Autor: Fred Navarro

Oito romances para reler até o mundo se acabar

Oito romances para reler até o mundo se acabar

Jorge Luis Borges disse certa vez que, após os 50 anos, não tinha mais tempo ou paciência para arriscar a leitura de lançamentos, mesmo os cercados de elogios gerais. Preferia a companhia dos livros que o marcaram e que mereciam releituras sem fim. Estava coberto de razão. Todos têm os seus livros prediletos, mesmo que não os tenham relido ou feito isso há anos ou décadas. A

As palavras e a fraude ou o malabarismo ideológico

As palavras e a fraude ou o malabarismo ideológico

Às vezes, as palavras revelam mais do que deveriam, vão além do que era a intenção original, escorregam em cascas de banana, cometem atos falhos, deixam rastros nos chistes e expressões. As palavras não são traiçoeiras, mas a forma como são utilizadas, sim. A vingança não demora: elas desmascaram a intenção do mau uso.

16 conselhos inúteis (e gratuitos)

16 conselhos inúteis (e gratuitos)

Preste atenção às fisionomias. Durante uma negociação, o olhar muitas vezes trai e desmente o discurso. O observador atento tira a média entre os dois e se aproxima das intenções do interlocutor. Suspeitar e desconfiar de alguém são as coisas mais fáceis do mundo; decifrar e compreender as pausas, olhares, tiques nervosos, parênteses e entrelinhas, isso dá trabalho.

A face oculta de Lolita

A face oculta de Lolita

Recusado por diversas editoras americanas, quando saiu em 1955 por uma editora francesa especializada em publicar livros em inglês, o escândalo foi de alta voltagem. Lolita, a personagem, transformou-se de imediato num símbolo da revolução de costumes em curso. O autor não conseguia compreender o sucesso, logo ele que escrevia textos sofisticados, burilados ao extremo, peças de teatro, ensaios críticos, traduções para o russo e uma biografia de Nikolai Gógol.

Tanto faz

Tanto faz

Quase na entrada da estação do metrô ouço a voz rouca e empostada que desafia a mesmice do início da noite: “A tristeza é a morte do assalto celestial”. No vão central da praça o dono da voz, um mendigo de meia-idade, age como se fosse um imperador romano que enlouqueceu no último ato. Dramático, o soberano dá passos lentos, faz paradas repentinas e, sem ninguém esperar, estufa o peito, ergue o queixo e repete, imponente: “É a morte do assalto celestial!”

Elogio do imobilismo

Elogio do imobilismo

Somos o mais filosófico dentre as centenas de povos do planeta. Poucos apreciam perder o tempo que desperdiçamos em meio a contradições intermináveis. Adoramos confundir lerdeza intelectual com sabedoria, e o infinito com o indefinido. Em consequência, adiamos a realização do possível, sem prazo de validade. Somos — quem sabe? — mais pacientes que japoneses, chineses, tibetanos, vietnamitas, tailandeses e demais povos orientais, juntos. Somos mais filosóficos que alemães, franceses, ingleses, austríacos e dinamarqueses. Precisamos de tempo e de sossego para pensar e adiar as decisões necessárias. Não gostamos de nos mexer, a não ser o inevitável, se possível apenas o mindinho.