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Há livros que nos divertem, há livros que nos distraem. Mas existem aqueles outros — tão raros, tão perigosos — que nos colocam diante de um espelho que não perdoa. A leitura deles não termina quando a página se fecha. Não, ela continua. Ecoando, cutucando, abrindo perguntas que, honestamente, a gente nem sabia que queria — ou podia — fazer. São livros difíceis. Livros que nos obrigam a olhar para a vida — nossa vida — com olhos desconfiados, meio assustados, até.

Essas histórias, veja bem, não são apenas sobre personagens, nem sobre cenários ou enredos engenhosos. Seria fácil se fossem. Mas não. Elas são sobre nós. Sobre o que tentamos esquecer, sobre o que tentamos disfarçar. Como se, sem pedir licença, os autores tivessem atravessado a tênue linha da ficção e tocado algo secreto, quase vergonhoso, no fundo do nosso peito. Não espere um passeio tranquilo, não mesmo. Espere tropeços. Espere aquelas pausas desconfortáveis, quando você fecha o livro, suspira… e fica ali, quieto, olhando para o nada.

Talvez por isso — só talvez — eu te diga, com uma pontinha de provocação: melhor não abrir esses livros, viu? Melhor não começar. Porque uma vez lido, já era. Você até pode tentar voltar pra vida normal. Pode. Mas vai ser como vestir uma roupa que já não serve mais. Algo muda. Algo se rompe. E viver sabendo disso é, digamos… complicado.

Então, aviso dado — de coração. Se você está confortável demais com suas certezas, se prefere o solo seguro das ideias antigas, talvez seja melhor parar por aqui mesmo. Agora… se ainda assim você decidir seguir em frente — corajoso ou imprudente que seja — saiba que está prestes a encontrar cinco livros que, com a delicadeza brutal que só a grande literatura conhece, vão fazer você repensar tudo. Absolutamente tudo.

Carlos Willian Leite

Jornalista com atuação em cultura e enojornalismo. Escreve sobre vinhos, livros, audiovisual e streaming. É sócio da Eureka Comunicação e fundador da Bula Livros.

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