O flerte de Luis Buñuel com o stalinismo
“Los Anos Rojos de Luis Buñuel”(Cátedra, 420 páginas), de Román Gubern e P. Hammond, provoca polêmica na Espanha. O livro prova que, ao contrário do que sempre disse, o cineasta filiou-se ao Partido Comunista Espanhol (PCE) em 1931. Não só. Buñuel se pôs, durante algum tempo, a serviço do brutal stalinismo soviético.
O jornal “El Mundo” fez uma pequena entrevista com Román Gubern, que traduzo a seguir.
Como surgiu a ideia de narrar “os anos vermelhos” de Buñuel?
A origem está no surgimento da carta de Buñuel a [André] Breton, de 6 de maio de 1932, na qual informava de sua filiação ao PCE — informação que sempre havia negado.
Quais surpresas encontraram na investigação?
A coexistência de “vários Buñueles”: o cineasta genial, o artesão anônimo em tarefas profissionais obscuras, o militante político e o indivíduo empenhado em oferecer uma imagem de artista de independência imaculada e insubornável.
Como entender o flerte de Buñuel com o stalinismo?
O stalinismo foi o lado obscuro do compromisso revolucionário. Mas, no final de sua vida, já desligado do PCE, Buñuel confessou a Max Aub o que pensava de Stálin [não é explicitado].





