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Dirigido por Chad Hartigan, “Entre Nós — Uma Dose Extra de Amor” reúne Zoey Deutch, Jonah Hauer-King, Ruby Cruz e Jaboukie Young-White num começo em que o problema aparece cedo. Connor segue preso a Olivia, por quem cultiva uma paixão antiga, enquanto ela o mantém por perto e evita dar nome ao vínculo entre os dois. Quando Greg o empurra para puxar conversa com Jenny, deixada sozinha num bar, Olivia se aproxima dos dois e muda o rumo da noite. Os três passam por bebida, dança e pelo apartamento de Connor, até que aquela saída desemboca numa gravidez e, logo depois, em outra, e o que parecia caber numa única madrugada reaparece já no dia seguinte.

Hartigan não esconde o ménage nem trata a cena como revelação tardia. O encontro no apartamento aparece cedo, e a ação passa a lidar com o que sobra dele no dia seguinte, na semana seguinte, na hora em que cada um precisa rever o que fez, o que disse e o que não combinou. Antes disso, tudo passa pelo bar, pelo restaurante e pela pista de dança, com gente agindo no impulso, bebendo, falando demais, testando limite e sem medir direito o alcance do que está fazendo. A sequência se apoia numa conversa puxada por incentivo alheio, num ciúme mal disfarçado, numa saída que se estica noite adentro e no retorno ao apartamento.

Depois da noite

Connor e Olivia engatam um namoro mais sério, mas Jenny não desaparece com isso, e o que aconteceu entre os três também não some quando amanhece. Na manhã seguinte ao encontro, já sem Olivia por perto, Connor e Jenny voltam a se aproximar no mesmo espaço, e esse segundo gesto complica ainda mais uma situação que já vinha torta desde o bar e da pista de dança. Jonah Hauer-King segura a indecisão do personagem num registro contido, como alguém amável demais para romper de vez com Olivia, lento demais para perceber o tamanho da encrenca em que se meteu e ainda convencido de que conseguirá separar desejo, namoro e responsabilidade. Zoey Deutch trabalha a ambiguidade de Olivia por gesto e reação, entrando na conversa por ciúme, circulando entre Connor e Jenny e depois tentando pôr algum contorno naquilo que ela mesma ajudou a empurrar adiante.

Ruby Cruz fica com a parte mais ingrata do trio, porque Jenny entra como desconhecida e reaparece no centro do problema ao voltar grávida, numa posição para a qual ninguém ali parece preparado. O fato de ser mais jovem e ainda ligada à casa dos pais pesa quando aquilo deixa de caber no quarto e passa a envolver família, rotina, decisão prática, dinheiro, dependência e a obrigação de responder a outras pessoas. Hartigan não estica essa situação como anedota de choque nem como provocação de cartaz, e também não tenta aliviá-la com graça fácil. Ele encosta em casa, em conversa atravessada, em constrangimento, em ida e volta, em gente que reaparece quando não devia e no jeito como cada um começa a medir, tarde demais, o lugar que ocupa na vida dos outros dois.

Peso prático

As duas gravidezes reorganizam a história em torno de conversa difícil, prazo curto e escolha para a qual ninguém parecia preparado, nem Connor, nem Olivia, nem Jenny, cada um preso a uma conta diferente. Os três deixam de existir só como desenho curioso de uma noite e passam a responder a pais, à vida doméstica, ao corpo e a um futuro que chega antes do combinado e sem espaço para fantasia. A presença crescente das famílias puxa tudo para o chão, e isso aparece menos em explosão dramática do que em visitas, reaparições, silêncios, perguntas incômodas, recuos, constrangimentos e tentativas meio tortas de reorganizar a bagunça sem saber exatamente por onde começar. O que começou como fantasia de uma noite vira problema de convivência, responsabilidade, cobrança, calendário, casa, corpo e decisão.

Connor aborda Jenny depois de um encontro frustrado, Olivia entra na conversa por ciúme, os três atravessam bar, pista e apartamento, e Jenny volta quando a situação já não cabe mais no improviso daquela noite. A partir daí, famílias passam a cercar o caso, a rotina muda de escala, e o trio precisa lidar com casa, prazo, corpo, cobrança e duas gravidezes ao mesmo tempo. Hartigan mistura romance, comédia e drama sem transformar esse acúmulo numa piada longa. Connor, Olivia e Jenny precisam responder pelo que começou no bar, passou pelo apartamento e agora envolve família, casa, corpo, tempo e decisão.


Filme: Entre Nós — Uma Dose Extra de Amor
Diretor: Chad Hartigan
Ano: 2025
Gênero: Comédia/Drama/Romance
Avaliação: 4/5 1 1
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