Desenho de  Wendy MacNaughton
revista bula

compartilhe



últimos comentários

  • Chega ser desonesto articular a situação ambiental degradante atual à religião, como se doutrinas religiosas fossem reponsáveis pelo buraco na camada de ozônio, por exemplo ou quem sabe pelas tonelada ...

    10 horas atrás por Carlos Rio sobre Pode detonar que Deus recupera
  • Compartilho da mesma angústia. ...

    15 horas atrás por Elizabeth sobre Garrafa ao mar
  • Euler e Elder, obrigado pelos comentários. ...

    16 horas atrás por eberth vencio
  • Caro, lei sempre seus textos. Gosto sempre. Entretanto, quando exagera na conversão de estrangeirismos para a língua portuguesa, fica bobo. Uma sugestão: não deixe de fazê-lo, mas faça com cautela, d ...

    16 horas atrás por Elder sobre A pior coisa que já escrevi na vida

últimas no twitter

  • Respire: 'Summertime' (George Benson e Jill Scott): http://t.co/CFRBWEat
    6 horas atrás
  • Numa carta escrita um ano antes de sua morte, Marilyn Monroe já se despedia: http://t.co/aQGLv7T0
    6 horas atrás
  • Busque um lugar para se hospedar, diretamente com os proprietários, em 19 mil cidades de 192 países: http://t.co/E28pOJhQ
    6 horas atrás
  • Navegue pelo corpo humano em 3D (é mais detalhado do que o aplicativo do Google): http://t.co/vHI5k5gi
    7 horas atrás
  • @myriamkazue Normalmente, não?
    9 horas atrás

parceiros

  • twitter rank


sugestões de livros

  • e eventualmente nojentas de casais escatológicos

sugestões de filmes

POR EM 06/11/2009 ÀS 09:03 PM

A roupa nova do rei

publicado em

Bastardos Inglórios

Fui ver “Bastardos Inglórios”, de Quentin Tarantino, com Brad Pitt, Christoph Waltz e Mélanie Laurent, e fiquei dividido. Por um lado, o filme entusiasma. Tem cenas fortes, atuações elogiáveis, referências cinematográficas, clima de tensão e explosões características de violência. Diversos personagens movem-se em planos diversos. É como se o diretor estivesse cada vez melhor no domínio de sua linguagem.

Mas, ele falsifica a história da Segunda Guerra Mundial, para dar um fim diferente a Hitler. E, no caminho desta falsificação, capricha em algumas tomadas repugnantes. Embrulha o estômago do espectador com papel de presente. O que nem sempre é agradável. Apesar de registrar a caçada de judeus pelos nazistas, felizmente nos poupa de visitas indesejáveis ao martírio dos campos de concentração. Também inverte os papéis e coloca um bando de judeus americanos, os Bastardos Inglórios, para escalpelar nazistas nas imediações de uma Paris ocupada pelos alemães.

Os requintes de crueldade são mostrados de lado a lado. Ingleses e americanos, naturalmente, são perdoados, pela vantagem de enfrentar vilões tatuados com a suástica na testa. A personagem francesa que encara militares germânicos sedutores é dona de um cinema, que servirá para Tarantino vender metáforas e prestar homenagens a artistas que incendiaram as telas, na época da película. Isto em plena fase do cinema digital. O que alimenta discussões metalinguísticas, intermináveis, em mesas de boteco e pizzaria, com chopp e tira-gosto.

Tarantino, agora, expande o poder do diálogo, antes de fazer com que as armas cuspam seus argumentos definitivos. Utiliza o poder do silêncio, como prólogo do cataclisma ruidoso. Neste prólogo, valoriza o desempenho dos atores, gerando atrito e eletricidade. No cataclisma, torna-se ensurdecedor e organiza o caos, na sala de montagem, de maneira frenética.

O que me revoltou: eu ri, em passagens truculentas, para disfarçar o incômodo causado pelo exagero. Mais tarde, Hitler rirá, no cinema, de prazer, ao ver o filme de um alemão, que, do alto de uma torre, dizima uma cidade inteira. Pensei: Tarantino refletiu, na caricatura de Hitler, os críticos e os consumidores de sua violência estilizada. Ao matar o rato, talvez ele tenha feito, de Bastardos Inglórios, uma verdadeira ratoeira. Ainda não decidi se eu caí como um patinho.
 

Bookmark and Share

Comentários (0)



*Obs — todos os comentários são moderados.
Não é aceito nenhum tipo de script ou formatação, caso queira adicionar um link apenas cole o endereço normalmente.

É permitida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia dos editores, desde que citada a fonte.
© Copyright 2009 — Revista Bula — Literatura e Jornalismo Cultural — editorial@revistabula.com


renovatio