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POR EM 15/05/2009 ÀS 06:22 PM

Historiador diz que participação do Brasil na Segunda Guerra não foi simbólica

publicado em

Bo­na­lu­me Ne­to acer­ta quan­do diz que Wil­li­am Wa­ack se­gue a ma­nia de al­guns bra­si­lei­ros: tu­do que vem do “es­tran­gei­ro” é ver­da­de in­con­tes­tá­vel 
 

William Waack
William Waack
 
O po­e­ta e jor­na­lis­ta Car­los Wil­li­an me pe­de uma lis­ta mí­ni­ma de li­vros so­bre a par­ti­ci­pa­ção do Bra­sil na Se­gun­da Guer­ra Mun­di­al.

O lei­tor, se ini­ci­an­te, de­ve co­me­çar pe­lo opús­cu­lo (mui­to bom) “Os Bra­si­lei­ros e a Se­gun­da Guer­ra Mun­di­al” (Jor­ge Za­har, 78 pá­gi­nas), do dou­tor em his­tó­ria pe­la USP Fran­cis­co Cé­sar Fer­raz. O his­to­ri­a­dor diz que, “em um ba­lan­ço so­bre a atu­a­ção da FEB [For­ça Ex­pe­di­cio­ná­ria Bra­si­lei­ra] em com­ba­te, seu de­sem­pe­nho po­de ser equi­pa­ra­do ao das me­lho­res uni­da­des ali­a­das en­vol­vi­das na fren­te ita­li­a­na” (pá­gi­na 65).

Cé­sar Fer­raz acres­cen­ta: “Pes­qui­sas his­tó­ri­cas sé­rias, com me­to­do­lo­gi­as ade­qua­das, e que ten­tam man­ter-se dis­tan­tes de pre­con­cei­tos, mos­tra­ram que, se a atu­a­ção bra­si­lei­ra não foi de­ci­si­va pa­ra a vi­tó­ria dos Ali­a­dos na Itá­lia — e ja­mais po­de­ria ser a de qual­quer di­vi­são de exér­ci­to iso­la­da, em meio a ou­tras 23 di­vi­sões no mes­mo Te­a­tro de Ope­ra­ções — tam­pou­co sua im­por­tân­cia foi nu­la. (...) É tam­bém um er­ro afir­mar que a par­ti­ci­pa­ção bra­si­lei­ra, com pou­co mais de 25 mil ho­mens, foi ‘sim­bó­li­ca’” (pá­gi­na 71).

“A Nos­sa Se­gun­da Guer­ra: Os Bra­si­lei­ros em Com­ba­te — 1942-1945” (Ex­pres­são e Cul­tu­ra, 224 pá­gi­nas), do jor­na­lis­ta Ri­car­do Bo­na­lu­me Ne­to, é uma obra sé­ria e equi­li­bra­da. Tra­ba­lho de re­pór­ter com vo­ca­ção pa­ra his­to­ri­a­dor. Não li, mas di­zem que é bom: “On­de Es­tão Nos­sos He­róis? — Uma Bre­ve His­tó­ria dos Bra­si­lei­ros na Se­gun­da Guer­ra”, de Ce­sar Cam­pi­a­ni Ma­xi­mi­a­no. O li­vro mais po­lê­mi­co é “As Du­as Fa­ces da Gló­ria — A FEB Vis­ta Pe­los Seus Ali­a­dos e Ini­mi­gos” (No­va Fron­tei­ra, 250 pá­gi­nas), de Wil­li­am Wa­ack. Com ba­se em do­cu­men­tos ale­mã­es e ame­ri­ca­nos, ten­ta des­mo­ra­li­zar a FEB. Bo­na­lu­me Ne­to acer­ta quan­do diz que Wa­ack se­gue a ma­nia de al­guns bra­si­lei­ros: tu­do que vem do “es­tran­gei­ro” é ver­da­de in­con­tes­tá­vel.

O dou­to­ra­do de Cé­sar Fer­raz não foi pu­bli­ca­do, mas pre­su­mo que sua pes­qui­sa se­ja ri­ca: “A Guer­ra Que Não Aca­bou: A Re­in­te­gra­ção So­ci­al dos Ve­te­ra­nos da For­ça Ex­pe­di­cio­ná­ria Bra­si­lei­ra, 1945-2000”. Ele a de­fen­deu na USP, um cen­tro de ex­ce­lên­cia aca­dê­mi­ca.

“O Bra­sil na II Gran­de Guer­ra” (Bi­bli­o­te­ca do Exér­ci­to), de Ma­no­el Tho­maz Cas­te­lo Bran­co, é, se­gun­do Bo­na­lu­me Ne­to, “uti­lís­si­mo pa­ra se acom­pa­nhar a cam­pa­nha”. Ou­tro li­vro elo­gi­a­do pe­lo jor­na­lis­ta é “A Ma­ri­nha do Bra­sil na Se­gun­da Guer­ra Mun­di­al” (Ca­pe­mi Edi­to­ra), de Ar­tur Os­car Sal­da­nha da Ga­ma. O his­to­ri­a­dor ame­ri­ca­no Frank McCann diz que “De­poi­men­tos de Ofi­ci­ais da Re­ser­va So­bre a FEB” (de 1949) é “um dos li­vros mais úte­is so­bre a FEB”. McCann, por si­nal, é um dos crí­ti­cos do li­vro exa­ge­ra­do de Wa­ack.

Bo­ris Schnai­der­man, o de­ca­no dos tra­du­to­res do rus­so no Bra­sil, lu­tou na guer­ra e es­cre­veu o ro­man­ce “Guer­ra em Sur­di­na” (Co­sac­naify, 246 pá­gi­nas). Schnai­der­man diz que o ro­man­ce “Mi­na R”, de Ro­ber­to de Mel­lo e Sou­za, é “bom, for­te”. Jo­a­quim Xa­vi­er da Sil­vei­ra es­cre­veu “Cru­zes Bran­cas — O Di­á­rio de um Pra­ci­nha” (Jo­sé Olympio, de 1947. Mi­nha edi­ção saiu pe­la Jo­sé Ál­va­ro, Edi­tor) e “A FEB Por um Sol­da­do” (No­va Fron­tei­ra, de 1989). O ma­re­chal Flo­ri­a­no de Li­ma Brayner deu sua ver­são em “A Ver­da­de So­bre a FEB” (Ci­vi­li­za­ção Bra­si­lei­ra, 1968). Um dos li­vros mais co­nhe­ci­dos é a “FEB Por Seu Co­man­dan­te”, do ma­re­chal J. B. Mas­ca­re­nhas de Mo­ra­es.

“Crô­ni­cas da Guer­ra na Itá­lia (Re­cord), de Ru­bem Bra­ga, não é tra­ba­lho de cor­res­pon­den­te de guer­ra tra­di­cio­nal, e sim de es­cri­tor, de cro­nis­ta aten­to à mi­nu­dên­cia que de­li­cia e co­mo­ve. Os jor­na­lis­tas Jo­el Sil­vei­ra, a Ví­bo­ra, e Thas­si­lo Mitke pu­bli­ca­ram “A Lu­ta dos Pra­ci­nhas” (Re­cord). Jo­el Sil­vei­ra es­cre­veu "O In­ver­no na Guer­ra" (Ob­je­ti­va, 176 pá­gi­nas).
 
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Comentários (6)

  • O artigo não faz menção ao livro Verdades e Vergonhas da Força Expedicionaria Brasileira de
    Leonercio Soares. Na minha opinião um dos melhores retratos do que realmente foi a segunda grande guerra para os brasileiros.

    1 mês atrás por Márcio Aurélio Pardo
  • Allyson, você pode encontrar o livro sobre a Segunda Guerra Mundial no site www.estantevirtual.com.br.

    9 meses atrás por Euler de França Belém
  • Amigo,

    muito bom o artigo. Ele foi muito útil para complementar minha bibliografia sobre a FEB.

    Não consigo achar, nem novo, nem usado, o livro do Ricardo Bonalume, "Nossa Segunda Guerra".

    Você poderia me ajudar a encontrar a obra?

    Desde já agradeço.

    9 meses atrás por Allysson Oliveira
  • A FEB enfrentou na Itália veteranos alemães das campanhas da Rússia e da África do Norte, gente difícil de se impressionar em termos bélicos. O sr Waack não deve ter levado em consideração a rendição do 148º Regimento de Infantaria alemão,após um "cerco" por "quatro divisões" brasileiras que não estavam lá ... ocorreu que a nossa artilharia atirava quatro vezes mais rápido do que suas co-irmãs, aliadas ou inimigas,no front italiano, e uma bateria de artilharia divisionária brasileira, muito barulhenta e eficaz, para inquietar os tedescos, sabendo onde mais ou menos eles estavam, bombardeou-os de tal maneira que se acreditaram cercados por quatro divisões, situação que os conduziria ao extermínio se insistissem em combater. Foram obrigados a se render. Por outro lado, os brasileiros foram obrigados a recebê-los como prisioneiros, mas haviam tão poucos brasileiros que muito barulho e poeira tiveram que ser produzidos, para que os alemães não notassem a disparidade numérica francamente favorável aos que se rendiam e que poderiam se tornar captores, se o percebessem. Nossos aliados americanos, que o sr Waack nos informa que não nos tinham em alta conta como soldados, fizeram um bom filme aproveitando essa "ruse de guerre", adaptando, é claro, para fins de maior verossimilhança, apresentando os espertos "GI" como os heróis da história, não os "amarelihos" brasileiros. E mesmo essa captura, não a considero o maior feito da FEB na Itália, aprecio muito mais as importantes mudanças nos manuais de combate americanos, decorrentes das manobras e táticas inventadas pelos brasileiros no front, debaixo de rajadas de balas de calejados veteranos alemães, que muitas vezes fizeram constar em relatórios oficiais a "surpreendente bravura e desapego à vida", estabelecendo que "nunca haviam visto gente enfrentar metralhadoras daquela maneira". Portanto, povo em geral e sr Waack em especial, o papel aceita tudo, é recomendável maior empenho na pesquisa para não se repetir besteiras alheias. Eu, pelo menos, produzo as minhas. Grato.Mauro Donisete Holsapfel (Cotia,16/02/2011).

    12 meses atrás por mauro donisete holsapfel
  • Acredito sem dúvida alguma que este homem, se assim podemos dizer, Wiliam Waack, este como outros "brasileiros" vem a público somente ganhar alguns segundos de atenção com suas teorias esdrúxulas. Não tem o conhecimento de fato para desmoralizar o que foi feito com muito sacrifício e honra, principalmente em se tratando num feito para época, um país basicamente agrícola, treinar e enviar ao continente europeu uma força de combate com mais de vinte e cinco mil homens, como foi a FEB. Sempre em nossa história existiram pessoas como essa que fala mal do nosso passado, que diz que nossa independência foi uma farsa, nossa proclamação da republica foi um golpe militar e que nosso descobrimento foi um saque de piratas. Tenho certeza que se este que se diz um "jornalista" possuísse um pai ou algum parente ou um amigo qualquer que esteve lá e viu com os próprios olhos o que ocorreu de não falaria e escreveria tanta bobagem. Fico triste por existirem pessoas assim que usam de sua posição para difamar e ridicularizar coisas que nem mesmo elas sabem ou compreendem.

    1 ano atrás por Jean Prado
  • Em Novembro 2010 acontecerá mais uma festa em honra dos Veteranos da FEB do Brasil todo. Será o 22° Encontro Nacional de Veteranos da FEB. O site para conhecer e inscrever-se é:
    http://cultura.jaraguadosul.com.br
    Ajude-nos na divulgação. Obrigado.
    Seção Regional da FEB - Jaraguá do Sul-SC.

    1 ano atrás por ivo kretzer


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