Crônica

O desejo é um cão dos diabos

O desejo é um cão dos diabos

Na Vara da Família, esperava-se silêncio solene, mas o que se ouvia era o barulho de um juiz em apuros sentimentais. Entre perucas andróginas, escapadas nas docas e um assessor fiel demais, a vida de Sua Excelência parecia mais comédia de bastidores do que drama de tribunal. Havia whisky sobre a mesa, culpa nos olhos e chantagem no ar. A cada revelação, menos toga e mais farsa, como se a moral e os bons costumes fossem apenas figurino mal costurado.

Não confie em homens que fazem as sobrancelhas

Não confie em homens que fazem as sobrancelhas

Enquanto malhávamos a língua, fomos pegos de surpresa com o comentário ingênuo e impensado de um jovem personal que confessou padecer de complexo de inferioridade por considerar diminutas as dimensões do próprio pênis. Ultimamente, ele vinha economizando recursos para fazer um procedimento de aumento peniano numa clínica de saúde masculina que anunciava maravilhas da medicina de ponta — literalmente — num programa de debate esportivo na rádio.

O sucesso dos livros para colorir

O sucesso dos livros para colorir

Os livros para colorir sempre existiram, mas entraram na moda há alguns anos. Quando eu era criança, lembro de ganhar alguns, mas naquela época eles nem eram considerados livros, eram chamados de cadernos ou sei lá como. Mas, por alguma razão inexplicável, os livros para colorir atingiram um status maior e agora estão lado a lado com livros de leitura, dividindo com eles as listas dos livros mais vendidos.

O ovo vem da Ásia

O ovo vem da Ásia

Segundo estudo alemão publicado no ano passado, há evidências arqueológicas de que as galinhas modernas surgiram — por evolução dessa domesticação — por volta do século 4 a.C., na região mais central da Ásia. Com a chamada Rota da Seda, a rede asiática de trajetos comerciais que facilitou a interação entre Oriente e Ocidente, galinhas e ovos começaram a chegar ao solo europeu. Em tempos de intensa mercantilização, todos buscavam os ovos de ouro, afinal. Mas isso só a partir do século 2 a.C.

E a bunda eslovena?

E a bunda eslovena?

Só nós temos bunda. É algo que nos ensina o sabido professor Caetano Galindo em seu saborosíssimo livro “Na Ponta da Língua — O Nosso Português da Cabeça aos Pés”. Ele explica que a gostosa palavra brasileira não encontra parentes nas outras línguas latinas, tampouco se repete nos demais países lusófonos, porque é resultado da miscigenação linguística — aqui estou dizendo com as minhas palavras, então se a expressão for inadequada a culpa é minha e não do Galindo. A bunda, portanto, é produto do caldo cultural, social e étnico que deu na nossa nação.