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POR EM 17/12/2009 ÀS 10:49 AM

Vou-me Embora pra Brasília

publicado em



Vou-me embora pra BrasíliaJosé Roberto Arruda

Lá sou amigo do Arruda

Lá tenho a muamba que eu quero

Na meia na pasta na sunga

 

Vou-me embora pra Brasília

Vou-me embora pra Brasília

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconsequente

Que a Justiça cega surda fanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser conivente

Da esbórnia que nunca tive

 

E como farei trambiques

Esconderei em gabinetes

Darei suborno brabo

Fuçarei da Esplanada

Até o Lago Paranoá!

E quando estiver cansado

Reúno comparsas de brio

Mando chamar Jesus

Pra lhe contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Mamãe me ensinava a rezar

Vou-me embora pra Brasília

 

Em Brasília tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De tapar a corrupção

Tem gravação automática

Tem debiloide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar

 

E quando eu estiver rico

Mas rico de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me mandar

— Lá sou amigo do Arruda —

Terei a muamba que eu quero

Na meia na pasta na sunga


Vou-me embora pra Brasília

 

Vou-me Embora pra Pasárgada
Manuel Bandeira

 

Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

 

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive

 

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d'água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada

 

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar

 

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei


Vou-me embora pra Pasárgada.

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Comentários (1)

  • Belo poema.

    2 anos atrás por Ademir


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