Em “Como Ser Solteira”, dirigido por Christian Ditter, um grupo de jovens adultos em Nova York tenta entender como viver a solteirice em um momento em que relacionamentos parecem cada vez mais instáveis, e, muitas vezes, opcionais. A história acompanha Alice, vivida por Dakota Johnson, que decide dar um tempo no namoro de longa data antes de se mudar para a cidade. A ideia é simples: aprender a ser independente, descobrir quem é fora de um relacionamento e testar, na prática, o que significa estar sozinha. O plano parece razoável, mas a execução se mostra mais confusa do que ela imaginava, especialmente em um ambiente onde tudo acontece rápido demais.
Logo que chega, Alice conhece Robin, interpretada por Rebel Wilson, que funciona quase como um manual ambulante, embora nada confiável, sobre como ser solteira. Robin vive intensamente, evita qualquer tipo de apego e transforma cada noite em uma oportunidade de exagero. Ela leva Alice para festas, encontros casuais e situações que testam seus limites, sempre com uma lógica própria: quanto menos compromisso, melhor.
Em paralelo
Enquanto isso, outras histórias se desenrolam em paralelo. Lucy, vivida por Alison Brie, encara a vida amorosa como um projeto. Ela usa aplicativos de relacionamento com disciplina, estabelece critérios e tenta encontrar o parceiro ideal como quem resolve um problema matemático. O problema é que sentimentos não seguem planilhas, e suas tentativas acabam revelando mais frustração do que resultados.
Meg, personagem de Leslie Mann, é a irmã mais velha de Alice e representa outro tipo de escolha. Cansada de esperar por um relacionamento estável, ela decide ter um filho sozinha. É uma decisão prática, direta, mas que traz consequências imediatas: menos tempo, mais responsabilidade e uma rotina completamente diferente da liberdade que os outros personagens ainda tentam preservar.
No meio desse cenário, Alice tenta encontrar seu próprio caminho. Ela alterna entre seguir os conselhos de Robin e buscar algo mais estável com David (Damon Wayans Jr.), colega de trabalho que demonstra interesse genuíno. Essa indecisão vira o principal obstáculo da personagem, que frequentemente se vê dividida entre o desejo de independência e a necessidade de conexão.
Erros e acertos
O filme constrói sua narrativa a partir dessas tentativas, erros e pequenos acertos. Há uma sucessão de experiências que vão moldando as escolhas de cada um. A comédia aparece principalmente nas situações exageradas de Robin e nos encontros desastrosos de Lucy, criando momentos de humor que funcionam justamente por serem reconhecíveis.
Ao mesmo tempo, há um olhar mais sensível sobre o que significa estar sozinho em uma cidade como Nova York. A liberdade existe, mas vem acompanhada de dúvidas, inseguranças e, em muitos casos, uma certa solidão que ninguém admite com facilidade. Cada personagem lida com isso de um jeito diferente, e o filme observa essas reações sem tentar impor uma resposta única.
“Como Ser Solteira” acerta ao mostrar que não existe um modelo definitivo de vida amorosa. O que existe são escolhas, algumas impulsivas, outras planejadas, e as consequências que vêm junto com elas. Alice entende isso aos poucos, ajustando suas expectativas e aprendendo que estar sozinha não significa, necessariamente, estar perdida.
O filme funciona como um retrato leve, às vezes caótico, mas bastante honesto de uma fase da vida em que tudo ainda está em aberto. E, nesse processo, deixa claro que aprender a ser solteiro pode ser tão complicado quanto aprender a se apaixonar, talvez até mais.

