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conto
Um cão de lata ao rabo
06/06/2009 | Por
Edival Lourenço
em
conto
Foi com esse ânimo exaltado e justificadamente confiante que Gengis Khan chegou aos portões da cidade de Pequim. Com seus generais a postos, com os soldados aprumados em seus ginetes empinadiços, com as armas adequadas em punho, com seus pesados aríetes prontos para arrombar os portões e ver a tropa entrando e quebrando tudo...
Conjecturas em torno do cadáver
09/03/2009 | Por
Valdivino Braz
em
conto
Mirei o peito broncopeludo do meu coronel, ele com a visão e a truculência características da caserna, tanto na disciplina de comandantes e comandados quanto em suas vidas privadas, com as garras aduncas de suas carícias e o jeitão brucutu de seus amplexos e acochos, peito com peito, coxa com coxa, saliência com reentrância e assim a fome com a vontade animalesca da querência. Vida e morte cabeludas, seu Severino...
Imperador de papel
16/02/2009 | Por
Menalton Braff
em
conto
Como a descoberta tardia de uma vocação. Ou a descoberta tardia de uma vocação. Talvez o encontro, finalmente, de um si mesmo em potência, latente, que, latejante, vem a furo. Um ser tem escolha de si, do modo como será? Ninguém nasce pronto, forma acabada, mas por isso tem poder de escolha?...
Ciúmes, Viagra e tiros dentro da noite
10/12/2008 | Por
Edival Lourenço
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conto
A frase mais emblemática que ele proferiu em sua própria defesa foi: "Se minha intenção fosse matar, teriam morrido muito mais de 111", que tem 11 palavras. Além do cabalismo numerológico, essa frase deixa transparecer a opressão da força maior a que fora submetido na realização de seu desatino...
Abundância de estrelas no céu
08/12/2008 | Por
Menalton Braff
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conto
Seus duros pés fincados na plataforma cresciam dormentes de espera. Envolto pela multidão, era quase impossível mover-se do lugar. O reflexo do Sol a meio céu borrava com esplendores, para olhos cansados de ver como eram os seus, o letreiro dos ônibus - o destino que prometiam...
Na janela do velho sobrado
08/12/2008 | Por
Menalton Braff
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conto
Acordou com a explosão na boca e tentou ficar na cama por causa do frio. As vistas viam as estrelas do esforço e mais nada antes de se acostumarem à escuridão do quarto, onde penetrava apenas uma claridade baça através das fasquias da veneziana...
Magrinha
01/12/2008 | Por
Antônio José de Moura
em
conto
Há seis dias o general Zarastru assumiu o governo da República, abocando sua parte de leão no acordo previamente selado com o diminuto e misterioso comando da ditadura de revezamento de generais no poder...
O que é que a banana tem?
01/12/2008 | Por
Helverton Baiano
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conto
O desejo de Míster Fortes era ser todinho uma bananeira. Todos ali ficavam encabulados com isso e não se satisfaziam apenas com o dito de que "toda livuzia tinha sua mania". A cidade comportaria tranquilamente esse tresvariamento, se Míster Fortes não fosse à TV anunciar seu desejo inusitado...
Toshiko Shinai, a bela samurai nos quilombos de Goiás
24/11/2008 | Por
Antônio Carlos
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conto
1945. A segunda grande guerra que varreu o Planeta acabara de terminar, deixando um rastro de milhões de mortos. De São Paulo, cinqüenta famílias japonesas pertencentes à Seita Shindo Renmei - Liga do Caminho dos Súditos, resolveram fugir para o interior de Goiás...
Na esquina, perto do fim do mundo
24/11/2008 | Por
Gil Perini
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conto
Da vida não me arrependo, eu a dediquei a uma causa. Os meus detratores falam em fanatismo, quando não em loucura; esquecem-se de que são como eu e que lutam por causas deploráveis. Ficaria envergonhado se gastasse a minha vida em busca de dinheiro, ambição que reprovo...
A dinastia
17/11/2008 | Por
Edival Lourenço
em
conto
Dava gosto vê-los trabalhar. Ao nascer do sol, puxado pelo pai, seu Adão, o grupo de nove chegava ao pé do eito como quem chega para um espetáculo de dança ou ritual de fé. Um ao lado do outro, por ordem de idade e tamanho, ferramenta no ombro esquerdo...
Paisagem do pequeno rei
17/11/2008 | Por
Menalton Braff
em
conto
Mastigando ainda restos do desjejum, sem pensamento nenhum em sua cabeça, Juninho levantou-se da mesa e grudou a testa no vitrô fechado: seu modo de espiar aquele mundo que se mantinha escondido por trás das paredes. Pela boca aberta em cilindro, divertiu-se algum tempo expelindo o bafo quente com que embaçou pequeno círculo na vidraça transparente...
Os desatinos de um nome
10/11/2008 | Por
Edival Lourenço
em
conto
Antes mesmo de nascer, o pai determinou: se for menina vai se chamar Desdêmona...
A morte exata do crítico medidor
03/11/2008 | Por
Lauro Marques
em
conto
Em seu escritório atapetado, cercado de livros por todos os lados, o crítico avaliava, com régua métrica, calibrada...
O estranho
27/10/2008 | Por
Edival Lourenço
em
conto
Não dormiu por toda a noite. Ou pelo menos teve a sensação de não haver dormido. Fora tomado de sensações estranhas. Tudo começou com uma noção equivocada de desnível. De todo jeito que deitava, mesmo que com a cabeça apoiada numa pilha de travesseiros, Cairo se achava de cabeça pra baixo...
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Educação não é missão
O “discurso missionário” é tão forte que basta observar o resultado de concursos do tipo “Professor do Ano” ou “Professor Nota 10”. Não raras vezes os vencedores são profissionais pouco preparados. Pessoas que mal sabem ler, mas ensinam a ler...
Por Ademir Luiz
A inconsistência de Ser
“Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer?”. Assim escreveu Clarice Lispector, que dizia prescindir da realidade, porque tudo se pode ter, através do pensamento...
Por Brasigois Felício
O duelo atrapalhado
Não sei quem são seus sócios, nem onde arrumou grana, mas não é de ver que o tal boteco ficou a fina flor de ajeitado? Paredes de pau a pique, telha de zinco, um balcão oval com tamboretinhos redondos...
Por Edival Lourenço
O morto não presta
A sala estava repleta de gente, pessoas conhecidas, rostos estranhos também, e mais aquele vereador que nunca faltava a um velório sequer...
Por Eberth Vêncio
Uma nova doença
Quem primeiro falou sobre Aids em Goiás, que eu me lembre, foi o escritor e dentista Carmo Bernardes, numa crônica no Diário da Manhã, no final de 1980 ou início de 1981...
Por Helverton Baiano
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