Desenho de  Wendy MacNaughton
revista bula

compartilhe



últimos comentários

  • Chega ser desonesto articular a situação ambiental degradante atual à religião, como se doutrinas religiosas fossem reponsáveis pelo buraco na camada de ozônio, por exemplo ou quem sabe pelas tonelada ...

    11 horas atrás por Carlos Rio sobre Pode detonar que Deus recupera
  • Compartilho da mesma angústia. ...

    16 horas atrás por Elizabeth sobre Garrafa ao mar
  • Euler e Elder, obrigado pelos comentários. ...

    16 horas atrás por eberth vencio
  • Caro, lei sempre seus textos. Gosto sempre. Entretanto, quando exagera na conversão de estrangeirismos para a língua portuguesa, fica bobo. Uma sugestão: não deixe de fazê-lo, mas faça com cautela, d ...

    17 horas atrás por Elder sobre A pior coisa que já escrevi na vida

últimas no twitter

  • Respire: 'Summertime' (George Benson e Jill Scott): http://t.co/CFRBWEat
    7 horas atrás
  • Numa carta escrita um ano antes de sua morte, Marilyn Monroe já se despedia: http://t.co/aQGLv7T0
    7 horas atrás
  • Busque um lugar para se hospedar, diretamente com os proprietários, em 19 mil cidades de 192 países: http://t.co/E28pOJhQ
    7 horas atrás
  • Navegue pelo corpo humano em 3D (é mais detalhado do que o aplicativo do Google): http://t.co/vHI5k5gi
    7 horas atrás
  • @myriamkazue Normalmente, não?
    10 horas atrás

parceiros

  • twitter rank


sugestões de livros

  • e eventualmente nojentas de casais escatológicos

sugestões de filmes

POR EM 06/09/2009 ÀS 10:43 AM

Cora, mulher eterna

publicado em

Comemorações pelos 120 anos do nascimento da poeta Cora Coralina demonstram a força de seu legado literário

Cora Coralina

Os versos de Aninha — a das pedras — continuam ultrapassando as fronteiras da antiga Vila Boa. Em breve, ecoarão pela Estação da Luz, em São Paulo. A voz mais conhecida e festejada da poesia goiana (e um dos principais nomes da produção nacional) será tema de uma exposição no Museu da Língua Portuguesa, instalado na lendária estação metro-ferroviária da capital paulista. Cora Coralina é a quinta personalidade da literatura brasileira a receber a homenagem (antes, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Gilberto Freyre e Machado de Assis). Um espaço especial no segundo andar do museu estará reservado à obra da escritora.

A mesma Estação da Luz que recebeu Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas no distante 1924 será palco para a consagrada obra da mais ilustre doceira e poeta de Goiás. O diretor do Museu da Língua Portuguesa, Antonio Carlos Sartini, afirma que comemorar os 120 anos de nascimento da poeta (20 de agosto de 1889) é uma forma de reconhecer sua trajetória heroica, por ser uma artista que surgiu fora dos grandes centros e alcançou grande destaque ainda em vida.

A exposição, patrocinada pelo governo de Goiás por meio da Agência Goiana de Cultura Pedro Ludovico Teixeira (Agepel), em parceria com a Associação Casa de Cora Coralina, será aberta no dia 28 de setembro e permanecerá no museu até o dia 13 de dezembro. O grande objetivo das exposições temáticas do Museu da Língua Portuguesa é criar o hábito de leitura, principalmente entre os estudantes. O museu recebe, diariamente, uma média de mil estudantes. Sartini reconhece que o número de leitores de poesia no Brasil ainda é pequeno, mas acredita que ações como as exposições promovidas no museu podem despertar o interesse do público.

Natural da antiga capital goiana, Cora Coralina viveu em cidades do interior paulista após o casamento com o advogado Cantídio Bretas, chegando à metrópole paulistana em meio a um período conturbado de conflitos de poder. Por quase cinquenta anos, ela permaneceu no estado de São Paulo, até retornar a Goiás aos 67 anos de idade, duas décadas após a morte do marido. O primeiro livro, intitulado “Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais”, foi publicado quando a poeta já alcançava os 76 anos.

O poeta Carlos Drummond de Andrade é apontado como um dos responsáveis pelo reconhecimento literário de Cora Coralina. Foi o mineiro que avaliou a produção da goiana como “poesia das mais diretas e comunicativas que já tenho lido e amado”. A partir daí, a figura simultaneamente frágil e forte de Cora, exprimindo sabedoria e carinho por meio da voz firme e das palavras cuidadosamente escolhidas, tornou-se ícone da histórica cidade de Goiás. Seu lirismo singular e bem-vivido, pungente e nada comedido, transformou-se no hino da poesia goiana.

Assistir a entrevistas gravadas com a poeta na década de 1980 é um exercício de delicado prazer, por suas opiniões convictas e até mesmo polêmicas, ao tratar de sentimentos, do papel social do homem e da mulher ou de política. A Associação Casa de Cora Coralina mantém um bom acervo da poeta na internet. No site da associação (www.casadecoracoralina.com.br) é possível acessar biografia, curiosidades, vídeos, poemas e uma relação dos livros produzidos pela escritora. Além disso, o Museu Casa de Cora Coralina, mantido pela associação na casa da ponte onde viveu a escritora, às margens do Rio Vermelho, é uma das paradas obrigatórias dos turistas que visitam Vila Boa.

A presidente da associação, Marlene Gomes Vellasco, explica que um dos desafios é expandir o legado de Cora para além das fronteiras goianas. Por isso mesmo, a exposição que começa no fim do mês em São Paulo será levada, em 2010, para Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. A associação também se volta para a realização de ações que aliam educação, cultura e turismo, como forma de conquistar e cultivar novos leitores para a poeta. A entidade não deixou o marco dos 120 anos do nascimento de Cora Coralina passar em branco. O Festival Cora Viva Coralina, realizado no final de agosto, foi pontuado pelo lançamento de estudos literários sobre a obra da escritora, pela declamação de seus poemas, por um espetáculo baseado em um conto de sua autoria e até mesmo por um circuito gastronômico com pratos inspirados em versos de Cora.

Fascinar todas as esferas da arte é um dos poderes da poeta vilaboense. Imortalizada por seus versos surgidos de uma aptidão natural para a poesia e marcada pela experiência de viver “nas asas impossíveis do sonho”, Cora Coralina foi festejada em outros setores da cultura. Na música, o maranhense Zeca Baleiro citou a goiana na canção “Meu Amor, Minha Flor, Minha Menina”: “Minha Cora, minha Coralina / Mais que um Goiás de amor carrego / destino de violeiro cego”. O cantor foi um dos destaques do Festival Cora Viva Coralina.

O impacto de Cora Coralina na cultura goiana perdura até hoje. A simplicidade de um poeta engrandece sua poesia, e nesse sentido, a poeta é a “abelha operária, mestra e silvina”, conforme versa o conterrâneo Marcos Caiado no poema “Sempreviva”. Para quem ainda não está convencido da importância de Aninha — a das pedras — na literatura brasileira, Antonio Carlos Sartini, o diretor do Museu da Língua Portuguesa, garante: “Penso que só uma coisa seria melhor que ler seus versos: ler seus versos comendo seus doces! Os versos eu devoro; os doces, infelizmente, não tive o prazer de provar”. Sorte a poesia — e não os doces — ser o melhor alimento para a alma.
 

Bookmark and Share

Comentários (0)



*Obs — todos os comentários são moderados.
Não é aceito nenhum tipo de script ou formatação, caso queira adicionar um link apenas cole o endereço normalmente.

É permitida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia dos editores, desde que citada a fonte.
© Copyright 2009 — Revista Bula — Literatura e Jornalismo Cultural — editorial@revistabula.com


renovatio