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ensaios
Mercado global das letras
27/06/2009 | Por
Enio Vieira
em
ensaios
A produção que chega ao Brasil é filtrada por grandes casas editoriais. Quase nada que vem para cá é trazido diretamente de países africanos, asiáticos e sul-americanos. Trata-se, portanto, de uma mega-mercado global de best sellers que reúne desde um Philip Roth, um José Saramago, um J.M. Coetzee, passando até por um Thomas Bernhard...
Rimbaud, o mito permanente
12/06/2009 | Por
Túlio Moreira Rocha
em
ensaios
Se vivesse nos dias de hoje, Rimbaud seria bombardeado pela mídia e perseguido pela opinião pública, tal qual uma Amy Winehouse. Rimbaud destacou-se pela precocidade e pelo estilo visionário de sua poesia. Lembrado pela escrita agressiva e surtada, pela vida boêmia e por seu relacionamento conturbado com Paul Verlaine...
Meandros da política café-com-leite
15/05/2009 | Por
J. C. Guimarães
em
ensaios
Uma das fórmulas políticas mais conhecidas na história do Brasil foi a denominada “política café-com-leite”, que prevaleceu na Primeira República entre 1902 e 1930, alternando na presidência do país os representantes dos dois Estados mais importantes da União, desde aquela época: São Paulo e Minas Gerais. Uma leitura mais acurada do período revela que o jogo sucessório das oligarquias nacionais foi, no entanto, bem mais complexo do que normalmente se imagina, para um país sem nenhuma tradição democrática...
O olhar perplexo de Chico Buarque
15/05/2009 | Por
Enio Vieira
em
ensaios
Chico Buarque transita no fio da navalha da indústria cultural e a grande arte. Seja na música, seja na escrita, ele insiste em antecipar movimentos. O compositor dos anos 1960 catalisou o clima de “respiração artificial” no período mais duro dos militares. Foi o intelectual engajado que, com meias palavras, atingia em cheio os comandantes do regime...
Senhores das letras
13/04/2009 | Por
Enio Vieira
em
ensaios
A literatura brasileira é feita por escritores que falam muito de si e assumem a missão de representar o outro iletrado. É um fardo para quem acha que nasceu para guiar a nação. O outro fala muito pouco, quase nada escreve. Em seus melhores momentos, esse narrador à brasileira problematiza a relação dos poucos que possuem todas as letras com os muitos que tiveram escassas palavras...
Os Nazistas estão de volta
06/04/2009 | Por
Halley Margon V. Jr
em
ensaios
No dia 20 de julho de 1944 uma tentativa de matar Hitler é levada a cabo numa conspiração de oficiais do exército alemão – assunto de que trata a mais recente produção cinematográfica do astro Tom Cruise, “Operação Valquíria”. Suponhamos que naquele momento a Wehrmacht estivesse em ofensiva vitoriosa contra as forças aliadas. Apenas suponhamos...
O evangelho segundo Godard
06/04/2009 | Por
Ademir Luiz
em
ensaios
Jean-Luc Godard não têm fãs. Têm estudiosos. É como Hegel ou Kant, que não têm leitores, têm eruditos especializados. Ninguém lê “Fenomenologia do Espírito” ou “Crítica da Razão Pura” para matar tempo em uma tarde chuvosa. O mesmo acontece com alguns filmes de Godard, como “O Desprezo” (Le Mépris). Nem sempre foi assim. Assisti-lo já foi moda obrigatória entre os jovens que se consideraram politizados. O que incluía multidões e mais multidões nos anos de 1960. Hoje, tudo mudou. Via de regra, é preciso razões acadêmicas, profissionais ou gosto pela cinefilia para alguém se dispor a vê-los. Ao mesmo tempo, ninguém nega a importância da obra de Godard...
A origem social de Bentinho
30/03/2009 | Por
J. C. Guimarães
em
ensaios
É consabido que o texto de Machado de Assis, a despeito de sua inesgotável qualidade puramente estética, presta-se muito bem a múltiplas interpretações. Se se trata de identificar a “função primordial” de um romance, pode-se concluir que certas abordagens não correspondem ao seu objetivo maior, e nem seria o caso. Devemos ler sobretudo para nos deleitar com a linguagem, que é a via de acesso à psicologia dos personagens...
O efeito Bloom
23/03/2009 | Por
Enio Vieira
em
ensaios
O ano de 1994 marcou o início da disseminação, no Brasil, das idéias do crítico literário Harold Bloom. O entusiasmo por este scholar norte-americano restringe-se aos meios de comunicação que lhe dedicam páginas e páginas a cada novo lançamento. No ambiente universitário, as obras dele têm circulação bem restrita e dividem espaço com outros estudiosos de literatura. Trata-se, portanto, de um fenômeno predominantemente midiático. E é curioso buscar as razões para um estudioso complexo de literatura inglesa do começo do século XIX cair no gosto de divulgadores culturais, em um país periférico de língua portuguesa...
Lula no país do ornitorrinco
15/03/2009 | Por
Enio Vieira
em
ensaios
Diziam os ilustrados de então e de até pouco tempo atrás: basta deixar o sonho tropical de um país do futuro e assumir a condição de um satélite de países desenvolvidos. Resultado: um país com bancos entre os mais avançados e o quarto lugar no ranking mundial de homicídios...
Justiça a Harold Bloom
15/03/2009 | Por
J. C. Guimarães
em
ensaios
Já li toda a espécie de malhação para cima de Harold Bloom. Muitos de seus críticos desconfiam de suas análises e de sua qualidade. Podemos até discordar do formalismo do crítico norte-americano, mas não dá pra dizer que o cara seja rasteiro, desinformado ou mal intencionado...
Adições e subtrações
02/03/2009 | Por
J. C. Guimarães
em
ensaios
Alguns críticos de importância demonstraram a influência de Machado de Assis sobre Graciliano Ramos. Há um nítido jogo especular presidindo a construção de “São Bernardo” em relação a “Dom Casmurro”: obras parecidas, partilham a estrutura narrativa semelhante, a natureza memoralística, aspectos dramáticos e o tema do ciume...
Campos de Carvalho: A vingança do ícone iconoclasta
02/03/2009 | Por
Nelson de Oliveira e Sinvaldo Júnior
em
ensaios
Campos de Carvalho não está mais entre nós, mas está com a bola toda. O último satanista da literatura brasileira (foi assim que ele se definiu certa vez) está virando um ícone contemporâneo. Um ícone iconoclasta. Seus principais romances, depois de muito tempo esquecidos, foram relançados com sucesso em meados dos anos 90, num volume único intitulado “Obra Reunida”. Agora eles voltaram a ser publicados também separadamente, e dois foram recentemente adaptados para o palco, com igual sucesso. Nada mal para esses livros irreverentes e inquietantes, às vezes ranzinzas e antipáticos — como dizem que seu autor costumava ser —, escritos há mais de quarenta anos. Vamos aos fatos, aos boatos, às anedotas...
O mercado é mesmo gozado
16/02/2009 | Por
Enio Vieira
em
ensaios
A obscenidade de hoje não serve para nada em termos políticos. Foi deglutida pelo mercado. Desaparece o espírito de Pasolini. Programas humorísticos da televisão ridicularizam os pobres, as mulheres loiras e os homens afeminados. Filmes pornôs tornam-se objeto de estudo e culto acadêmico...
John Updike é o Balzac da classe média americana
02/02/2009 | Por
Euler de França Belém
em
ensaios
O escritor norte-americano John Updike era um polímata, mas, curiosamente, não acadêmico. É possível compará-lo ao crítico americano Edmund Wilson. O autor de "Rumo à Estação Finlândia" e responsável por firmar a reputação de Scott Fitzgerald (cuja prosa o surpreendia) e Ernest Hemingway (notando, com perspicácia, que era filho da prosa enxuta de Abraham Lincoln, Mark Twain e dos manuais de redação de jornais. Updike queria compreender criticamente, mas não destruir, não era um revolucionário. Era "apenas" um escritor...
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Educação não é missão
O “discurso missionário” é tão forte que basta observar o resultado de concursos do tipo “Professor do Ano” ou “Professor Nota 10”. Não raras vezes os vencedores são profissionais pouco preparados. Pessoas que mal sabem ler, mas ensinam a ler...
Por Ademir Luiz
A inconsistência de Ser
“Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer?”. Assim escreveu Clarice Lispector, que dizia prescindir da realidade, porque tudo se pode ter, através do pensamento...
Por Brasigois Felício
O duelo atrapalhado
Não sei quem são seus sócios, nem onde arrumou grana, mas não é de ver que o tal boteco ficou a fina flor de ajeitado? Paredes de pau a pique, telha de zinco, um balcão oval com tamboretinhos redondos...
Por Edival Lourenço
O morto não presta
A sala estava repleta de gente, pessoas conhecidas, rostos estranhos também, e mais aquele vereador que nunca faltava a um velório sequer...
Por Eberth Vêncio
Uma nova doença
Quem primeiro falou sobre Aids em Goiás, que eu me lembre, foi o escritor e dentista Carmo Bernardes, numa crônica no Diário da Manhã, no final de 1980 ou início de 1981...
Por Helverton Baiano
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