida por Sophie Turner, se refugia em uma casa isolada após ter sua vida íntima exposta na internet, uma decisão que deveria protegê-la, mas acaba colocando sua segurança em risco.

Uma celebridade em crise tenta se esconder do escândalo e recuperar o controle da própria imagem. Lauren é uma atriz conhecida, ligada a uma série de sucesso, e vê sua reputação desmoronar após vazamentos comprometedores. A equipe tenta conter os danos, sugerindo que ela se afaste por um tempo. Ela aceita, mas toma uma decisão difícil de engolir: vai sozinha para um Airbnb remoto, mesmo estando grávida. O roteiro pede que o público aceite isso sem muita discussão, e já aí começa a sensação de que algo não encaixa.

Refúgio que vira perigo

Instalada na casa, Lauren tenta manter a calma. Faz ligações, acompanha a crise à distância e tenta transformar o isolamento em uma pausa estratégica. Só que esse silêncio logo se revela frágil. A ideia de refúgio começa a ruir quando sinais de invasão aparecem. E o mais curioso é como isso acontece: o próprio sistema que deveria garantir segurança acaba facilitando o acesso de terceiros ao local. Um detalhe técnico vira brecha, e o perigo entra pela porta da frente.

A invasão em si não é exatamente sofisticada. Os criminosos parecem desorganizados, quase amadores, o que tira parte da tensão que o filme poderia construir. Ainda assim, a situação escala. Lauren reage como pode. Se esconde, observa e tenta entender o que está acontecendo. A escolha de evitar confronto direto faz sentido no contexto, afinal, ela está grávida, mas também limita a dinâmica da narrativa. Em vez de ação, o que predomina é espera.

E essa espera, em vários momentos, cansa.

Falhas

O filme até tenta construir uma camada emocional ao conectar a sobrevivência de Lauren com a gravidez. Ela conversa com o bebê, reforça o desejo de protegê-lo, transforma aquilo em motivação. É uma ideia que poderia render conflito interno interessante, mas acaba sendo tratada de forma superficial. Não há aprofundamento real sobre essa decisão, nem sobre o impacto dela no comportamento da personagem. Fica mais como repetição do que como evolução.

Enquanto isso, fora da casa, outros personagens entram e saem da narrativa sem muito peso. Suas ações pouco ajudam a resolver a situação e, em alguns casos, parecem até atrasar o andamento da história. O filme divide atenção entre esses núcleos, mas não desenvolve nenhum com consistência. O resultado é uma sensação constante de dispersão.

Há também problemas claros de construção. Algumas decisões de Lauren soam forçadas, quase como se o roteiro precisasse que ela errasse para a trama continuar. Em vez de criar tensão orgânica, baseada em escolhas difíceis, o filme aposta em situações que exigem suspensão de lógica. Isso enfraquece o envolvimento, não porque o público não entende o que está acontecendo, mas porque entende demais e questiona.

Atriz que segura as pontas

Ainda assim, Sophie Turner segura o que pode. Sua atuação tenta dar coerência emocional a uma personagem que nem sempre é bem escrita. Ela convence no desespero, na tentativa de manter o controle, até nos momentos em que o texto não ajuda. É um esforço visível.

Tecnicamente, o filme encontra algum fôlego. A fotografia trabalha com mudanças de cor interessantes, especialmente nas cenas mais tensas, e há momentos visuais que chamam atenção. Mas são acertos pontuais dentro de um conjunto irregular. A forma funciona melhor do que o conteúdo.

“Confiança” parece um filme que tinha várias ideias, algumas boas, inclusive, mas não conseguiu organizá-las. Quer ser um thriller de invasão domiciliar, um drama sobre maternidade e uma crítica à exposição digital ao mesmo tempo. Não aprofunda nenhum desses caminhos. Fica no meio de todos.

Para quem gosta do gênero, pode até haver curiosidade suficiente para acompanhar até o fim. Mas é difícil ignorar a sensação de que havia um filme mais interessante ali, escondido sob decisões apressadas e personagens pouco consistentes. Lauren corre, se esconde, tenta sobreviver, o básico está lá. O problema é que isso, sozinho, não sustenta tudo o que o filme promete entregar.


Filme: Confiança
Diretor: Carlson Young
Ano: 2025
Gênero: Suspense
Avaliação: 2.5/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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