A maluquice de um hagiógrafo
O jornalista Ricardo Alexandre não é trouxa nem louco, mas é, possivelmente, “aluado”. Porque só com muita coragem ou desfaçatez, ao estilo do presidente Lula, para dizer a diatribe a seguir: “Talvez Simonal seja continuamente redescoberto como o maior cantor da história do Brasil”. A maluquice, ou ataque de juveniilismo, está na página 335 da hagiografia “Nem Vem Que Não Tem — A Vida e O Veneno de Wilson Simonal” (Globo, 390 páginas).
No “Valor Econômico” de sexta-feira, 13, Zuza Homem de Mello, um crítico que realmente entende de música, defende o indefensável livro de Ricardo Alexandre. Zuza, como engenheiro de som, trabalhou em shows de Simonal, mas, mesmo defendendo o cantor e o hagiógrafo, não teve ânimo para dizer que se trata do “maior cantor da história do Brasil”. O livro, no todo, não é ruim, mas se torna inviável a partir da premissa de que Carmen Miranda, Orlando Silva, Elis Regina, João Gilberto, Nara Leão e Gal Costa são piores cantores do que Simonal.





