Projeto de paixão de Natalie Portman, no qual atuou como produtora e protagonista, “Em Busca da Justiça” chegou a integrar a Black List de 2011 como um roteiro promissor ainda não realizado, e acabou nas mãos da premiada cineasta Lynne Ramsay. No entanto, após desentendimentos com os produtores, Ramsay abandonou o projeto, levando consigo o diretor de fotografia Darius Khondji.
Da pré-produção às filmagens, diversos nomes de peso entraram e saíram do projeto, como Michael Fassbender, Jude Law e Bradley Cooper. Apesar das baixas, outros grandes atores passaram a integrar o elenco, como Joel Edgerton, Ewan McGregor, Rodrigo Santoro, Noah Emmerich e Boyd Holbrook. Ainda assim, nem mesmo esse conjunto foi suficiente para levantar o filme nas bilheterias ou conquistar a crítica.
Com um orçamento de cerca de 25 milhões de dólares, a arrecadação não passou dos 4 milhões. Além disso, a recepção crítica foi mediana em escala global. A responsabilidade não recai sobre Natalie Portman ou sobre os demais atores que compõem o núcleo duro, mas sobre as mudanças constantes no roteiro, muitas delas orientadas por demandas da produção. Se a ideia original de Brian Duffield apostava no protagonismo feminino dentro de um universo majoritariamente masculino, as versões finais, costuradas por novos roteiristas e atravessadas por interferências externas, acabaram reduzindo significativamente esse objetivo.
Enredo
O longa gira em torno de Jane (Portman), uma jovem sequestrada por um grupo de pistoleiros que decide fundar a própria cidade. O primeiro comércio: um bordel. Jane e outras mulheres sequestradas passam a servir os homens nesse ambiente hostil e insalubre. Quando ela conhece Dan (Edgerton), seu destino muda. Eles fogem juntos, se apaixonam e planejam uma nova vida. No entanto, a Guerra Civil Americana coloca a relação em hiato. Dan é forçado a partir, enquanto Jane é obrigada a permanecer.
Sem notícias por anos, Jane acaba se envolvendo com Bill (Emmerich), um dos pistoleiros do grupo que a sequestrou, mas que sempre a protegeu dos demais. A decisão não nasce do afeto, mas da necessidade de sobrevivência. Ainda assim, essa escolha gera tensão entre Bill e os outros homens, especialmente o líder, John Bishop (McGregor). Após estabelecer uma vida com Bill em uma fazenda, onde constroem uma família, o retorno de Dan reabre feridas antigas: ele encontra seu grande amor ao lado de outro homem. Mas quando Bishop ressurge em busca de vingança contra Bill e volta a perseguir Jane, ela se vê obrigada a recorrer justamente a Dan para defender sua família.
Os problemas
O longa não se organiza de forma linear. Pelo contrário, pulveriza diferentes tempos passados ao presente, o que acaba gerando confusão em diversos momentos. Não é questão de desatenção do espectador, mas de uma montagem que tenta reconstruir a história por meio de fragmentos e cortes, afastando-se do que o roteiro original propôs.
“Em Busca da Justiça” não é um filme ruim, mas é irregular, confuso e parece perder a própria voz ao longo do caminho. Se a proposta inicial era colocar Jane como força motriz da narrativa, o que se vê é um deslocamento gradual para os dilemas emocionais de Dan, que acabam assumindo o eixo central da história.

