Desenho de  Wendy MacNaughton
revista bula

compartilhe



últimos comentários

  • Chega ser desonesto articular a situação ambiental degradante atual à religião, como se doutrinas religiosas fossem reponsáveis pelo buraco na camada de ozônio, por exemplo ou quem sabe pelas tonelada ...

    10 horas atrás por Carlos Rio sobre Pode detonar que Deus recupera
  • Compartilho da mesma angústia. ...

    14 horas atrás por Elizabeth sobre Garrafa ao mar
  • Euler e Elder, obrigado pelos comentários. ...

    15 horas atrás por eberth vencio
  • Caro, lei sempre seus textos. Gosto sempre. Entretanto, quando exagera na conversão de estrangeirismos para a língua portuguesa, fica bobo. Uma sugestão: não deixe de fazê-lo, mas faça com cautela, d ...

    15 horas atrás por Elder sobre A pior coisa que já escrevi na vida

últimas no twitter

  • Respire: 'Summertime' (George Benson e Jill Scott): http://t.co/CFRBWEat
    6 horas atrás
  • Numa carta escrita um ano antes de sua morte, Marilyn Monroe já se despedia: http://t.co/aQGLv7T0
    6 horas atrás
  • Busque um lugar para se hospedar, diretamente com os proprietários, em 19 mil cidades de 192 países: http://t.co/E28pOJhQ
    6 horas atrás
  • Navegue pelo corpo humano em 3D (é mais detalhado do que o aplicativo do Google): http://t.co/vHI5k5gi
    6 horas atrás
  • @myriamkazue Normalmente, não?
    9 horas atrás

parceiros

  • twitter rank


sugestões de livros

  • e eventualmente nojentas de casais escatológicos

sugestões de filmes

POR EM 09/10/2009 ÀS 02:15 PM

Febre de juventude

publicado em

Universitários fritos têm muito a dizer. “Apenas o Fim”, roteiro e direção de Matheus Souza, comprova a aptidão dos jovens para a inventividade e a capacidade de encontrar soluções simples. Primeiro filme do estudante de 20 anos, feito com a ajuda de amigos do curso de cinema da PUC-Rio, o longa se estrutura basicamente no diálogo entre dois namorados em vias de separação. Ela vai abandonar a vida no Rio de Janeiro e partir para algum lugar secreto. Ele teve de abrir mão de uma prova da faculdade para desfrutar a última hora com sua garota. O cenário é um só: o câmpus da universidade.
 
Esse estilo de narrativa não é novo. Filmes como “Eu Sei Que Vou Te Amar” (Arnaldo Jabor, 1986) e “Antes do Amanhecer” (Richard Linklater, 1995) são inteiramente sustentados pela conversação entre dois personagens, mas “Apenas o Fim” se diferencia desses exemplos quando analisado pelo viés da espontaneidade do diretor de primeira viagem. É intensamente percebido como resultado da constatação de que é possível finalizar um longa-metragem quando se tem uma boa história, amigos que sabem atuar e um câmpus imenso com infinitas possibilidades de locação.
 
Pontuados por temáticas nerds e cults, como os filmes da saga “Star Wars” ou os personagens da série “Power Rangers”, os diálogos causam empatia imediata no espectador. São simples e objetivos, como é a linguagem cotidiana dos jovens. Nomes como McDonald's e Kinder Ovo são pronunciados sem qualquer constrangimento ou preocupação com marketing involuntário. A naturalidade pulula na tela. Diante desse conjunto altamente favorável e convidativo, a identificação com os personagens, a câmera e os cenários de “Apenas o Fim” é automática. 
 
Ao acompanhar o casal numa conversa marcada pelas lembranças e confissões, o filme remete à capacidade do cinema de nos envolver em situações que estamos cansados de presenciar, sem maior interesse, no dia-a-dia. É comum ver namorados alheios discutindo pelos corredores da faculdade, no meio da rua ou dentro do ônibus. O que o cinema faz é dar textura e sabor a essas histórias ordinárias. Isso é evidenciado pelos figurantes que passam na frente da câmera de “Apenas o Fim” enquanto os namorados conversam. O tempo todo passamos na frente de cenas assim e não nos retemos. O cinema tem o poder de despertar nosso instinto de voyeur, adormecido pelo corre-corre das grandes cidades. Os personagens de Erika Mader e Gregório Duvivier se tornam tão íntimos do espectador que logo nos vemos torcendo por algum desfecho feliz.
 
O final feliz é uma possibilidade remota aqui, praticamente descartada já nos primeiros acontecimentos do filme. Trata-se de um relacionamento que, assim como algumas sequências distorcidas ao longo da projeção, está se tornando uma imagem mal sintonizada de TV. E o fim só precisa ser o fim, mas é muito difícil apenas dizer que o amor acabou. A melancolia dos minutos finais provoca uma série de “últimos”: o último filme que assistiram juntos, o último presente, o último beijo, o último adeus. São muitos, mas que não garantem a durabilidade dessas lembranças na memória dos dois.
 
“Apenas o Fim” é, a partir daí, sobre as incertezas que se seguem ao término e o medo dos protagonistas de se tornarem, alguns anos adiante, dois desconhecidos, envolvidos com outras pessoas e com novas preocupações e problemas. É como se fosse mais cômodo nunca chegar ao fim: pouparia o esforço de tentar manter as memórias dos melhores momentos acesas, e é isso que todo mundo pondera antes de tomar uma decisão como essa. Talvez por isso poucas vezes predomina no filme a “atmosfera” do fim. Eles preferem conversar sobre banalidades, jogos de videogame ou canções preferidas, como se no dia seguinte fossem se encontrar novamente, no mesmo bat-horário e bat-local. E é exatamente por essa aparente descontração que o espectador sente um desconforto gritante quando a ficha cai e os personagens desabam.
 
A música que encerra o longa é justamente sobre a insegurança desse(s) futuro(s), e é impossível não tentar imaginá-lo(s) durante as melancólicas cenas de flashback em split screen (tela dividida), técnica muito bem empregada por Matheus. A fuga, os desencontros, os clichês do começo-meio-fim, deixam tanto personagens quanto espectador um pouco tontos, como se a câmera rodasse sem parar na busca de algum sentido para o substantivo fim (termo, cabo, remate, conclusão). Morre o amor e segue a vida. Esse pode ser o tema de um filme que está sendo gravado no pátio da faculdade ou de uma conversa entre duas pessoas num banco de praça. É o destino de amores sintonizados em alguma frequência prestes a desaparecer.
 
Bookmark and Share

Comentários (0)



*Obs — todos os comentários são moderados.
Não é aceito nenhum tipo de script ou formatação, caso queira adicionar um link apenas cole o endereço normalmente.

É permitida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia dos editores, desde que citada a fonte.
© Copyright 2009 — Revista Bula — Literatura e Jornalismo Cultural — editorial@revistabula.com


renovatio