Pode-se pensar que “Sinta a Minha Voz” é mais um dos tantos filmes sobre universos que seguem determinada ordem, pautados pelo amor e pela união entre pessoas que se querem bem, ainda que haja uma diferença que pode por tudo a perder. O filme do italiano Luca Ribuoli fala disso, mas fala também de sonho, de tolerância, de emoções à flor da pele, de amor, sem ser totalmente original e, mesmo assim, fugindo do clichê. Ribuoli subverte a perspectiva acerca do que pode resultar dessa história, conferindo a cada um dos tipos que compõem seu enredo um modo novo de entender que mensagem se quer transmitir. “Mensagem” é, aliás, a palavra certa para se falar de uma trama em que a comunicação anda lado a lado com o sentimento. A começar pelo título.
Fórmula imbatível
Livremente adaptado do francês “A Família Bélier” (2014), dirigido por Eric Lartigau, Ribuoli e a corroteirista Cristiana Farina voltam a outras produções que registraram a surdez como impedimento, em maior ou menor nível, quanto a se obter um cenário harmonioso, ou sua aparição repentina sob a forma de um desafio quase inexpugnável, e tanto pior quando se depende da audição perfeita para se conquistar o pão de cada dia. Se em “A Família Bélier” quase todos os atores são ouvintes, em “Sinta a Minha Voz” acontece o inverso: a cantora Sarah Toscano é a única pessoa não surda num elenco afinado, e se sai bem até em cenas difíceis. Eletta Musso é uma moça como tantas outras de Monferrato, no Piemonte italiano, a não ser por um detalhe: naquele mundinho, ela é a estranha por poder ouvir. Ribuoli destaca a bela voz de Toscano, sem se esquecer do coração da trama.

