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Dirigido por Howard, “Apollo 13” reúne Tom Hanks, Bill Paxton, Kevin Bacon e Gary Sinise para refazer a missão que saiu da Terra rumo à Lua e precisou abortar o pouso depois de uma explosão no espaço. Jim Lovell, Fred Haise e Jack Swigert entram em órbita num voo tratado quase como rotina, já distante do espanto que cercou as primeiras viagens. Quando oxigênio e energia elétrica passam a faltar, a viagem deixa de apontar para a Lua e passa a depender da volta.

A abertura acerta ao mostrar a mudança de escala. A decolagem do Saturno ocupa a paisagem como cerimônia pública, mas o quadro logo encolhe e prende os astronautas ao interior da cápsula, onde ausência de peso, perda de calor, economia de energia e redução de água deixam de ser informação técnica e viram limite do corpo. A explosão corta essa passagem de forma seca e obriga o filme a trabalhar com temperatura do módulo, minutos de eletricidade e espaço exíguo.

Da nave a Houston

O filme se firma no corte entre a nave e Houston, porque a crise não depende só do que Lovell, Haise e Swigert conseguem fazer dentro do módulo avariado. Em terra, Gene Kranz e os engenheiros procuram saídas para o avanço do dióxido de carbono, para a perda de eletricidade e para a adaptação de equipamentos a uma situação que a missão não deveria enfrentar. Ken Mattingly, retirado do voo antes do lançamento, entra nesse esforço como peça decisiva.

Essa circulação entre lugares separados por milhões de quilômetros impede que “Apollo 13” vire apenas um drama de confinamento. Há telejornais e imagens de época que aproximam a reconstituição de um acompanhamento público em tempo real e lembram que a crise também era recebida fora da NASA, entre estúdios, salas de estar e a espera das famílias. O pouso lunar já foi descartado, e o que passa a importar é rota, consumo de energia, chance de reentrada e margem de erro.

Trabalho sob ameaça

Entre as passagens mais fortes está a improvisação para conter o dióxido de carbono com peças disponíveis, uma solução montada sob pressão e ligada diretamente à chance de manter os três astronautas respirando em condições mínimas. O mesmo vale para a poupança extrema de recursos, para o frio crescente dentro da nave e para a certeza de que a etapa final do retorno exigirá de uma estrutura ferida pela explosão mais do que ela talvez consiga dar. Um filtro, um cabo, um cálculo ou alguns minutos de eletricidade passam a ter peso imediato.

“Apollo 13” sustenta o interesse porque liga o raciocínio técnico a um risco concreto. O perigo de um ângulo errado na reentrada, capaz de incendiar a nave ou lançá-la de volta ao espaço, paira desde cedo sobre a tripulação e sobre Houston. Howard prefere mostrar homens exaustos, presos a instrumentos, metal e procedimento, enquanto a Terra continua do outro lado das janelas.


Filme: Apollo 13
Diretor: Ron Howard
Ano: 1995
Gênero: Aventura/Drama/História
Avaliação: 4.5/5 1 1
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