Ensaios

Viagem à volta do meu criado-mudo

Viagem à volta do meu criado-mudo

Do alto das minhas pilhas de livros, trinta e nove anos de leituras atrasadas me contemplam. Os montes inexplorados — meus himalaias particulares — me fitam e eu, planejando viver mais oitenta e cinco invernos, peço calma a eles e paciência aos deuses para com este humilde pecador. Meu motor de explosão necessita de livros como carburante, o que me levou a juntá-los desde criança. Creio modestamente que tenho sido bem-sucedido nesta faina — síndrome de Diógenes literária — de acumulação: diariamente verifico as novidades e faço as minhas compras.

Woody Allen deveria filmar também em Lisboa

Woody Allen deveria filmar também em Lisboa

Já me disseram que há um ditado que nos lembra que conhecer o mundo sem ir a Sintra não seria verdadeiramente conhecer o mundo. Bem, não há como discordar, mas acredito que pecado maior talvez seja ir a Lisboa e não ouvir fado. O fado tem, como todos os tipos de música, seus mistérios: por exemplo, não há concordância sequer em relação a sua origem. Para alguns, ele vem da música dos invasores árabes; para outros, ele descende dos cantos dos trovadores; há ainda quem o queira fruto das canções dos marinheiros portugueses que correram o mundo.