Autor: Karen Curi

O mundo seria perfeito se todos fossem amantes honestos!

O mundo seria perfeito se todos fossem amantes honestos!

Tanto medo. Medo de amar outra vez. Medo de entregar meu coração mais uma vez. Por isso amarro, amordaço, ponho coleira, focinheira, seguro com as duas mãos e os pés fincados na areia. Por medo, também, de que meu coração teimoso não me obedeça. Ele é forte e insistente, tenta ladrar e não consegue, então grita no silêncio abafado de um grunhido. Faz força para se soltar das amarras e correr ao encontro — ou reencontro — do amor.

Tudo tem validade, até mesmo o amor

Tudo tem validade, até mesmo o amor

Fim de ano. Chegou aquela hora de mexer nos armários, desencaixotar saudades, separar o que te cabe e o que já não cabe mais. Aquilo que em uma época te fez bem, feliz, ainda mais bonita, e hoje, te aperta, entristece, pesa mais de uma tonelada. Olha, não se aflija por isso não, pelo que um dia foi luz e acabou se transformando em sombra. Acontece com você, comigo, com todo mundo. É que tudo nessa vida tem um prazo de validade, e não poderia ser diferente com o amor.

Neste Natal já sei o que vou pedir: Você

Neste Natal já sei o que vou pedir: Você

Pode chegar… Me dá a tua mão. Entrelaça os teus dedos nos meus, me segura com firmeza e suavidade, desse jeito que eu sei que você sabe. Enrosca os braços na minha cintura e olha bem pra cá, na minha imensidão verde oliva. Não tira os teus olhos dos meus, eu te peço, mesmo sem nada pronunciar e tudo dizer. Se por ventura sentir medo da maré que vem de mim, não se apequene, agarre-se nos meus cabelos, orelhas, ombros, o que você encontrar pela frente. Escute somente as minhas risadas férvidas e meus apelos de que você venha comigo.

O amor é cego e não deve andar sozinho

O amor é cego e não deve andar sozinho

Ah o amor… Ele chega sem avisar, sem cerimônia, abrindo as portas e janelas, deixando o sol entrar, o mofo sair. Vem, pode vir, liga o rádio, vem varrendo a sala, trazendo flores aqui pra dentro. Pinta as paredes do coração em tons alegres com essa felicidade juvenil, enquanto o cheiro de casa nova e pão quentinho se espalham aqui dentro. Aquele lugar frio, obscuro, abandonado, que já foi sinônimo de ranço e solidão — quem diria — se transformou em pousada em frente à praia! O sorriso, todo mundo diz, parece que está carimbado no rosto. Até suspeito que, mesmo em sono profundo, ele é pertinente e espaçoso. O respirar virou suspiro e a cabeça foi parar nas nuvens, em Marte, nas estrelas… Em você.

E se toda guerra fosse de travesseiros? E o choro fosse só de alegria?

E se toda guerra fosse de travesseiros? E o choro fosse só de alegria?

Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão… Porque eram feitas de milhões de marshmallows! E quando chovia, elas despejavam confetes de chocolate colorido, que iam tingindo casas, carros, avenidas inteiras e quem mais passasse por ali, sem pressa, naquele dilúvio açucarado. De boca aberta é mais gostoso ficar, como debaixo de um balão cheio de doces, à espera daquele que vai furar a bexiga e regar todos os pequenos com guloseimas! E que sejam pequenos, grandes, vovô e vovó, tios e primos, cachorro, gato, papagaio. Todo mundo junto numa festa só, dentro de um balão mágico, ou numa nave espacial!

Atenção: vendo coração por preço de banana

Atenção: vendo coração por preço de banana

O que mais se vê por aí são amores sem amor, como aqueles de posse, donos um do outro tipo sequestrador e vítima, amordaçada e obediente. Um manda, o outro acata. São “felizes” assim nessa relação de sequestro, mesmo com a certeza de que esse contentamento tem prazo de validade. Existe também o amor de expectativa, onde uma vez superada, voa como mariposa pairando de flor em flor. Em outra categoria estão os amores pífios e baratos. Dão feito chuchu na serra, e de tão ordinários, não chagam a valer nem 1,99. Sobrevivem por interesse, sem paixão, alguns se mantêm vivos apenas por gratidão.

Quando não puder mais caminhar, ajoelhe. E tente outra vez

Quando não puder mais caminhar, ajoelhe. E tente outra vez

Tente outra vez. Mesmo que você tenha se perdido, e perdido as forças para seguir o seu caminho. Mesmo quando o ar já não entra nos pulmões, e na escuridão, seus olhos não consigam enxergar sequer um fio de luz. Tente outra vez. Quando as mãos começarem a sangrar, e os pés machucados, em carne viva, não aguentarem mais o calor da terra. Tente outra vez. Quando não resistir mais à dor de um ombro dilacerado, um coração estilhaçado, um corpo triturado. Tente outra vez. E se não suportar mais caminhar, ajoelhe. Engatinhe, rasteje. Mas não desista!

Não me aguento mais. Vou embora. O último que sair apaga a luz

Não me aguento mais. Vou embora. O último que sair apaga a luz

Chega. Cansei de mim. Faz tempo que venho me aturando, fingindo que a minha presença não me incomoda. Só que agora, realmente, não dá mais. Não suporto meus passos sempre apurados, minhas passadas largas e aquela pisada torta. Ando muito rápido, vivo numa maratona interna competindo comigo mesma, quando poderia, pelo menos uma vez ou outra, me sentar no banco da praça e ver a banda passar.

Quem manda nisso tudo aqui sou eu!

Quem manda nisso tudo aqui sou eu!

Você está caminhando na sua própria romaria. Um pé depois do outro. Tropeça. Cai. Levanta. De olho na estrada, nos carros, nas formas das nuvens. Dias de sol, por vezes nublado, e as fases da lua acompanhando os seus ciclos mais íntimos. Esse é o lado A da vida; o previsível, a rotina — segura, porém monótona. Os sapatos tão moldados aos pés já se acostumaram com a andança automática. É como um roteiro sem clímax.