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POR EM 21/04/2010 ÀS 03:20 PM

Pauta de esquerda trava entrevista de general

publicado em

Geneton Moraes Neto e o general Leonidas Pires GonçalvesGeneton Moraes Neto é um entrevistador nada ortodoxo. Mas não conseguiu arrancar grandes confissões do general Leonidas Pires Gonçalves, de 89 anos, ministro do Exército no governo de José Sarney, na entrevista concedida ao canal Globo News. A ênfase do militar não o intimidou, mas a maioria das perguntas do jornalista parecia escrita por um militante da esquerda. Quando Geneton inquiriu sobre torturas e mortes de esquerdistas, Leonidas citou as mortes de inocentes, civis e militares, mas o jornalista não se interessou pelo assunto. O que é espantoso, pois, perspicaz, Geneton poderia ter obtido alguma informação nova a respeito. Não aproveitou a “deixa”, digamos assim. Porque só estava interessado nos mortos da esquerda. A esquerda também matou, e não necessariamente em confronto. O caso de Márcio Toledo Leite, não citado pelo general e por Geneton, é exemplar. Integrante da Ação Libertadora Nacional (ALN), Márcio comunicou aos aliados que iria abandonar a guerrilha, mas não sairia do Brasil. Apresentado como “traidor”, sem ter traído ninguém, Márcio foi assassinado pelos companheiros, liderados por Carlos Eugênio Sarmento da Paz, o Clemente. A confissão é do próprio Carlos Eugênio, hoje músico no Rio de Janeiro, nas memórias “Viagem à Luta Armada” (Civilização Brasileira, 228 páginas, 1996). O esquerdista Toledo Leite é outro Herzog, mas, como foi executado pela esquerda, Geneton e outros intelectuais de esquerda evitam citá-lo. 

A entrevista, anunciada com estardalhaço, não trouxe grandes revelações. Se tivesse consultado com mais atenção alguns livros, que poderiam subsidiá-lo na elaboração da pauta, Geneton certamente teria contribuído, de modo mais decisivo, para elucidar algumas questões nebulosas. Teve uma chance rara, mas não a aproveitou muito bem. Porque, como a maioria dos jornalistas, tratou o general Leonidas com preconceito. Não estou defendendo que deveria tratá-lo como servo, sem contestá-lo, e sim que deveria ter aproveitado a oportunidade para uma entrevista mais rica em informações inéditas. 

A grande “revelação” da entrevista diz respeito a Manoel Jover Teles, o Rui, integrante do PC do B, que entregou a cúpula do partido em 1976. Com as informações, militares e policiais civis, como o delegado Sérgio Paranhos Fleury, invadiram um aparelho dos comunistas, na Lapa (SP), e mataram os dirigentes Angelo Arroyo e Pedro Pomar. O episódio ficou conhecido como Massacre da Lapa. A história nada tem de nova e está publicada nos livros de Jacob Gorender, “Combate nas Trevas” (Ática, 296 páginas, 1998), Pedro Estevam da Rocha Pomar, “Massacre na Lapa — Como o Exército Liquidou o Comitê Central do PC do B” (Perseu Abramo, 200 páginas, 2006) e Elio Gaspari, “A Ditadura Encurralada” (Companhia das Letras, 525 páginas, 2004). A novidade é a confissão de Leonidas de que pagou 150 mil cruzeiros para Jover (que, depois, foi morar em Arroio dos Ratos). “A idéia foi minha [de pagar Jover]. Fui adido militar na Colômbia. Aprendi que, lá, eles compravam todos os subversivos com dinheiro. Deu o dia e a hora, por 150 mil, entregues à filha dele, em Porto Alegre”, conta Leonidas. A filha de Jover ganhou um emprego na Amadeo Rossi, fábrica de armas do Sul. Leonidas revela que não havia uma caixinha: “Que caixinha que nada! Um serviço de informações tem verba oficial para cumprir missão”. 

Geneton não parece bem informado sobre o Massacre da Lapa, pois, quando Leonidas disse que os militares foram recebidos a bala no aparelho comunista, não esboçou nenhuma contestação. Há indícios de que Pomar e Arroyo e Drummond não tiveram tempo para reagir. “Arroyo foi atingido no peito ao sair do banheiro. Pedro Pomar morreu em seguida. (...) Pomar e Arroyo estavam desarmados”, relata Gaspari. 

Os Anos de Chumbo — A Memória Militar Sobre a RepressãoSe tivesse consultado o livro “Os Anos de Chumbo — A Memória Militar Sobre a Repressão” (Relume Dumará, 326 páginas, 1994), organizado pelos professores universitários Celso Castro, Gláucio Ary Dillon Soares e Maria Celina D’Araujo, da Fundação Getúlio Vargas, Geneton poderia ter perguntado sobre outro delator, “Venceslau”. Leonidas relatou a Gláucio Soares e Maria Celina: “Temos o caso do Venceslau, um rapaz que era comunista e se passou para nós. Esse homem chegou no Quartel-General, no Rio, apresentou-se voluntariamente, dizendo que não aguentava mais aquela mentira em que vivia. E foi um dos grandes colaboradores que tivemos depois. Estava louco para ter a sua vida legalizada. Ele estagiou na Rússia, na China, em Cuba. (...) E passou a colaborar conosco. O [general] Reinaldo gostava à beça desse Venceslau. E ele ainda disse: ‘Quanta gente nós mandamos matar porque os caras queriam ir embora... Entrou, não sai mais’. (...) O Venceslau era do PCB. (...) E nos contou cada coisa que ficávamos horrorizados: ‘Fulano é um comunista muito engraçado. Como ele tem duas famílias, o Partido lhe dá dois ordenados’. Eu digo: ‘Que lugarzão bom esse de vocês’”. 

Sobre a morte do jornalista Vladimir Herzog, da TV Cultura, Leonidas repete o que disse à doutora em ciência política Maria Celina e ao PhD em sociologia Gláucio Soares no livro “A Volta aos Quarteis — A Memória Militar Sobre a Abertura” (Relume Dumará, 328 páginas, 1994). Concedida há 18 anos, a entrevista tem 16 páginas e é mais completa, pelo menos no caso Herzog, do que a entrevista dada a Geneton. A tese do general não mudou: Herzog teria se matado nas dependências do II Exército, em São Paulo. 

Na versão de Leonidas, o general Ednardo D’Avila Mello, comandante do II Exército, “jamais faria uma coisas daquelas [matar Herzog], nem jamais daria ordem para fazer nada do que lhe foi atribuído”. Entretanto, Leonidas acrescenta uma informação que não repete na entrevista a Geneton: “O que deve ter acontecido é muito simples: algumas daquelas coisas [torturas e mortes de prisioneiros] podem ter sido feitas na calada da noite por um pequeno grupo que não deixava esses fatos vazarem. A coisa é mais simples do que a gente pensa”. Implicitamente, ainda que esteja falando de modo genérico, o general admite que Herzog pode ter sido morto por gente do chamado porão, agindo sem autorização da cúpula. 

A Ditadura EncurraladaEm seguida, Leonidas volta especificamente ao caso Herzog e à tese do suicídio — que, tudo indica, não é verdadeira. Herzog foi barbaramente torturado, seu coração “explodiu” e aí inventaram que havia se enforcado. Testemunhos sugerem que morreu sob tortura. A tese do general, contada aos dois estudiosos da Fundação Getúlio Vargas: “Acho que [Herzog] é um suicida. Era um homem completamente despreparado para a subversão. Era um moço daquela raça estranha, metido a jornalista, e achou bonito ajudar a esquerda. (...) Quando esse rapaz morreu, mandei a São Paulo meu sobrinho, que era um moço brilhante e pessoa de minha confiança. (...) Ele voltou e disse: ‘Tio, ninguém o matou’. Então, até hoje, uso essa argumentação, porque jamais admitiria que o meu sobrinho me dissesse uma coisa diferente da realidade”. Em seguida, como se em dúvida, o general acrescenta: “Agora, só Deus sabe o que aconteceu”. (Estranha-se o fato de os pesquisadores da FGV não terem apontado que o general manifesta um comportamento racista ao chamar os judeus de “raça estranha”. Herzog era judeu.) 

A versão apresentada por Gaspari: “Segundo a comunicação feita pelo comandante do DOI, a tira de pano era a ‘cinta do macacão que [Herzog] usava’. Os macacões do DOI não tinham cinto. Herzog teria se enforcado amarrando o nó na primeira barra da grade, a 1,63m do piso, e ficara sem espaço para que seu corpo pendesse. Tinha os pés no chão e as pernas curvadas. Suicídios desse tipo são possíveis, porém raros”. Geneton, não se sabe por quê, não usou a informação para confrontar Leonidas. 

Ouvido pelos pesquisadores da FGV, em 1992, o general Ivan de Souza Mendes disse sobre o suposto suicídio de Herzog: “Até hoje tenho dúvida. (...) Tenho dúvida, mas também não digo formalmente que o suicídio do Herzog é mentira”. No lugar de ter se enforcado, pode ter sido “enforcado”, sugere o general. 

O general Octávio Costa, em entrevista aos pesquisadores Gláucio Soares e Maria Celina, diz acreditar que o general D’Avila Mello, comandante do II Exército quando foram mortos Herzog e o operário Manuel Fiel Filho, não sabia mesmo da tortura. Costa conta que D’Avila Mello estava envolvido com a elite paulista, com suas “fazendas luxuosas”, e se distanciou de seus comandados. “Acho que ele foi passado para trás, que não soube de muita coisa, mas que essa ignorância foi um pouco consequência de sua própria omissão.” Chefe ausente, D’Avila Mello deixou os “duros” controlarem o II Exército. Acabou “queimado” pela omissão continuada. 

Leonidas Pires Gonçalves diz que o presidente Castello Branco planejou pôr fim à ditadura na década de 1960  

Visões do Golpe — A Memória Militar Sobre 1964 A história da ditadura civil-militar (1964-1985) — o termo Revolução talvez não seja equivocado, mas não é aceito pela universidade — é contada, em geral, pela historiografia da esquerda. Os militares ganharam o poder, mas, depois do fim do regime, perderam a voz. Como foram muito atacados, não raro injustamente, decidiram ficar em silêncio. Entretanto, como começaram a distorcer a história, apresentando apenas um dos lados da questão — impedindo a construção de um painel mais amplo, que exige a exploração das contradições das forças em conflito —, os militares decidiram falar. Entre 1994 e 1995, três pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas, Celso Castro, Gláucio Ary Dillon Soares e Maria Celina D’Araujo, todos com doutorado e publicações relevantes, lançaram três livros com depoimentos de militares que participaram do golpe e dos governos militares. “Visões do Golpe — A Memória Militar Sobre 1964” (256 páginas), “Os Anos de Chumbo — A Memória Militar Sobre a Repressão” (326 páginas) e “A Volta aos Quartéis” (328 páginas), editados pela Relume Dumará, contêm entrevistas de expoentes do regime militar, como Gustavo Moraes Rego Reis, Octávio Costa, Carlos de Meira Mattos, Leonidas Pires Gonçalves, Ivan de Souza Mendes, Adyr Fiúza de Castro, Cyro Guedes Etchegoyen, José Luiz Coelho Netto, Enio dos Santos Pinheiro, Carlos Alberto da Fontoura, Antonio Bandeira, Deoclecio Lima de Siqueira, João Paulo Moreira Burnier e Gleuber Vieira. Linhas “dura” e “moderada” — correntes aliadas mas conflitantes; a primeira trabalhou para travar a Abertura e foi contida à força — foram igualmente contempladas. 

As obras são fundamentais àqueles que querem realmente conhecer o pensamento militar sobre o período. O leitor verá que os militares no geral não são estúpidos, muitos não são truculentos e não há um pensamento único. Os generais Gustavo Moraes Rego Reis e Adyr Fiúza de Castro, o primeiro da ala moderada e o segundo da ala dura, pensam de modos opostos. Assim como outros generais. Outro livro importante é “Memória Viva do Regime Militar” (Record, 391 páginas), do historiador Ronaldo Costa Couto, doutor pela Sorbonne. Costa Couto entrevistou civis, como Antonio Carlos Magalhães, Aureliano Chaves, Fernando Henrique Cardoso e Thales Ramalho, e militares, como Ernesto Geisel, João Figueiredo, Leonidas Pires Gonçalves e Newton Cruz (que nada tem de aloprado). Em virtude da recente entrevista de Leonidas Pires Gonçalves ao jornalista Geneton Moraes Neto, do Globo News, apresento, a seguir, trechos iniciais da entrevista do general a Gláucio Soares e Maria Celina. Somados, os quatro livros concederam 63 páginas ao chefe do Doi-Codi, indicado em 1974, e ministro do Exército no governo Sarney. 

O general Leonidas nem sempre é detalhista, mas sugere pistas e esclarece posições dos militares. O leitor não precisa concordar com suas ideias, mas deve pelo menos conhecê-las. Ele às vezes exagera, não raro ilumina pouco os fatos, mas, em regra, é de rara franqueza. 

No primeiro volume, Leonidas discute o golpe de 1964. O general sustenta que o general Castello Branco, primeiro presidente da ditadura, “era um legalista histórico. Nunca participou de nenhuma revolução. A primeira vez que participou de um movimento revolucionário foi em 64” (o leitor pode conferir a informação na excelente biografia “Castello — A Marcha Para a Ditadura”, do jornalista Lira Neto). “A Revolução de 64 foi trabalhada muito tempo por tenentes-coronéis, coronéis, entre os quais eu. Mas nós estávamos à procura de um líder. Porque o Exército tem restrições a tenentismos, que é a subversão da hierarquia. Por que nós estávamos esperando um Castello Branco para dirigir as coisas? Porque se quebrássemos a hierarquia tínhamos certeza que a revolução não seria estruturada, nem institucionalizada, e tampouco poderia surgir um ideário que a justificasse.” Coronéis que conspiraram, além de Leonidas: João Figueiredo, Newton Fontoura, Golbery do Couto e Silva, Newton Castello Branco Tavares (primo do presidente Castello Branco), Mário Andreazza. “Numa fase, eu trabalhava com o Newton e o Golbery, e nos reuníamos na casa do Newton, que morava no Leme. Nós fazíamos panfletos instigadores.” 

Os historiadores perguntam a Leonidas se as “ilhas de conspiração” não tinham “muita comunicação”, até chegarem a um golpismo organizado. “Eu não chamaria de ilhas”, anota o general. “Foram coisas espontâneas, mas subliminarmente, por baixo havia uma coisa comum. Depois houve uma direção geral. Há gente que diz que foram ilhas, mas não eram ilhas independentes.” O militar contesta a tese de que o golpe teve origem apenas na insatisfação militar: “A Revolução saiu sob pressão da sociedade civil”. Inquirido se havia contato com civis nas articulações para o golpe, Leonidas sustenta: “Muito. Mas o contato com os civis, engraçado, era mais em São Paulo. E quem tinha muito contato com os civis (...) era a equipe do general Costa e Silva. A equipe do general Castello era mesmo mais castrense”. A informação não deixa de ser curiosa, porque a imagem que se tem de Costa e Silva é de que era mais castrense do que Castello. 

Memória Viva do Regime MilitarGláucio Soares e Maria Celina dizem que “não havia uma hierarquia revolucionária ainda definida”, em 1964. Leonidas concorda: “Não havia. Tanto que a peça fundamental e final foi o general Castello. Quando o general Castello aceitou participar é que nós praticamente desencadeamos o movimento. Mas nesse momento a Revolução não tinha nem ideário. O ideário foi feito mais tarde. Um dos responsáveis pelo estabelecimento de um ideário, por escrito, foi o Meira Mattos. Não imaginei que o general Castello, quando fez a Revolução, tivesse qualquer pretensão ou ideia de ser presidente. Foi depois que a Revolução eclodiu que veio a ideia de fazê-lo presidente. (...) Foram os homens de visão política, inclusive Carlos Lacerda, que estava metido nisso todo o tempo, que empurraram o general Castello para ser o presidente. Ele teve aceitação imediata dos políticos. (...) O pessoal do Castello saiu pelo lado, desbordou e pegou a parte política”. 

Ao ser perguntado sobre “a orientação do governo militar vitorioso”, Leonidas resume: “Nós não tínhamos um ideário inicial. O que havia era um antiesquerdismo. (...) Foi o primeiro sentimento revolucionário”. 

“Logo depois do golpe, a ideia era fazer uma ‘operação limpeza’ e devolver logo o poder aos civis?”, perguntam Gláucio Soares e Maria Celina. “Era”, afirma o general. “(...) Essa era a ideia do general Castello. (...) O general Castello demorou a se acostumar a ser o presidente do regime revolucionário. Ele tinha o espírito democrático tão arraigado que demorou a aceitar isso. Dava a ideia de que queria que fosse o mais rápido possível.” 

Militares, como Leonidas, queriam aumentar o mandato de Castello Branco, mas o presidente não aceitou. “Ele [Castello] tinha aquela visão de estadista e devia ter ficado cinco anos para poder fazer um trabalho completo. E para fazer o que ele desejava: fazer o país retornar logo à democracia.” O general garante que muitos militares eram a favor da retirada imediata do poder, depois de Castello Branco, mas muitos eram favoráveis à permanência. “O poder é uma ambrosia. Quem experimenta fica realmente encantado com ele.” 

O general Costa e Silva, o segundo presidente militar, “não era”, segundo Leonidas, “o preferido do Castello. (...) A sua grande preferência era passar o governo já democratizado para um civil. Há quem diga que ele tinha dois candidatos: Bilac Pinto e outro que sempre foi um civil, que era o Juraci Magalhães. Juraci Magalhães de militar só tinha o título. (...) Tenho a impressão que era mais ainda o Bilac Pinto. Aquele entourage do Costa e Silva é que forçou. (...) O Exército sabia que o general Costa e Silva não era um homem que tivesse as especificações para assumir o quadro. Até porque já se sabia (...) que ele estava doente. (...) Aquela posse do general Costa e Silva foi feita mais pelos que o rodeavam. O panorama é sempre o mesmo: todo cometa, quando sobe, tem aquela turma toda pendurada na cauda. Havia os oportunistas e os radicais”. 

Como Costa e Silva não era homem de muitas luzes políticas, outros articulavam pelo presidente, conforme Leonidas. “[O general Jaime] Portela e [o coronel Mário] Andreazza eram os principais. O Andreazza com a cabeça e o Portela com a ação. O Portela não tinha a lucidez do Andreazza. Tanto que o Andreazza foi feito ministro, sendo tenente-coronel! Veja a influência que ele teve. Foi ele que mentalizou a coisa.” 

Os pesquisadores dizem a Leonidas: “Há quem diga que o grupo capitaneado por Portela tinha poder, e que o general Castello não quis dividir as Forças Armadas”. O general ratifica: “É a pura verdade. Não era o melhor grupo [o de Costa e Silva] do Exército”. Gláucio Soares e Maria Celina perguntam: “Existia mesmo esse poder?” O militar admite: “Existia, porque os medíocres se juntam”. 

Os militares “duros” avaliavam, segundo os entrevistadores, “que Costa e Silva não era ‘duro’ o bastante”. A resposta de Leonidas: “O problema da revolução é a enxurrada. Traz para cima gente que não merece. E esses homens, na falta de maiores qualificações, são duríssimos!” 

Os militares da “linha dura”, no dizer de Leonidas, “foram os homens da cauda do cometa. Por falta de outras qualificações, se intitularam ‘linha dura’”. O general diz que os militares “duros” comandaram os governos de Arthur da Costa e Silva e de Emilio Garrastazú Medici. 

Leonidas concorda quando os pesquisadores dizem que os anos de maior repressão, “de maior aperto”, ocorreram nos governos de Costa e Silva e de Medici. “Sabe que às vezes foi até por falta de uma visão mais lúcida.”

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Comentários (6)

  • Pior do que o panfletarismo da esquerda, é o direita, disfarçada de "Liberal". Venho notando como o sr. EULER DE FRANÇA BELÉM, preenche as páginas desse site com artigos sempre soltando farpas contra a esquerda, de todas as formas; parece que ele esquadrinha livro em busca de citações sobre a esquerda, e acaba desviando o rumo do site.

    2 semanas atrás por Cauim Ferreira
  • Para mim não importa a maneira como GMN conduz as suas entrevistas, desde que continue tirando dos entrevistados confissões incríveis e que fazem com que suas matérias sejam espetaculares. Grande Genenton.

    2 anos atrás por junior
  • Marco, eu não quis dizer, necessariamente, que Geneton Moraes Neto é esquerdista. É um dos mais notáveis entrevitadores. Você tem razão: é um dos maiores repórteres brasileiros, ao lado de Elio Gaspari.

    2 anos atrás por Euler de França Belém
  • Apesar do esquerdismo o Geneton Moraes Neto continua sendo o maior jornalista brasileiro vivo.

    2 anos atrás por Marco
  • Brasigóis, Newton Cruz concedeu uma entrevista muito mais serena ao Ronaldo Costa Couto.
    Na entrevista ao Geneton, retirando, como você disse, o aspecto hilário -- a faceta mais visível, Cruz insiste numa história explosiva: Paulo Maluf o teria procurado para matar Tancredo Neves. Maluf, segundo Cruz, acreditava que Cruz era matador. A história não é nova, mas Cruz a mantém, e na tevê. Acho que, bem explorado, Cruz pode render um livro revelador. Exatamente como o que o coronel Lício fez em parceria com o jornalista Luiz Maklouf Carvalho, "O Coronel Rompe o Silêncio". Este livro contém revelações sobre a Guerrilha do Araguaia. Um exemplo: quem debelou a guerrilha mesmo foi o coronel que matou Lamarca na Bahia.

    2 anos atrás por Euler de França Belém
  • O General Newton Cruz, na sua entrevista a Geneton Morais Neto, chega a ser hilário, por seu tom intempestivo. Como quando diz: "Muita gente buzinando carros ao mesmo tempo é como xingar a mãe em coletivo". No episódio em que saiu batendo com a varinha nos carros, irritou-se com o a frase dos manifestantes: "O povo, unido, jamais será vencido!". Ora, eu também sou povo, protestou Newton Cruz. Euler tem razão quando diz que Geneton perdeu uma boa chance de aclarar crimes mantidos na obscuridade pelas esquerdas - isto por terem sido cometidos por elas mesmas. Lutaram contra a ditadura muitos que, se tivessem vencido, seriam muito mais linhas duras do que os mais violentos dentre os torturadores e assassinos no poder naqueles anos ditos de chumbo. Geneton indagou se o SNI espionava militantes políticos. A resposta de Newton Cruz: e não espionava desde JK, e no tempo de João Goulart? Perguntar não ofende: onde as esquerdas venceram não funcionaram os mais violentos e eficientes sistemas de vigilância até dos pensamentos dos cidadãos? Na URSS, e nos países da cortina de ferro a espionagem política foi boazinha. Sabe-se que a da Alemanha Oriental foi uma das mais eficientes, vigiava até pensamento. Querer contar a história pelo viés ideológico viciado dá em dirigismo do anti-jornalismo.

    2 anos atrás por Brasigois Felicio


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