Em 1752, na tentativa de fugir de uma maldição que parece grudar na família como uma dívida antiga, Joshua Collins (Ivan Kaye) e Naomi Collins (Susanna Cappellaro) deixam Liverpool rumo à América com o filho Barnabas, acreditando que distância pode significar recomeço, mas o passado, como se vê, não costuma aceitar esse tipo de negociação.
Décadas depois, já instalado em Collinsport, Barnabas Collins (Johnny Depp) cresce cercado de privilégios e poder, tornando-se uma figura central na cidade, alguém que dita regras, conquista pessoas e raramente mede consequências. Esse comportamento cobra um preço específico quando ele se envolve com Angelique Bouchard (Eva Green), uma mulher que ele seduz e descarta sem imaginar que, por trás da aparência elegante, existe uma bruxa com memória longa e pouca tolerância à rejeição. A resposta dela não é simbólica: Angelique transforma Barnabas em vampiro e, para garantir que ele não volte a circular, manda enterrá-lo vivo, selando seu destino por dois séculos.
Quando Barnabas desperta, já nos anos 1970, o primeiro choque não é nem a sede ou a condição sobrenatural, mas o estado daquilo que ele deixou para trás. A imponente mansão dos Collins está em ruínas, os negócios da família praticamente desapareceram e os descendentes vivem mais de lembranças do que de qualquer poder real. Elizabeth Collins Stoddard (Michelle Pfeiffer), atual matriarca, administra o que sobrou com uma mistura de firmeza e resignação, claramente acostumada a trabalhar com pouco, e a confiar ainda menos.
Barnabas decide agir rápido. Ele não retorna apenas como um sobrevivente deslocado no tempo, mas como alguém que acredita ter direito ao controle da família e da cidade. A intenção é simples na teoria: restaurar o nome Collins e recuperar a influência perdida. Na prática, o cenário é outro. Ele precisa lidar com parentes que escondem seus próprios segredos, com uma cidade que já não responde ao sobrenome como antes e, principalmente, com Angelique, que segue viva, e mais poderosa do que nunca.
Angelique, agora uma empresária consolidada em Collinsport, controla boa parte da economia local e observa o retorno de Barnabas com uma calma estratégica. Ela não precisa agir impulsivamente, porque já ocupa a posição de vantagem. Cada tentativa de Barnabas de reorganizar os negócios da família esbarra, direta ou indiretamente, na influência dela. O que antes era um conflito pessoal ganha escala prática: trata-se de quem manda na cidade e quem fica à margem.
Dentro da mansão, a situação também não ajuda. Os moradores vivem sob uma espécie de acordo silencioso, onde cada um guarda algo que prefere não explicar. É nesse ambiente que surge Victoria Winters (Bella Heathcote), contratada como governanta do jovem David Collins (Gulliver McGrath). Barnabas se interessa por ela quase imediatamente, não apenas por atração, mas por uma sensação difícil de explicar, como se houvesse ali algo familiar que ele não consegue nomear. Esse interesse, no entanto, complica suas decisões, porque introduz um elemento emocional num plano que exigiria frieza.
O convívio com David também revela outra camada do problema. O garoto, ainda lidando com perdas e medos próprios, reage a Barnabas com desconfiança e curiosidade. Barnabas tenta se aproximar, mas sua condição e seus hábitos tornam qualquer tentativa de normalidade um exercício meio desajeitado. Há um esforço genuíno ali, mas também um risco constante de que tudo saia do controle, e rápido.
É nesse ponto que o filme encontra espaço para o humor. O choque de Barnabas com o mundo moderno rende momentos quase involuntários, como alguém tentando decifrar regras que nunca aprendeu. Ele observa objetos, costumes e comportamentos com uma seriedade deslocada, como se estivesse sempre um passo fora do tempo certo. O efeito é curioso: ao mesmo tempo em que provoca riso, reforça o quanto ele está em desvantagem.
Mesmo assim, Barnabas insiste. Ele tenta reerguer os negócios da família, reorganizar a casa e, aos poucos, retomar alguma autoridade. Cada avanço, no entanto, vem acompanhado de um novo obstáculo, seja pela interferência direta de Angelique, seja pelas limitações internas da própria família. Não há caminho simples, e ele começa a perceber que recuperar o passado talvez exija mais concessões do que ele está disposto a fazer.
No meio desse jogo, o que está em disputa deixa de ser apenas vingança ou orgulho. Barnabas precisa decidir até onde vai para reconquistar o que perdeu, e o que está disposto a sacrificar no processo. Porque, em Collinsport, nada volta exatamente como era, e qualquer tentativa de restaurar o passado acaba revelando mais rachaduras do que soluções.

