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POR EM 11/11/2009 ÀS 09:44 PM

Os melhores amigos do compositor e cantor Erasmo Carlos

publicado em

Erasmo Carlos“Minha Fama de Mau” (Objetiva, 357 páginas), de Erasmo Carlos, não é uma história didaticamente precisa do próprio cantor, de sua parceria com Roberto Carlos e da Jovem Guarda. É uma colagem de recortes escrita com humor e língua afiada. Um relato divertido de encontros com alguns artistas. Leitores exigentes esperavam mais do compositor preferido do rei da música brasileira, Roberto Carlos.

No capítulo “Meu segundo melhor amigo” (páginas 136, 137 e 138), Erasmo conta que ele e Roberto Carlos foram ao banheiro de um bistrô, em Los Angeles, e, quando dirigiu a mão para a maçaneta da porta, foi “impedido por Roberto, que abriu usando o ombro”. Sua justificativa: “Erasmo, evite sempre pegar em maçanetas de banheiro público. É um perigo, bicho. Tem micróbios de todo tipo”. Calado, Erasmo encaminhou-se para o mictório. “Roberto foi para a pia lavar as mãos, tendo o cuidado de antes pegar papel higiênico para abrir a torneira. Ao ver a pia do lado vazia e perceber que eu não o acompanhara, perguntou: ‘Bicho, você não lava as mãos para pegar no seu piru?’” O compositor, ao responder que não, foi advertido: “Mas deve lavar, meu irmão. Os médicos não se cansam de dizer que os órgãos sexuais masculinos e femininos são muito sensíveis a infecções, por isso sempre recomendam o máximo de higiene. Não custa nada você fazer isso, é uma questão de preservação do corpo. Se é que você gosta do seu corpo”.

Sem se intimidar com a orientação do maníaco por limpeza, Erasmo replicou: “Gosto muito, principalmente do meu piru. Adoro ele. É o símbolo da minha virilidade, é o instrumento do meu prazer, me obedece, me entende, não me pede nada, não dá trabalho nenhum, está sempre pronto para guerra. Quer saber? Acho que ele é meu melhor amigo!” Fingindo não gostar da resposta, Roberto perguntou: “Seu melhor amigo?” Erasmo insistiu: “É bicho, ele sou eu, eu sou ele, somos um só, enfrentando a vida, perseguindo nossa felicidade, nos aturando um ao outro. Não posso viver sem ele”. Com cara de gozação, Roberto fez a pergunta decisiva: “Seu piru já te emprestou dinheiro?” Erasmo teve de dizer que não. Sorrindo, Roberto deu a cartada decisiva: “Ah! Então eu sou o seu melhor amigo!”

Erasmo relata que, embora sejam muito amigos, brigaram feio. A parceria entre os dois é uma das mais produtivas da história da música brasileira. “Das quinhentas músicas que tenho gravadas desde 1963, pelo menos quatrocentas são filhas desse casamento”, diz Erasmo.

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