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POR EM 04/02/2010 ÀS 02:44 PM

Nine? Mais. Muito mais

publicado em

Pôster NineJá faz um bom tempo que alimento a vontade desse texto e seu jeito de desabafo. E foram as recentes e severas críticas ao novo musical de Rob Marshall que transformaram a vontade em realização. Sim. Estou carregando suas dores para casa e pretendo respondê-las todas. A verdade é que se instalou no imaginário daqueles que se dizem cinéfilos, como grande injustiça o que fizeram com “Moulin Rouge” no Oscar de 2002, ignorando o filme para os grandes prêmios. De fato, houve injustiça, mas na indicação do filme a tantas categorias. “Moulin Rouge” nunca foi essa “última Coca-Cola do deserto”. Nunca. Um filme longo demais, câmera nervosa demais, misto de tentativa de graça e desgraça que não funciona e não combina com a atuação despreparada de Nicole Kidman. Ou aquele jeito ofegante só irritou a mim? 

É quando, no ano seguinte, surge “Chicago”, o melhor musical até 2009. Um filme extremamente peculiar, um musical bem pensado, onde cada cena está lá porque deve estar, e não para adaptar a música de um artista famoso a trama. O que Marshall faz em “Chicago” é primoroso e digno de se angariar como melhor filme do ano sim. Ele nos mostrou uma forma ousada e criativa de fazer um musical, dispensando aqueles momentos constrangedores em que a personagem principal, de repente, canta “Bom dia!”. Edição excelente, fotografia incrível e direção presente. E as atuações? Meu Deus, o que é aquilo que Catherine e Renée fazem? Espetaculares e dignas de reconhecimento. O Musical. 

Entretanto, os fãs de Baz Luhrmann, enlouquecidos, ditaram como audácia à premiação de Chicago no ano seguinte a candidatura de “Moulin Rouge”, acusando-a como “forma da Academia se redimir”. Confesso que rio alto toda vez que leio essa barbaridade. Sejamos conscientes, por favor. Independente de gostarem de jazz ou Madonna, reflitam um pouco e respondam: qual musical se reinventa a partir do próprio gênero? “Chicago” ou “Moulin Rouge”? Não digo que “Moulin Rouge” é um filme péssimo, nem tanto. Sinceramente não acredito que exista um musical péssimo. Acho todos, acima de tudo, corajosos para tempos em que um filme de pessoas azuis é considerado película do ano. Todos musicais são merecedores de público. Mas somente filmes como “Chicago” são dignos de prêmios máximos.  

Acontece que agora vem “Nine”, mais um musical de Rob Marshall levando injustamente as críticas daqueles que não se conformaram, até hoje, com a derrota de “Moulin Rouge”. Merecida derrota, ressalto. Criticam a direção, a atuação de um aqui, outro acolá, a fotografia (acredite, até a fotografia), o roteiro e a direção de arte. Juro que gostaria de ver argumentos convincentes, mas até agora, nada. Somente opinião pessoal e ressentimento pela derrota de “Moulin Rouge”.   

Primeiro, quem disse que um musical só deve ter músicas dançantes deveria ir a uma boate ou ficar em casa assistindo ao desfile da Vitoria Secret, não para o cinema. Um bom musical sabe passar sentimento, seja no movimento, seja na ausência de movimento. As canções interpretadas por Sophia Loren, Nicole Kidman e Marion Cotillard são belíssimas e dificílimas de interpretação, visto que não tem nenhum “cancan” para disfarçar o despreparo. Em “Nine” as atrizes são atrizes e pronto. Sejam dançando, cantando ou emocionando. 

Destaquemos agora as performances de Fergie, Kate Hudson e Judi Dench como momentos de maior euforia no filme, balanceando com as canções mais dramáticas das estrelas já citadas. O resultado: um filme perfeito, com instantes de reflexão mesclados a momentos extremamente contagiantes. “Nine” é, sem dúvida, a receita certa para um musical histórico e que ganhará valor com o passar dos anos. Como se esquecer da atuação sensual de Penélope Cruz? Finalmente fui convencido por seu talento. Sempre tive o pé atrás com ela. Agora, tenho os dois a frente. Com Daniel, mesma coisa. 

Outro aspecto encantador de “Nine” é a fotografia. Sei o quanto é difícil filmar uma canção lenta e dramática. Infelizmente vi isso virar um desastre na música “The winner takes it all” interpretada por Meryl Streep no filme Mamma Mia! Digo “infelizmente” por ser uma de minhas músicas preferidas, mas que mesmo com a bela voz de Meryl deixou a desejar. Motivo? Despreparo em fotografia. A cena se arrasta e Pierce Brosnan não sabe onde enfiar a mão, se no bolso ou na cara da Meryl para cessar sua cantoria. Em “Nine” isso não acontece. A câmera sabe onde estar. Não nos sentimos constrangidos ao ver o filme nem aquela sensação de “vergonha alheia” que alguns musicais dramáticos passam. Já em relação às cenas dançantes de filme, só me restam aplausos. 

Em suma, o filme é histórico e supera, incrivelmente, “Chicago”. O que já era bom, ficou ainda melhor. O que já era “Nine”, ficou dez. Assistam e se deliciem com um musical inteligente, profundo, sem gente azul, metalinguístico e pensado em seus mínimos detalhes. E falando em detalhes, destaco mais um: “Nine”, até então, não estreou em Goiânia, o que já é um forte indício de que se trata de um excelente filme. Vale a pena ir a Brasília para assistir, como fiz e pretendo fazer umas “Nine” vezes.    

 

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Comentários (2)

  • Poxa cara, canções belíssimas? Pegou pesado hein, depois disso nem deu pra continuar a ler...Contine est Cinema Italiano! Realmente, uma poética absurdamente complexa e a execução então? Putz, nem se fala...Dificilmente um filme me irritou tanto qnto esse, mesmo os musicais. Pra mim, além das músicas serem pobres, bregas e piegas, o que dói é a pretenção de ser uma "continuação musical" de Fellini 8 1/2. Heresia!

    2 anos atrás por Larissa Bery
  • Discordo totalmente dos comentários. Primeiro, Moulin Rouge foi sim um dos melhores musicais dos últimos tempos. Não é só EU que acho isso, muito pelo contrário. A interpretação da Nicole Kidman JAMAIS foi despreparada. É uma grande atriz e foi muito premiada pelo papel, com muita justiça. Não sei o que você chama de interpretação "ofegante", quando a interpretação dela foi totalmente coerente à sua personagem. Moulin Rouge é um musical com uma linguagem muito específica, na qual você deve mergulhar: você ama ou você detesta o filme. Ponto. E é inegável que o filme revolucionou a linguagem dos musicais, por muitos elementos originais. Não vejo ninguém com chororô e ressentimento, por outro lado, pela derrota do filme, principalmente quando comparado com Nine. Gostei de Nine, é um filme razoável, mas que me criou certa "afeição". Mas, o filme é cheio de erros muito bem expostos nas diversas críticas que foram feitas- a maioria injusta, mas com pontos que realmente fazem sentido. As canções, os números musicais, são razoáveis, nenhuma se destaca. Só Cinema Italiano- que, só é um número saltitante e empolgante, mas com uma letra ( você leu a letra?)...por isso, a canção nem foi indicada ao Oscar. As melhores canções foram cortadas no filme, como a própria "Nine", que estava na Broadway. Além disso, não sei o que você entende de interpretação, mas em nível de dificuldade, nenhuma delas é "difícil". Dizer que "não tem nenhum cancan para disfarçar o despreparo" não tem nada a ver. A questão é que você não deve ter mergulhado no universo de Moulin, e não gostou. Ponto, nada adianta, tudo fica ruim. Nicole Kidman tem uma voz linda e foi uma ótima protagonista em Moulin Rouge ( sua bela voz foi bem expressa em Nine também, apesar de ter papel pequeno). Agora, pra mim, Chicago que nunca foi "a última coca cola do deserto". É bom. Só isso. Porém, é melhor do que Nine, que no máximo merece uns "seven" como nota. Mas é uma bela homenagem ao cinema italiano- só que sem essência alguma de "italiano"- Daniel Day Lewis é o menos italiano do filme! Penelope Cruz é boa, mas acho que o papel é mt parecido com Vicky Cristina.acho a indicação ao Oscar algo mais do mesmo. A que tem o melhor papel é a Marion Cottilard. Mas, querido, você falar que no filme as atrizes são atrizes mesmo, em contraposição a Moulin Rouge, discordo totalmente! A Penelope Cruz, por exemplo, teve dublê de voz nos números musicais ( basta, minimamente, prestar atenção na diferença do sotaque). Em Moulin Rouge, certos "anexos" faziam parte da proposta estética do filme- e garanto pra você, na maioria dos casos, dificulta o trabalho dos atores.

    2 anos atrás por Rafael Pereira do Rego


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