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“Toy Story” é o primeiro longa-metragem inteiramente animado por computador. Talvez você saiba disso, talvez não. Eu era uma criança quando ele foi lançado, em 1995. Não me pegou à época, embora tenha feito um sucesso surreal que mudou o destino da Pixar, uma jovem empresa financiada por Steve Jobs.

A Pixar nasceu de um departamento da Lucasfilm especializado em desenvolver tecnologias de computação gráfica para o cinema. Em 1986, o grupo se desvinculou da empresa de George Lucas e se tornou independente, com Ed Catmull e Alvy Ray Smith à frente e o financiamento de Steve Jobs.

John Lasseter era um dos funcionários que trabalhavam na Lucasfilm e havia estudado animação no California Institute of the Arts, na Califórnia, antes de trabalhar na Disney. Após vários experimentos em curtas, a Pixar apresentou à Disney a proposta de um longa-metragem. Era “Toy Story”, uma história sobre um brinquedo ciumento que veria seu dono trocá-lo por outro mais tecnológico.

No entanto, a primeira apresentação do que seria o filme foi um fracasso. A Disney rejeitou a forma como Woody havia sido construído, e a equipe precisou reformular os personagens e a história. Com um ciúme mais compreensível, Woody poderia conquistar a simpatia do público sem parecer alguém tão odiável.

Um novo favorito no quarto

No enredo, Woody é o boneco favorito de Andy, um garotinho alto-astral e imaginativo que adora criar brincadeiras únicas em seu quarto. Os brinquedos sentem uma magia singular quando são recrutados para as brincadeiras de Andy. No entanto, todos se preocupam quando o aniversário do garotinho chega e a possibilidade de serem substituídos por novos brinquedos se torna palpável.

Woody tenta tranquilizar o bando, formado principalmente por Rex, Cabeça de Batata, Slinky, Betty e Porcão. No entanto, quem menos espera ser substituído acaba sendo jogado para fora da cama para que outro ocupe seu lugar. É Buzz Lightyear, um patrulheiro espacial com luz de laser no braço, asas que se abrem e botões que reproduzem falas. Woody é um brinquedo à moda antiga, com uma cordinha que aciona suas frases.

Após tentar tirar Buzz de seu caminho e acabar fazendo o rival cair pela janela do quarto de Andy, Woody precisa resgatar o novo brinquedo para provar para a turma que não é tão mau assim.

Woody tem falhas e qualidades. Consegue ser bom e ruim ao mesmo tempo, enquanto Buzz é ingênuo e tem mania de grandeza. Ele realmente acredita ser um patrulheiro espacial e não admite que não passa de um brinquedo. A aventura faz com que ambos vão parar na casa do vizinho, Sid, um garoto que adora explodir brinquedos e desmontá-los para criar, com suas partes, novas criaturas monstruosas.

A aparência engana

O risco de Woody e Buzz serem destruídos nas mãos de Sid é real, e eles só vão conseguir se salvar se permanecerem unidos. Mas, para a surpresa de Woody, os brinquedos monstruosos do garoto se tornam aliados. Com a ajuda deles, o caubói elabora um plano que dá à dupla uma chance real de sair de lá e retornar ao quarto de Andy.

O filme mostra como Woody, um brinquedo antigo e conservador, pode ser invejoso e maquiavélico, enquanto os brinquedos monstruosos de Sid são altruístas e generosos. A lição é nunca vincular caráter à aparência. Woody, como protagonista, é o mocinho da história, mas tem falhas de caráter como qualquer um. Essa humanização torna toda a história muito mais sensível, engraçada e delicada. A atenção de um menino se torna o centro de toda a narrativa sobre infância, amizade, coletivismo e lealdade.

Um favorito que veio com meu filho

Embora não tenha sido um dos meus filmes favoritos da infância, virou o filme favorito do meu filho e, consequentemente, um dos meus como adulta. Realizado com um orçamento de 30 milhões de dólares, o filme arrecadou centenas de milhões nas bilheterias e abriu caminho para que a Pixar se tornasse uma das maiores produtoras de animação do cinema.

Se você ainda não reviu esse clássico da infância, vai lá no Disney+ e reveja. Vale muito a pena.


Filme: Toy Story
Diretor: John Lasseter
Ano: 1995
Gênero: Animação/Aventura/Família/Fantasia
Avaliação: 4.5/5 1 1
Fer Kalaoun

Fer Kalaoun é editora na Revista Bula e repórter especializada em jornalismo cultural, audiovisual e político desde 2014. Estudante de História no Instituto Federal de Goiás (IFG), traz uma perspectiva crítica e contextualizada aos seus textos. Já passou por grandes veículos de comunicação de Goiás, incluindo Rádio CBN, Jornal O Popular, Jornal Opção e Rádio Sagres, onde apresentou o quadro Cinemateca Sagres.

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