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POR EM 12/11/2009 ÀS 10:18 PM

As ideologias são dráculas

publicado em

Tony Judt

O notável historiador marxista Eric Hobsbawm avalia que, depois da “libertinagem” capitalista, decorrente da “morte” do socialismo, é provável que a vaga socialista volte, e, quem sabe, com certa força. Mas possivelmente com outro matiz. O encanecido Hobsbawm (bombardeado por Tony Judt, há pouco tempo, por não reconhecer os crimes do stalinismo com a devida correção; o livro de Judt, “O Século XX Esquecido — Lugares e Memórias”, foi editado em Portugal e merece uma edição brasileira) disse isto antes do vendaval Hugo Chávez, Rafael Correa e Evo Morales. Lula é um caso específico. Mas o socialismo de Chávez pouco tem a ver com o socialismo clássico, porque seu partido é uma ficção. Pouco tem a ver com o partido leninista-comunista. O poder está “assentado” na figura de Chávez, tanto que, se morrer, o “sistema Chávez” desmorona. O regime chavista é, mais do que socialista, nacionalista, mais próximo do peronismo... com a diferença do petróleo. Porque o petróleo é o sangue que movimenta as diabruras e inconseqüências do líder venezuelano. O petróleo é a Bolsa Família do governo da Venezuela. O governo de Correa é mais inconsistente do que o de Chávez e, sem Chávez para emulá-lo, possivelmente seria uma ficção. O de Morales, nem se fala. Golpes à vista. Assassinatos no horizonte. Na Venezuela, no Equador e na Bolívia. É só esperar. 

Lula, como disse, é um caso à parte. Ao contrário do que muitos assinalam, Lula é, sim, de esquerda, adepto de um socialismo que se aproxima de um misto de social-democracia e democracia cristã. Mas, como governa um país capitalista, comporta-se como gestor de uma economia capitalista. É um realista. Aproximou-se dos políticos tradicionais e, de certo modo, os tornou subordinados. Esta aproximação, que muitos tendem a ver tão-somente como fisiológica, é responsável por Lula não ter se tornado uma espécie de Chávez. O realismo possibilitou a Lula verificar que o custo de tentar implantar um regime chavista num país continental e cuja democracia é estável, com instituições sólidas (apesar de crises pontuais), seria impagável. O resultado poderia ser um golpe atrás de outro golpe (Lula tem uma gota do sangue de João Goulart nas veias). A desestabilização da política e da economia. Ao se posicionar como moderado, Lula dá provas de amadurecimento e, até agora, tem jogado dentro das regras da democracia. Aqui e ali, tenta impor alguma medida autoritária, mas, contido pela democracia, cede, o que é positivo. No espectro de esquerda, é, sem comparação, o melhor governante da América do Sul, excetuando, possivelmente, a presidente do Chile, a socialista e realista Michelle Bachelet. 

No espectro mundial, saindo da América do Sul, fala-se quase nada de socialismo. Porque a queda do Muro de Berlim, em 1989, se não sepultou, pelo menos baleou a liturgia socialista e tornou hegemônica a liturgia do capitalismo liberal. Tanto que, em determinado momento, o filósofo Francis Fukuyama cunhou a tese, de matiz hegeliano, do fim da história. As idéias liberais haviam vencido e, portanto, inaugurava-se um novo tempo, sem o socialismo como contencioso. Mais tarde, Fukuyama revisou a tese, sem, porém, mudar seu eixo. Porque, de fato, as teses liberais, o capitalismo privatista, haviam vencido o socialismo. A ressalva é que, quando vence, mesmo quando impõe uma derrota acachapante, uma ideologia não sepulta a que perdeu. Ou, esticando a corda, não sepulta definitivamente. As ideias são dráculas: parecem morrer mas costumam voltar e, não raro, com força redobrada. Basta uma gota (revolta) de sangue. Quem perde hoje pode ganhar amanhã, mas tende-se a incorporar o que se fez de melhor ou, às vezes, de pior. Suécia e Dinamarca deram a “volta” no socialismo produzindo a social-democracia, o Estado do bem-estar. A social-democracia é uma espécie de socialismo envergonhado. Chamo de socialismo envergonhado aquele que admite a democracia e mantém conquistas sociais amplas. Porque, teoricamente e na prática, socialismo e democracia são incompatíveis. Em nome das massas, do coletivo, o socialismo exclui a divergência, a democracia. Com socialismo, sem democracia. Com democracia, sem socialismo. 

Sem o socialismo, para “avisá-lo” de que conquistas sociais eram (são) fundamentais, o capitalismo ficou sozinho na raia. Na maioria dos países, sob o argumento da competitividade mundial (a globalização), que impõe preços supostamente mais baixos, os governos flexibilizaram relações de trabalho, com o objetivo de manter margens de lucros mais altas. Os trabalhadores se ferraram e os capitalistas se tornaram mais ricos. Ao modo de Milovan Djilas, pode-se falar que não apenas o socialismo criou uma nova classe, a dos burocratas, a Nomenklatura. O capitalismo criou sua própria “nova classe” (a terminologia classe não é, a rigor, apropriada), a dos executivos — uma espécie de cunha, muito bem remunerada, entre as classes dominantes e as classes dominadas. Os capitalistas trouxeram da classe média universitária a classe dirigente tanto para a política quanto para a economia. Assim, dinamitou o espírito revolucionário que, em regra, sempre esteve presente em setores das classes médias e não necessariamente entre os pobres, que quase sempre foram e são reacionários. No lugar de revolução, conquistas sociais e financeiras, mas para poucos, ou seja, para os grandes e médios executivos. Às classes médias, salários razoáveis e diversificados, e para as massas, gerações perdidas, programas como o Bolsa Família. O proletariado, mais do que o socialismo, é o cadáver do mundo moderno. Sem proletariado, sem revolução? Bem, com a decadência do socialismo e com o capitalismo solitário mas incapaz de resolver problemas sociais e ambientais, pode-se falar em vaga revolucionária? Talvez não. Pelo menos por enquanto. Mas é provável que o socialismo ressurja, sob novos matizes. O filósofo francês Guy Sorman diz que, na verdade, o socialismo já ressurgiu, travestido de ambientalismo. Sorman, talvez numa posição excessivamente radical, diz que o objetivo do ambientalismo organizado é muito menos a defesa do meio ambiente e muito mais um ataque ao capitalismo, uma tentativa de travar o desenvolvimento e de sugerir que o capitalismo não é o sistema que modernizou a sociedade moderna e, como tal, pode ser superado. O equívoco de Sorman reside, provavelmente, na interpretação de tomar o ambientalismo como um movimento sem diversidade, como unicamente socialista.

O notável historiador inglês Tony Judt tem apontado a omissão da crítica de esquerda. Porque, de fato, a crítica de esquerda, a atenta aos fatos reais e não apenas com o objetivo político de demolir o capitalismo — para pôr nada no lugar —, faz falta. Há indícios de que, atordoada pela vitória da economia (e da ideologia) liberal, a esquerda, se não desistiu de manter uma crítica iluminista (há bons textos, mas ainda exploratórios), pelo menos decidiu operar nos poros do sistema capitalista (obtendo cargos bem renumerados ou se recolhendo a examinar questões apenas pontuais), como se fosse uma rêmora. Neste sentido, é possível dizer que o capitalismo venceu o socialismo, talvez provisoriamente, mas sobretudo que as idéias liberais derrotaram as idéias socialistas. A pancada foi tão forte que, até agora, os socialistas não reagiram. Qual o primeiro passo para os socialistas saírem da cova? Antes de fazer a crítica do capitalismo, admitir os erros do socialismo, entendê-los criticamente, percebendo onde e quando se deu o passo rumo a uma sociedade totalitária. Se continuarem sugerindo que os erros não foram do socialismo, e sim apenas de homens como Stálin, Mao Tsé-tung e Fidel Castro, peças de uma engrenagem, os teóricos do socialismo vão assistir de camarote a progressão do capitalismo e a deportação para o limbo do ideário socialista. Sem entender porque o socialismo se tornou totalitário, sem verificar se é possível construir uma sociedade socialista não totalitária, os socialistas vão sempre morrer na praia. Enquanto isso, aqueles que defendem, os trabalhadores, vão continuar nas mãos do capitalismo “libertino”, quase “selvagem”. Na China, país capitalista com regime político comunista, os trabalhadores são praticamente escravos. Um retrocesso que parece não incomodar o mundo. Pelo contrário, a China é idolatrada por capitalistas, como um modelo (de pagar baixos salários e produzir para o mundo?), e pela esquerda, que não tem mais referência. Porque Cuba não é referência de nada, exceto de regime totalitário. A saúde e a educação do país de Raúl Castro são embustes propagados por intelectuais brasileiros. Como se saúde e educação adequadas pudessem justificar o totalitarismo implantado por Fidel Castro. 

Apesar do que disse Guy Sorman, e no geral tendo a concordar com suas idéias, socialistas e capitalistas devem, sim, discutir, além do colapso econômico, a questão do aquecimento global e do consumismo extremado e desorganizado (um bom livro para este debate é “Colapso”, de Jared Diamond). “A realidade é esta, vencer juntos ou cair sozinho”, diz, acertadamente, Leslie Gelb. A vitória de Barack Obama sinaliza para a manutenção dos Estados Unidos como potência hegemônica, mas também para a aceitação de que os outros países não são inimigos, a serem guerreados, e sim rivais. Mas, na questão ambiental, o barco é um só. É a Arca de Noé universal. Um mundo melhor, mais, digamos, humano, não vai ser produzido a partir de uma única idéia — a dos socialistas ou a dos capitalistas. Todos têm suas contribuições a fornecer. A dos socialistas é de que a renda deve ser mais bem distribuída. Sua ilusão é quando fala em igualdade, porque igualdade social, pelo menos total, é uma impossibilidade humana. Os indivíduos vão ser sempre desiguais e é a desigualdade (e não a igualdade) que move o mundo. Até mesmo a igualdade de oportunidades é uma ilusão. Mas, sim, devemos trabalhar para que as pessoas tenham igualdade de oportunidades, mesmo sendo uma utopia e, possivelmente, uma fantasia. 

Quem quiser entender mais do assunto deve ler “Pós-Guerra — Uma História da Europa Desde 1945”, de Tony Judt, “1989: O Ano Que Mudou o Mundo — A Verdadeira História da Queda do Muro de Berlim”, do jornalista Michael Meyer, “O Muro de Berlim — Um Mundo Dividido (1961-1989)”, de Frederic Taylor, “O Fim das Utopias — Política e Cultura na Era da Apatia”, de Russell Jacoby, e “Jogos Finais — Questões do Pensamento Político Moderno Tardio” (Editora Unesp, 306 páginas), de John Gray. O professor de Oxford faz uma análise implacável, mas não esquerdista, do pensamento liberal. Gray é um dos mais instigantes filósofos da atualidade.

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Comentários (7)

  • Lendo o livro "Crítica do Programa de Gotha", de Marx, sabemos que certos defeitos são inevitáveis na fase de transição do Capitalismo ao Comunismo, isto é, no Socialismo. Na referida obra, Marx diz:

    "Estes defeitos, porém, são inevitáveis na primeira fase da sociedade comunista, tal como brota da sociedade capitalista depois de um longo e doloroso parto. O direito não pode ser nunca superior à estrutura econômica nem ao desenvolvimento cultural da sociedade por ela condicionado.

    Na fase superior da sociedade comunista, quando houver desaparecido a subordinação escravizadora dos indivíduos à divisão do trabalho e, com ela, o contraste entre o trabalho intelectual e o trabalho manual; quando o trabalho não for somente um meio de vida, mas a primeira necessidade vital; quando, com o desenvolvimento dos indivíduos em todos os seus aspectos, crescerem também as forças produtivas e jorrarem em caudais os mananciais da riqueza coletiva, só então será possível ultrapassar-se totalmente o estreito horizonte do direito burguês e a sociedade poderá inscrever em suas bandeiras: "De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades"."

    Quanto às igualdades sociais, elas serão relativas, não absolutas:

    "The only thing that the State can and must do . . . is gradually to modify the right of inheritance so as to achieve its complete abolition as soon as possible. . . . We claim that this right will necessarily have to be abolished because as long as inheritance lasts, there will be hereditary economic inequality -not the natural inequality of individuals, but the artificial inequality of classes - which will necessarily continue to be expressed in hereditary inequality of the development and cultivation of intelligence and will remain the source and sanction of all political and social inequality." Bakunin


    9 meses atrás por Wellington Braz
  • Quanto à sugestão aos socialistas de, 'antes de fazer a crítica do capitalismo, admitir os erros do socialismo, entendê-los criticamente, percebendo onde e quando se deu o passo rumo a uma sociedade totalitária, essa sugestão já foi dada por Marx, no livro "18 Brumário":

    "As revoluções burguesas, como as do século XVIII, avançam rapidamente de sucesso em sucesso; seus efeitos dramáticos excedem uns aos outros; os homens e as coisas se destacam como gemas fulgurantes; o êxtase é o estado permanente da sociedade; mas estas revoluções têm vida curta; logo atingem o auge, e uma longa modorra se apodera da sociedade antes que esta tenha aprendido a assimilar serenamente os resultados de seu período de lutas e embates. Por outro lado, as revoluções proletárias, como as do século XIX, se criticam constantemente a si próprias, interrompem continuamente seu curso, voltam ao que parecia resolvido para recomeçá-lo outra vez, escarnecem com impiedosa consciência as deficiências, fraquezas e misérias de seus primeiros esforços, parecem derrubar seu adversário apenas para que este possa retirar da terra novas forças e erguer-se novamente, agigantado, diante delas, recuam constantemente ante a magnitude infinita de seus próprios objetivos até que se cria uma situação que toma impossível qualquer retrocesso e na qual as próprias condições gritam:

    Hic Rhodus, hic salta!
    Aqui está Rodes, salta aqui!"


    9 meses atrás por Wellington Braz
  • Sobre As ideologias são dráculas

    Acerca da tentativa de entender porque o "socialismo" se tornou totalitário, Einstein escreveu num texto intitulado "Por que o Socialismo?:

    "...Estou convencido de que há somente uma forma de eliminar estes graves malefícios: através do estabelecimento de uma economia socialista, acompanhada por um sistema educacional que seja orientado para fins sociais. Em tal economia, os meios de produção são propriedade da própria sociedade e utilizados de maneira planejada. Uma economia planejada, que ajuste a produção às necessidades da comunidade, distribuiria o trabalho entre todos aptos a trabalhar e garantiria os meios de vida de todos, homem, mulher e criança. A educação do indivíduo, além de promover suas próprias habilidades inatas, intentaria desenvolver em um sentido de responsabilidade por seu próximo, em lugar da glorificação do poder e do êxito em nossa sociedade atual.

    Sem embargo, é preciso recordar que uma economia planificada não é todavia o socialismo. Uma economia planificada como tal pode ser acompanhada pela completa escravização do indivíduo. A realização do socialismo requer a solução de alguns problemas sócio-políticos extremamente difíceis: "Como é possível, considerando a muito abarcadora centralização do poder, conseguir que a burocracia não seja todo poderosa e arrogante? Como podem proteger os direitos do indivíduo e mediante ele assegurar um contrapeso democrático ao poder da burocracia?"

    Ter claras as metas e problemas do socialismo é de grande importância nesta época de transição. Dado que, nas circunstâncias atuais, a discussão livre e sem travas destes problemas são um grande tabú, considero a fundação desta revista [N2] um importante serviço público."

    http://www.marxists.org/portugues/einstein/1949/05/socialismo.htm


    9 meses atrás por Wellington Braz
  • Então o Stalinismo seguiu tão fielmente o Marxismo quanto o Vaticano segue o Cristianismo, né?

    Stálin era tão socialista quanto o Bush é cristão.

    Se você não ignorasse o "um passo atrás, dois à frente", política de capitalização da economia, a fim de fazer avançar as forças produtivas, saberia que a economia russa não foi nem poderia ser socialistas, dado ao avançado atraso das forças produtivas daquele país.

    De acordo com a teoria marxista, a Revolução Proletária eclodiria numa sociedade industrial avançada, e decorreria de uma crise de superprodução. Não foi esse o caso da Revolução Russa, muito pelo contrário.

    9 meses atrás por Alibério
  • Parte da esquerda padece de um mal de origem, “vontade de fé”, como diria Cioran. Ou melhor, citando-o: “a sociedade é um inferno de salvadores”. Neste sentido, sempre que houver uma solicitação de crítica ao socialismo existente ou passado, haverá a argumentação: eles não seguiram Marx aqui ou ali. Destarte, desvios da ortodoxia sempre serão álibis da esquerda marxista. Aron, Berlin, Gellner, Merquior e outros liberais, nunca afirmaram que as sociedades capitalistas democráticas fossem paraísos, e muito menos que deveriam ser. Soteriologias são produtos religiosos, e muitas vezes, estão travestidas de secularismo, como a marxista. E caro, Euler Belém, acrescentaria como indicação de livro, uma crítica contundente de Judt ao falanstério francês de Sartre: Passado Imperfeito (Nova Fronteira).

    10 meses atrás por Valney Natividade de Oliveira
  • Então, é o seguinte: quando hoje, em 2009, a economia global vai completamente à lona (basta ver o último relatório do FMI) e coloca os antigos socialistas do Leste Europeu em bancarrota (a Rússia terá a maior queda do PIB em 2009), então é a vitória das...idéias liberais. Então tá, né. Como bem disse Fredric Jameson, o pós-Muro de Berlin consegue ser mais anticomunista do que os tempos de Guerra Fria.

    10 meses atrás por enio
  • Euler:

    Seu texto tem o evidente mérito de valorizar o debate num mundo que, ao contrário do lenga-lenga neo-liberal, está cheio de problemas muito graves.
    Começarei pelo conceito de ideologia. Marx e Engels não publicaram, em vida, o livro "A ideologia alemã", que findou sendo editado na URSS, responsável por uma leitura estatista do socialismo. Dá a impressão de que Marx e Engels não consideraram aquele livro suficientemente amadurecido, uma vez que bancaram a edição de outros de seus escritos.
    Em Marx e Engels, ideologias não são idéias, são relações de poder. Assim, do ponto de vista deles, não existem ideologias marxistas-engelsianas e sim críticas, num sentido filosófico denso.
    Marx dizia que não era marxista. Não se tratava de paradoxo e sim de zelo para evitar que seu pensamento crítico fosse traduzido como ideologia.
    Os regimes que fizeram essa tradução jogaram a crítica na lata do lixo e se misturaram alegremente com o capitalismo - o stalinismo patrocinou a implantação do ritmo de trabalho taylorista mais alucinado nas linhas de produção soviéticas como se fosse técnica neutra... E a liberdade de debate sumiu junto com a crítica.
    O bloco soviético acabou, os países que se dizem socialistas hoje são capitalismos mais ou menos disfarçados - a China é o que há.
    Sim, o mundo todo (não só o finado bloco socialista nem os zumbis que parecem seus sucessores) precisa de crítica. Não basta criticar os crimes do stalinismo porque o mundo é uma vitrine criminológica sem fim. Um dia desses, relembrei a Ku-Klux-Klan como indício do extremo autoritarismo no mundo capitalista. Reli uma notícia sobre o massacre de My Lai no Vietnam, perpetrado pelas tropas estadunidenses. O mais triste é que não foi o único. Os mortos deviam estar felizes pois eram massacrados por tropas democráticas.
    Nossa função - escritores, artistas, críticos - é de manter acesa a chama da reflexão. Ideologias são parte do problema, não solução.
    Abraços:

    Marcos Silva

    10 meses atrás por Marcos Silva


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