A emocionante história do piloto de caça alemão que salvou tripulação americana

A emocionante história do piloto de caça alemão que salvou tripulação americana

A incrível história de um piloto alemão que não quis matar um americano e, depois da batalha, se encontraram nos EUA e se tornaram amigos

As histórias cruciais da Segunda Guerra Mun­dial (1939-1945) já foram contadas? É provável. Há livros excelentes de historiadores como Ian Kershaw (autor da biografia seminal de Hitler), Richard Evans (autor de uma precisa e ampla história do nazismo nos primórdios, no poder e na guerra), Antony Beevor, Andrew Roberts “A Tempestade da Guerra” é imperdível), Richard Overy, Peter Longerich (escreveu as mais qualificadas biografias de Goebbels e Himmler), Max Hastings, Norman Davies, Robert Gellately (uma de suas obras prova que, sim, os alemães sabiam do Holocausto), Michael Burleigh, Martin Gilbert, Mark Mazoner, Michael Mann (“Fascistas”, publicado pela Record, é essencial para entender um fenômeno histórico que, embora muito discutido, ainda confunde), Richard Bessel, Saul Friedländer (responsável por dois volumes fundamentais sobre o Holocausto), Raul Hilberg (o valioso “A Destruição dos Judeus Europeus” saiu pela Amarilys), Roy Jenkins (publicou a biografia mais estupenda de Churchill, mas não tão deliciosa quanto “O Fator Churchill — Como um Homem Fez História”, de Boris Johnson). É provável que a maioria dos leitores não vai consultar todos os livros listados — tarefa para especialistas ou diletantes interessados —, mas são trabalhos incontornáveis.

O amigo alemao
Livro conta a fascinante história de pilotos alemães e americanos que lutaram na Segunda Guerra Mundial (1939-1945)

Se as questões decisivas já foram registradas, há, porém, histórias miúdas de rara grandeza humana. É a que conta o livro “O Amigo Alemão” (Geração, 407 páginas, tradução de Karla Lima), de Adam Makos, com a colaboração de Larry Alexander. É a história de um piloto de caça alemão e de um piloto de bombardeiro americano na Se­gunda Guerra Mundial.

Neste comentário, deixo de relatar a maioria das histórias — dolorosas, belas e heroicas — do piloto alemão Franz Stigler (sua atuação na guerra, como piloto e ser humano, é fascinante) e do piloto americano Charlie Brown. Deixo ao leitor a tarefa de descobri-las. Concentro-me na história central e esclareço aos leitores que ganharão muito mais se ler a obra integralmente. É fantástica.

O católico Franz Stigler (tinha sempre um rosário num bolso, às vezes nas mãos, durante os voos) era piloto de caça e o metodista Charlie Brown, de bombardeiros (o celebrado B-17). Eram excepcionais. O alemão pertenceu à equipe de pilotos especialistas de Adolf Galland (1912-1996).

Em 1943, Charlie Brown estava na Europa, pilotando B-17s – do 379º Grupo de Bombardeamento da 8ª Força Aérea — que atacavam cidades alemães, como Bremen. No primeiro ataque, depois de sete horas de viagem, voltou sem um arranhão. Parecia um passeio.

O coronel Maurice “Mighty Mo” Preston avisa, em seguida, que os pilotos e artilheiros dos B-17s e B-24s iriam atacar a fábricas de caças FW-190, na periferia de Bremen. O B-17 de Charlie Brown levava doze bombas de 226 quilos, metralhadoras calibre .50 e dez homens. A partir de 12 mil pés, eram obrigados a usar máscaras de oxigênio. Os militares colocaram o nome de Ye Olde Pub no avião e deram o nome de Os Calados ao grupo.

Ao entrarem no território alemão, os B-17 começaram a ser acossados pelos alemães pilotando caças. Do chão, disparavam canhões de 88 milímetros. Ecky, o artilheiro da cauda, gritou: “Bandidos!” Jennings acrescentou: “Mais deles a bombordo”. Frenchy, aliviado, informou que P-47s enfrentavam os caças de Adolf Hitler.

Charlie Brown e Franz Stigler
Charlie Brown e Franz Stigler: os pilotos americano e alemão quando jovens e guerreiros

De repente, o avião de Charlie Brown é atingido. “Fomos atingidos no nariz”, alertou Andy. “Aqui está parecendo um furacão!”, avisou Doc. Os dois eram os artilheiros que estavam na frente do B-17. “Charlie ouviu um projétil se estilhaçando e sentiu os controles frouxos por um momento, conforme o bombardeiro empinava para cima e depois voltava para baixo em um só golpe”, relatam Makos e Alexander. “Estamos perdendo pressão no óleo do [motor] número dois!”, informou Pinky, o copiloto. O avião passou a voar com três dos quatro motores. Logo depois, um projétil acertou uma asa, deixando um buraco grande. Os alemães atingiram a outra asa e “o quarto motor começou a enlouquecer”. “A asa vai rachar!”, gritou Pinky. Este desligou e religou o quarto motor, que voltou a funcionar.

Os aviões americanos começam a despejar bombas sobre a fábrica Focke-Wulf — “cada uma caindo um milissegundo depois da outra, para evitar que se chocassem” —, oito quilômetros abaixo. A ordem “era escapar da Alemanha o mais depressa possível”, pois “os caças aliados”, usados para proteger os bombardeiros e atacar os caças alemães, “haviam partido mais cedo, ‘por causa dos fortes ventos contrários que teriam de enfrentar a caminho de casa'”.

O quarto motor voltou a ratear e, como um motor já estava parado, o bombardeiro “perdeu velocidade e ficou para trás do grupo”. Os aviões de Charlie Brown e Walt, gravemente atingidos, se tornaram presas fáceis dos alemães.

Adolf Galland
Adolf Galland, ás da Força Aérea Alemã e um dos chefes militares de Frank Stigler

Pouco antes de ter seu avião destruído, Walt gritou pelo rádio: “Todos, fujam!” A presa agora era o B-17 de Charlie Brown. Os caças alemães o cercaram e o impediam de ter acesso ao Mar do Norte. Dois FW-190s mergulharam em direção à cabine do bombardeiro, mirando nos pilotos e nos controles. Numa manobra radical, “Charlie puxou o controle e subiu direto ao encontro dos dois caças inimigos. Em vez de oferecer ao inimigo um alvo plano de asas largas e um corpo comprido, Charlie estava apresentando o bombardeiro de maneira mais estreita possível, e aumentando a velocidade de aproximação”. O piloto do primeiro caça ficou surpreso com a manobra. “Ele atirou a distância, as balas resvalando no bombardeiro, acertando a fuselagem, mas falhando em nocautear a aeronave.” Frenchy atirou, com suas metralhadoras duplas, e atingiu o 190, que ficou fora de combate.

O piloto alemão atingiu o bombardeiro, mas não conseguiu derrubá-lo. “A manobra de Charlie havia reduzido o tempo de que o inimigo dispunha para atirar” e Doc acabou acertando o avião, que caiu. A situação do B-17 não era nada boa, um motor havia pifado, um funcionava de maneira irregular e o terceiro havia perdido a metade de sua capacidade. Restava um motor saudável. Pilotos de cinco 109s atacaram. Ecky lamentou: “Alguém atire, minhas metralhadoras travaram!” Blackie tentou atirar e não conseguiu. “Meu Deus! Minhas metralhadoras estão congeladas!” O bombardeiro perdeu metade do leme. Apenas três das onze armas estavam funcionando.

Os alemães pareciam brincar de gato e rato. Um dos tiros acertou o bombardeiro e jogou Jenning e Russian ao chão. “Os fragmentos do projétil estouraram a fuselagem do bombardeiro para fora. A parte inferior da perna esquerda de Russian continuava presa somente graças a uns poucos tendões”. Na cauda. Ecky foi atingido e morreu. Um estilhaço furou um olho de Pechout.

Com feridos a bordo, sabendo que não havia outra alternativa, Charlie Brown começou a fazer manobras radicais. O objetivo era não receber os balaços definitivos. O único artilheiro em atividade era Frenchy. O piloto acabou ferido, mas não perdeu o controle do avião. “O The Pub chacoalhava do rabo para adiante, quase impedindo as curvas de Charlie. Um caça arrancara o seu estabilizador horizontal esquerdo, deixando um toco de 90 centímetros onde antes havia uma asa traseira de 4,8 metros.”

Como Pinky estava inconsciente e a máscara de Charlie Brown havia deixado de soltar oxigênio, o que o deixou entorpecido, o bombardeiro começou a cair. Porém, “na baixa altitude, a cabine começou a se encher de ar rico em oxigênio. Charlie recobrou a consciência. O chão estava a um quilômetro e meio de distância. Charlie se esticou até os controles, agarrou-os e os puxou”. A queda era iminente.

Mas, “a 914 metros, o The Pub fez algo que nenhum B-17 com um estabilizador a menos deveria conseguir fazer. A aeronave parou de cair. Por uma inexplicável razão, as asas tornaram a planar”. O avião chegou a arrancar folhas das árvores e telhas das casas. Os alemães ficaram boquiabertos.

Frenchy fez um relato dos danos: “Estamos em pedaços. O estabilizador esquerdo se foi. A parte hidráulica está vazando pelas asas. Há buracos tão grandes na fuselagem que um homem consegue passar por eles, e lá na frente o nariz está arregaçado, aberto para o céu”. Era um quase milagre o B-17 continuar voando. Doc tentava encontrar a rota adequada para escaparem da Alemanha.

Franz Stigler

Como a situação era complicada, Charlie Brown sugeriu que quem quisesse poderia saltar de paraquedas, para tentar sobreviver. Mas avisou que iria enfrentar a artilharia da Muralha do Atlântico para voltar à Inglaterra. Ele não abandonaria Russian, que estava gravemente ferido. Os outros sete homens decidiram acompanhá-lo. Aí apareceu Franz Stigler, num caça 109.

“Como o bombardeiro estava sozinho, sem as metralhadoras coletivas de uma formação para protegê-lo, Franz decidiu atacá-lo por trás”, relatam Makos e Alexander. “‘Tem alguma coisa errada’, Franz pensou, quando viu as metralhadoras pensas, sem vida, apontando para a terra. Em seguida, seus olhos fixaram no estabilizador esquerdo do bombardeiro.” O piloto murmurou: “Meu Deus, como vocês ainda estão voando”. O B-17 parecia um galo despenado depois de uma intensa briga em rinha.

Charlie Brown e Franz Stigler:
Pintura mostra o encontro do bombardeiro B-17 pilotado por Charlie Brown e o caça 109 pilotado por Franz Stigler. O primeiro não tinha metralhadoras funcionando, mas o alemão não quis matar os militares americanos

Frank Stigler preparou-se para atirar, mas acabou afastando o dedo do gatilho. O piloto começou a observar o bombardeiro avariado, impressionado como aquele frangalho permanecia no ar. “Através” das “costelas expostas” do B-17, o alemão “viu os membros da tripulação enrodilhados uns nos outros, cuidando dos feridos. Avançando um pouco mais, Franz posicionou o 109 acima da asa direita do B-17. Ele viu que o nariz fora arrancado. O bombardeiro voava como que sustentando por um fio invisível”.

O que fazer?, Frank Stigler, um ás com muitas vitórias, inclusive na África e na Itália, ficou indeciso. Blackie, aterrado, olhava para o executor alemão. Lembrando de um comandante alemão, Ferdinand Voegl, que lhe disse para “celebrar” vitórias e não mortes (“Você marca vitórias, não mortes. Você atira em uma máquina, não em um homem”), Frank Stigler decidiu não matar os americanos. “Isto não vai ser uma vitória para mim. Eu vou ter isto na minha consciência pelo resto da vida.” Matar pessoas indefesas não era o forte do alemão, que não era filiado ao Partido Nazista e não tinha admiração por Hitler e Goering, o chefão da Luftwaffe.

A um metro de distância da asa direita do The Pub, Frank Stigler, vendo medo nos olhos dos americanos, fez um sinal com a cabeça para Charlie Brown e sugeriu que pousassem na Alemanha. Mas não foi entendido. Como o bombardeiro não tinha a mínima condição de enfrentar a artilharia pesada da Muralha do Atlântico, Frank Stigler decidiu protegê-lo. Os alemães viram que um de seus caças seguia o avião americano, quiçá para destruí-lo, e não atiraram.

Em seguida, Frank Stigler sugeriu que fossem para a Suécia e, de novo, não o entenderam. De longe, disse: “Boa sorte, vocês estão nas mãos de Deus”. E voltou para a Alemanha. Charlie Brown concluiu que Frank Stigler era “um bom homem”. Era mesmo e, como Galland e outros ases da Alemanha, queria ver Hitler e Goering destruídos.

Hora de rezar

Com rara perícia, Charlie Brown continua levando o avião, seus pedaços, para a Inglaterra. “Tudo o que podemos fazer agora é rezar”, disse aos colegas. E sempre tocava a Bíblia que estava em seu bolso. Era um homem de fé. Ele acreditava que um terceiro piloto, Deus, o havia protegido. Primeiro, porque o avião, mesmo destroçado e aos trancos e barrancos, levou-o e aos companheiros. Segundo, pelo fato, estranhíssimo, de que um alemão decidira não matá-los.

Quando as esperanças estavam quase perdidas, Charlie Brown e os colegas de infortúnio viram caças P-47 Thunderbolts da 8ª Força Aérea. “Amiguinhos!”, gritou Frenchy para o piloto. Eles foram guiados para uma pista de pouso de uma base aérea, na Inglaterra. Com esforço, o piloto aterrissou um avião de quatro motores que só tinha um e meio funcionando. Mais uma vez, o condutor do bombardeiro pôs uma mão na Bíblia.

Charlie Brown e Franz Stigler
A tripulação do bombardeiro B-17 Ye Olde Pub, em 1943. Ajoelhados, da esquerda para a direita: Charlie, Pinky, Doc e Andy. Em pé, da esquerda para a direita: Frenchy, Russian, Pechout, Jennings, Ecky e Blackie

Charlie Brown “parecia dez anos mais velho”. Todos sobreviveram — menos Ecky. O segundo-tenente Bob Harper foi o encarregado de ouvir Charlie Brown, autor de um feito raro. O piloto contou tudo, sem omitir que havia sido protegido por um piloto alemão. Por causa disso, no lugar de medalhas — merecidas —, Charlie Brown e os demais militares foram aconselhados a esquecerem a história. Não saiu a Cruz por Voo Notável para todos nem a pretendida Estrela de Bronze para Ecky.

Franz Stigler não contou a ninguém o que havia acontecido, senão teria de enfrentar a corte marcial. Ele se perguntou: “Valeu a pena?” A batalha europeia foi tão cruenta que, “dos 12 mil B-17s fabricados pelos americanos, 5 mil foram destruídos em combate”.

O reencontro

Terminada a guerra, Franz Stigler casa-se com a alemã Eva e muda-se para o Canadá. Depois, casa-se com a alemã Hiya (ela conta que os soviéticos, na Alemanha, apreciavam cantar “Lili Marlene”; uma versão da música pode ser ouvida no YouTube na voz do cantor brasileiro Francisco Alves.

No Canadá, Frank Stigler decidiu pilotar aviões, chegou a comprar um Messerschmitt 108 e recebeu uma visita de Galland. A Boeing convidou-o para participar da Flying Fortress B-17, nos Estados Unidos. O piloto decidiu contar a história a Hiya, que o convenceu a comparecer ao Museu da Aviação, no aeroporto de Paine Field. Frank Stigler observou os B-17s e perguntou ao coronel Robert Morgan, que havia sido capitão do famoso B-17 Memphis Belle, se sabia da história um bombardeiro que havia sido escoltado em segurança por um piloto alemão no dia 20 de dezembro de 1943. Ele não sabia. Mas uma emissora de televisão gravou sua história.

Charlie Brown vivia com sua mulher, Jackie, nos Estados Unidos. Ele havia trabalhado para a Força Aérea e fez carreira na Inteligência militar. Aposentado, mudou-se para a Flórida. À noite, tinha pesadelos com a história do B-17 destroçado. Aos companheiros da Associação do 379º Grupo de Bombardeamento, ele disse: “Vocês não vão acreditar, mas certa vez um piloto alemão fez uma saudação para mim” — havia 42 anos.

O tenente Robert (Bob) Harper pintou para Charlie Brown um retrato dos aviões americano e alemão. Em seguida, o piloto publicou, com o apoio de Galland, uma carta na “Jaegerblatt” (“Diário do Combatente”), da Associação dos Pilotos de Combate Alemães. Frank Stigler leu a carta e disse para Hiya: “Aqui, olha, é ele! Aquele que eu não derrubei!” Decidiu escrever uma carta para Charlie Brown.

Charlie Brown Franz Stigler
Os pilotos americano Charlie Brown e alemão Franz Stigler, nos Estados Unidos, quarenta e seis anos depois do encontro nos céus da Alemanha. Eles se tornaram amigos-irmãos e morreram no mesmo ano, em 2008

Charlie Brown ligou para Frank Stigler, que lhe resumiu o que havia acontecido. “Meu Deus, é você”, disse o americano. O piloto do B-17 inquiriu: “Para que você estava apontando?” O alemão redarguiu: “Para que vocês fossem pousar na Suécia”.

Em 21 de junho de 1990, 46 anos depois do encontro de 1943, Frank Stigler e Charlie Brown se encontraram em Seattle. Eles se abraçaram e choraram. Depois de conhecer Charlie Brown, Frank Stigler decidiu contar a Galland o que havia feito. O general disse: “Só podia ser você”. Frank Stigler era diferente: a partir de certo momento da guerra, não comemorava suas vitórias nem se preocupava com medalhas. Lutava pela Alemanha e por sua família.

Sam “Blackie” Blackford chorou muito ao se encontrar com Franz Stigler. “Dick Pechout silenciosamente envolveu Franz”, Charlie Brown e Blackie, “e os quatro ficaram entrelaçados”. “Todos naquele dia [13 de setembro de 1990, em Massachusetts] deviam algo a Franz Stigler. Por causa dele, 25 homens, mulheres e crianças — os descendentes de Charlie, Blackie e Pechout — tiveram a chance de viver, para não mencionar os filhos e netos dos demais tripulantes de Charlie.” Eram, todos eles, sobreviventes. Frank Stigler escapou milagrosamente dos ataques frequentes de caças americanos e ingleses. Frank Stigler, que perdeu o irmão August (antinazista) e o pai na guerra, diz que, com Charlie Brown, ganhou um irmão.

Em abril de 2008, a Força Aérea concedeu a Charlie Brown a Cruz da Força Aérea, a segunda mais alta medalha por heroísmo dos Estados Unidos. Albert “Doc” Sadok ganhou a Estrela de Prata. Curiosamente, Franz Stigler (em março) e Charlie Brown (em novembro) morreram em 2008, com uma diferença de oito meses.