Eberth Vêncio

O dia em que gritei com Cora Coralina até perder a voz Foto / Acervo da Família

O dia em que gritei com Cora Coralina até perder a voz

Gritei no ouvido de Cora Coralina até perder a voz. Senti de perto o aroma gostoso, quase secular, da vovó misturada com alfenim. Já ouvi dizer que a poeta não era uma doçura em pessoa, vinte e quatro horas por dia. Tinha lá os seus resvalos na rabugice e no mau humor. Nada mal para uma escritora que, apesar de tamanhas adversidades, fez história na literatura brasileira numa época em que lugar de mulher era em casa, obedecendo ao marido, parindo filho, fazendo doce e batendo bassoura no terreiro.

Sentimentos de melancolia análogos à tristeza

Sentimentos de melancolia análogos à tristeza

O pensar me escraviza. Eu não cheiro, nem fedo. Eu não sou alto, nem baixo, nem gordo, nem magro, nem feio, nem bonito, nem careta, nem libertino. Sou menos livre do que um menino. Um homem destro com suaves desatinos à esquerda. Eu sofro de insônia, enquanto, sonho com paz na Terra, justiça social e arroz sem lentilhas. Iludidos, os meus olhos são duas ilhas que se tornaram baças, adquirindo um matiz neutro, do tipo nem claro, nem escuro, nem morto, nem vivo, nem alegre, nem triste, um mistério imbricadíssimo até mesmo para uma falecida poetisa decifrar.

Estudos preliminares dão conta de que ozonioterapia no reto dos outros é refresco

Estudos preliminares dão conta de que ozonioterapia no reto dos outros é refresco

Eu entendo a humanidade. Somos os camundongos de Deus. Novas terapias estão em voga desde o advento da pandemia pelo Covid 19, como a utilização de cuspe na palma das mãos — para o tratamento da solidão e da disfunção erétil — ou a injeção de ozônio na ampola retal do freguês — como parte dos esforços para a recuperação da estratosfera terrestre. Estudos medíocres preliminares comprovam que a pomada de Minâncora cura frieira, mas, também, quebra um baita galho quando utilizada como lubrificante íntimo. Não, eu não quero intimidade com nenhum dos meus detratores.

Quando acordar vou dizer que eu te amo

Quando acordar vou dizer que eu te amo

Faz dois meses que o Cláudio caiu do telhado. Parece que foi ontem. Parece que foi nunca. Não há previsões de quando ele vai acordar, se é que vai acordar. As pessoas não gostam que se diga isso. É preciso um maior grau de otimismo. A torcida, portanto, é grande pelo seu pronto restabelecimento. Muita gente rezando, fazendo promessa, convergindo as correntes positivas de pensamento, dentre outras providências subjetivas e imponderáveis que tomamos sempre que bate o desespero.