Leitura de “Honoráveis Bandidos” sugere a pergunta: por que Arruda está preso?
Instigado por leitores, mais de 50, li “Honoráveis Bandidos — Um Retrato do Brasil na Era Sarney” (Geração Editorial, 207 páginas), do jornalista Palmério Dória, com apoio de Mylton Severiano.
Pode ser que esteja enganado, mas o sucesso do livro possivelmente se deve mais à graça como o autor trata do assunto, a corrupção em altas escala e esfera, do que às denúncias em si.
No lugar de formação de quadrilha, Dória fala em “formação de família” (citando Ruy Castro). Aran, a pedido de Dória, escreveu um epitáfio para José Sarney: “Aqui jaz o dono do mar, do bar, da venda, da televisão, do jornal, do mausoléu, da rua, da avenida, do Estado...”.
O jornalista diz que, “no centro histórico de São Luís, dois do povo conversam:
— Qual é a pior coisa do Maranhão?
— A família Sarney.
— Qual a melhor coisa do Maranhão?
— Ser da família Sarney”.
Os Sarneys, olds e boys, são o alvo preferencial. A Operação Boi-Barrica ganha amplo espaço, inclusive com a apresentação de trechos de conversas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal. Dos que estão na ativa, também são citados o empreiteiro Aníbal Crosara, Joaquim Roriz, Gim Argello e outros. É divertido o modo espertíssimo como Dória trata Michel Temer. A história de que Sarney teve um castelo medieval em Portugal, “avaliado em R$ 30 milhões”, não é apresentada de modo convincente. Pode ser verdadeira, mas o autor não fornece provas. A história de que Tauser Quinderé levava dólares de Sarney para a Suíça é muito boa, mas carece de maior fundamentação. Acredita-se ou não no que diz a fonte do jornalista. A fonte relatou a Dória que Quinderé teve um infarto fulminante, no aeroporto de Genebra, na Suíça, e a mala com os dólares desapareceu.
Para evitar processos intermináveis e em cachoeira, Dória cita jornais, revistas, grampos da Polícia Federal e trechos de processos judiciais. Sem processo, o livro se tornou best-seller, e figura na lista dos mais vendidos há meses, mas sem merecer grandes resenhas. Se Dória for processado, o livro se torna uma espécie de bíblia e não para mais de ser vendido.
Mas que conclusão pode-se extrair depois de lido o livro? Simples: por que José Roberto Arruda ainda está preso? Se 10% do que Dória conta for verdade, a Justiça deve soltar Arruda. Imediatamente.





