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Em “A Tragédia de Macbeth”, dirigido por Joel Coen, a história começa com o general Macbeth (Denzel Washington) retornando da guerra e sendo surpreendido por três bruxas que afirmam que ele será o próximo rei da Escócia. A partir daí, o que poderia ser apenas uma curiosidade vira um plano perigoso: ele decide transformar a previsão em realidade, mesmo que precise eliminar o rei Duncan para isso.

Macbeth chega ao castelo já inquieto. Ele conta tudo para Lady Macbeth (Frances McDormand), que entende rapidamente o que está em jogo. Se há uma chance de poder, ela não pretende desperdiçar. É ela quem empurra o marido para a ação, organizando o assassinato de Duncan com frieza prática. Macbeth hesita, mede riscos, desiste por um instante. Não é exatamente falta de coragem, mas uma noção ainda viva de limite. Lady Macbeth, porém, encurta esse espaço. Ela insiste, pressiona, reorganiza o plano até que ele cede. A decisão é tomada, e o casal cruza um ponto sem volta.

O trono

O assassinato acontece dentro do castelo, em um ambiente controlado, quase silencioso. Tudo depende de timing, acesso e discrição. Macbeth executa o ato, mas não sai ileso. A partir desse momento, o poder vem acompanhado de paranoia. Não basta conquistar o trono; é preciso mantê-lo. E manter, nesse caso, significa eliminar qualquer ameaça real ou imaginada. O que era um plano pontual vira uma sequência de ações para conter danos.

Já como rei, Macbeth passa a desconfiar de todos ao redor. Um dos nomes que surge como possível risco é Banquo, antigo aliado que também ouviu a profecia das bruxas. Se Macbeth foi anunciado como rei, os descendentes de Banquo, segundo elas, herdariam o trono. A conta é simples e brutal, para garantir o próprio poder, ele precisa impedir que isso aconteça. A decisão leva a novos crimes, agora menos calculados e mais impulsivos. O controle começa a escapar.

Enquanto isso, Lady Macbeth, que antes parecia ter tudo sob domínio, começa a mostrar sinais de desgaste. O peso das ações cobra seu preço. O que antes era estratégia vira inquietação. O casal já não tem sintonia como antes. Macbeth segue avançando, cada vez mais isolado, enquanto ela perde a capacidade de manter o que ajudou a construir.

Desconfiança

A presença das bruxas volta em momentos-chave. Macbeth recorre a elas como quem busca confirmação de que ainda está no caminho certo. Mas as respostas que recebe são ambíguas, quase armadilhas. Ele interpreta como garantias de segurança, quando, na prática, são avisos disfarçados. Ainda assim, decide confiar. É uma aposta que reduz sua margem de erro a praticamente zero.

Do outro lado, Macduff (Hassell) observa o cenário com desconfiança. Ele percebe que algo está fora do lugar e passa a agir contra Macbeth. Aqui, o conflito ganha dimensão aberta. Não é mais apenas uma disputa silenciosa dentro do castelo, mas um movimento de resistência que cresce fora dele. Macbeth tenta reagir, mas já não controla todas as variáveis.

O filme acompanha essa escalada sem pressa, deixando claro como cada decisão gera um novo problema. Não há atalhos nem soluções fáceis. A direção de Joel Coen reforça essa sensação ao trabalhar com cenários minimalistas e uma fotografia que privilegia sombras e espaços vazios. A técnica não chama atenção por si só, mas organiza o olhar do espectador, mantendo o foco nos personagens e nas consequências de seus atos.

Denzel Washington constrói um Macbeth que não é impulsivo desde o início. Ele hesita, pensa e tenta se convencer. Isso torna a transformação mais concreta. Já Frances McDormand traz uma Lady Macbeth direta, prática, quase administrativa no começo, o que torna sua deterioração ainda mais perceptível depois. Não há exagero, apenas desgaste acumulado.

“A Tragédia de Macbeth” acompanha como uma decisão aparentemente simples, aceitar uma ideia e agir sobre ela, pode desencadear uma cadeia de eventos impossível de controlar. Macbeth queria o trono e conseguiu. O problema é tudo o que veio junto, e que ele claramente não tinha como administrar.


Filme: A Tragédia de Macbeth
Diretor: Joel Coen
Ano: 2021
Gênero: Drama/Fantasia/Mistério
Avaliação: 4/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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