Henry Broadway (Brandon Lessard) chega à pequena Trinity, em Montana, no Velho Oeste, para cumprir uma promessa feita ao pai antes de sua execução. Isaac Broadway (Tim Daly) afirma ter sido condenado por um crime que não cometeu e pede ao filho que mate o homem responsável pela acusação. É uma herança ingrata para alguém que mal teve tempo de conhecê-lo. Dirigido por Richard Gray, “Vingança Brutal” acompanha esse rapaz pouco experiente em uma cidade onde o sobrenome da família desperta desconfiança e a história contada pelo condenado está longe de ser aceita pelos moradores.
Henry parte disposto a honrar a última vontade paterna, mas leva consigo mais dúvidas do que certezas. Não conhece suficientemente Isaac para avaliar suas palavras, tampouco possui a habilidade de um pistoleiro capaz de resolver qualquer discussão no saque. Sua chegada chama a atenção do xerife Gabriel Dove (Pierce Brosnan) e do misterioso St. Christopher (Samuel L. Jackson), dois homens que oferecem formas bastante diferentes de lidar com aquela promessa. Entre eles, o jovem precisa descobrir a quem recorrer sem entregar a própria vida nas mãos de um desconhecido.
Uma promessa difícil de cumprir
A relação entre pai e filho dá à vingança um ponto de partida interessante. Isaac pede uma demonstração extrema de lealdade a alguém com quem não construiu uma convivência. Henry aceita o compromisso em um momento que dificilmente permitiria ponderação. Diante da forca, qualquer pergunta chega atrasada, e a possibilidade de contestar o condenado desaparece junto com ele. Resta ao rapaz viajar até Trinity e procurar pessoas que possam confirmar ou desmentir o que ouviu.
Há também ouro envolvido nessa história, o que acrescenta um incentivo bastante terreno às declarações de honra. A possibilidade de riqueza atrai interesses que Henry ainda desconhece e torna qualquer oferta de ajuda digna de suspeita. Gray trabalha com ingredientes familiares do faroeste, entre eles o visitante sem experiência, o passado mal resolvido e a fortuna cobiçada. O interesse está em acompanhar alguém que assume uma missão de adulto antes de saber reconhecer os perigos ao redor.
Lessard favorece essa leitura pela aparência jovem e pela dificuldade de impor respeito diante dos outros homens. Mesmo com barba e o rosto machucado, Henry conserva um ar de quem deveria pensar duas vezes antes de aceitar aquele serviço. Essa fragilidade combina com o personagem, embora a atuação perca força quando ele divide a cena com Brosnan e Jackson. Os veteranos despertam curiosidade com pequenos gestos, enquanto o protagonista depende mais das dificuldades escritas para ele.
O pai que a cidade despreza
Em Trinity, Henry descobre que o vínculo de Isaac com a fundação da cidade não lhe garantiu uma boa lembrança. Os moradores o desprezam, enquanto o homem que ele responsabilizou por sua condenação recebe consideração. Para o recém-chegado, a diferença entre essas duas reputações complica uma tarefa que já era arriscada. Defender o pai exige ouvir pessoas que prefeririam não ter mais notícias daquela família.
Esse desencontro sustenta a melhor dúvida de “Vingança Brutal”. Henry tem uma promessa a cumprir, mas precisa investigar a vida de alguém que conheceu pouco. O afeto esperado entre pai e filho não basta para preencher as lacunas. Cada conversa pode enfraquecer a versão recebida junto à forca, e insistir nela sem cautela significa comprar uma briga com pessoas que conhecem aquele passado muito melhor.
Gray aproveita essa condição para manter o rapaz dependente dos habitantes de Trinity. Henry precisa de informações, proteção e alguma orientação, mas não possui recursos para escolher seus aliados com tranquilidade. Seu desejo de fazer justiça o torna vulnerável à influência de homens mais experientes. Antes de saber apontar uma arma, ele precisaria aprender a desconfiar de uma conversa agradável.
Pierce Brosnan dá peso ao distintivo
Gabriel Dove oferece algum amparo ao visitante, sem tratar a vontade de vingança como uma autorização para matar. Brosnan interpreta o xerife com paciência e firmeza, dando a impressão de alguém que já ouviu muitas justificativas para comportamentos perigosos. Ele considera a situação de Henry, mas precisa preservar a ordem na cidade. A simpatia pelo rapaz tem, portanto, uma condição bastante razoável. Ajudá-lo não pode significar permitir novos assassinatos.
Brosnan também recebe boas tiradas do roteiro de Lee Zachariah e sabe aproveitá-las sem transformar Dove em um comediante de distintivo. O jeito irlandês e a ironia discreta dão personalidade a um papel que poderia ficar restrito à função de aconselhar o jovem. Há graça na diferença entre a experiência do policial e a disposição de Henry para se meter em dificuldades. O xerife parece reconhecer o tamanho do problema antes que o visitante termine de apresentá-lo.
É uma atuação que faz falta quando sai de cena. Dove desperta confiança sem perder a autoridade, e Brosnan consegue tornar uma advertência tão interessante quanto uma ameaça. Ao lado dele, Henry ganha alguma proteção, embora continue responsável por decidir o que fazer com o pedido do pai.
Samuel L. Jackson merece desconfiança
St. Christopher se aproxima com outra disposição. Jackson dá ao personagem uma desenvoltura que torna suas intenções difíceis de avaliar. Ele fala e age com a segurança de quem conhece os riscos daquele lugar, uma vantagem considerável diante de um rapaz que ainda tenta compreender onde se meteu. Sua presença acrescenta perigo às conversas, mesmo quando ninguém está com uma arma apontada.
A diferença entre os dois atores mais conhecidos beneficia “Vingança Brutal”. Brosnan oferece contenção, enquanto Jackson ocupa mais espaço e deixa a suspeita acompanhar suas intervenções. Henry precisa circular entre essas presenças sem possuir a experiência necessária para avaliar todas as ofertas. O rapaz que viajou para cobrar uma dívida acaba exposto aos interesses de quem conhece o valor do ouro e o preço de uma morte.
Richard Gray entrega um faroeste competente, com mais personalidade nos encontros entre os personagens do que nas convenções de vingança que os aproximam. Falta ao protagonista a mesma força dos homens que disputam sua atenção, e algumas passagens poderiam ter mais ritmo. Ainda assim, Brosnan e Jackson sustentam o interesse por uma história em que a última vontade de um pai pesa sobre um filho quase desconhecido. Henry chega a Trinity disposto a matar por ele. Antes disso, precisa descobrir quem merece sua confiança para conseguir sair vivo da cidade.

