Lição de casa com auto-retrato
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Sou
um brigão
brincalhão,
por isso mesmo
"perigoso".
Não tolero
adversário
melindroso,
que não agüenta
uma indireta
verbal.
Imagine
se lhe acerto
uma direta
fatal.
Ele se
desconjunta
no chão,
com a sua cara
de chorão.
Eu,
cá com os meus
brinquedos,
se me quebro,
cato meus cacos,
passo iodo,
remendo-me
com esparadrapo;
me recomponho
e me ponho
de novo no palco
da contendas.
Eu
Sou
Eu
Ego sum
qui sum,
e não sou
nenhum
Deus.
São meus
os esfolados
joelhos
dos caídos
e levantados,
que sempre me levanto
com o sol
que se põe.
Olha
nos meus
olhos:
as minhas
meninas
dos olhos
brincam
com o menino
ainda
em mim
(tanto assim, que não morri).
A vida
foi que me fez
assim,
o que sou
de mim.
Aprenda-se
comigo,
que me aprendo
com a vida,
e não me
arrependo
de mim,
senão quando
fujo-me,
cão sabujo,
e me escondo
nos escombros
da briga
em que
eu mesmo
me bati.
Contudo,
enfrento-me.
Contundo-me
no confronto
comigo
mesmo.
Me expurgo
e descubro
o vezo
inimigo
que me quebra:
o ego.
Valdevinos,
perdulário,
estróina,
doidivanas,
vagabundo,
como se lê
no dicionário.
Um retrato
em preto
e branco
do meu
esqueleto.
Colorido,
tenho de meu
o espírito
extrovertido.
Sou amado,
odiado,
conforme seja
o bom sentido
ou verde inveja
do mau-olhado,
olho gordo
e virago,
de olho
nos meus
troféus.
Inimigos
meus
ficam aí
no ora-veja,
chovendo
no molhado
e se roendo
por dentro.
Eu bebo,
comigo
e meus amigos,
a sinceridade
da boa cerveja
na mesa
da amizade.
À beira
do perigo,
no abismo
do ego,
persigo-me
como quem
persegue
a égua
do inimigo.
A melhor
briga,
a briga
que me
obriga
pra valer,
é só comigo.
A saber,
ao fim,
o que há
de pior
e de melhor
em mim.
Quero
o melhor
pra mim,
a parte inteira
de mim,
depurada
do que há
de ruim,
e assim
me repartir
com a vida.






