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POR EM 23/02/2012 ÀS 10:41 PM

A você, hipócrita leitor, meu igual, meu irmão (por supuesto!)

publicado em

Há algo de muito íntimo em receber um livro com dedicatória: nestes tempos dominados pelo computador e pela pressa, ler algo escrito de próprio punho por pessoa que se estima pode ser uma experiência rara e emocionante

“Para Mercedes, por supuesto”: assim Gabriel García Márquez dedicou, para minha inveja, “O Amor nos Tempos do Cólera” a sua mulher, escancarando todo o seu amor com apenas duas palavrinhas — “por supuesto”. Na edição brasileira que tenho deste livro que há muito tempo acompanha os meus devaneios literários, meu pai escreveu a minha mãe: “Para você, o amor nos tempos do... amor” (romantismo que compensou dedicando “A Terrorista”, de Doris Lessing, com ironia — “Leia, mas não seja”. O conselho deve ter sido seguido, pois o casamento permaneceu firme). Já noutro exemplar, espanhol, um grande amigo me homenageou: “A mi hermano Marcelo Franco, ésta que es la más bonita novela escrita en Latinoamérica en la lengua de Cervantes”. Portanto, mantenho três edições do livro de García Márquez nas minhas estantes sempre atulhadas: uma toda anotada por mim e as duas com dedicatórias — vício de bibliômano. 

Ler com atenção e colecionar dedicatórias é com certeza um dos sinais distintivos da bibliomania. Na verdade, uma das formas de reconhecer um bibliomaníaco é o fato de que lemos de fio a pavio qualquer livro: as orelhas, a dedicatória, as notas de rodapé, as referências bibliográficas e até o colofão. Holbrook Jackson, autor de uma preciosidade criminosamente ainda não traduzida no Brasil, “The Anatomy of Bibliomania”, reservou um capítulo inteiro de seu livro para discorrer sobre o prazer de colecionar livros com pedigree, aqueles que têm dedicatórias ou anotações de quem os possuiu. No meu caso, não sou exceção à regra: venho há anos comprando livros dedicados pelos próprios autores e consegui alguns itens dos quais me orgulho com exagero talvez doentio: Pedro Nava, Afonso Arinos, Erico Verissimo, Rubem Braga... Mas se esta faina de acumulação é estranha, Holbrook também nos lembra que a bibliomania causa menos males do que, diz ele, a “sanidade dos sãos”. Acho que procede (aliás, é curioso que a bibliomania seja vista com estranheza enquanto a cinefilia desfruta de status de atividade essencialmente intelectual. Mas não se animem os cinéfilos: a julgar pelos cadernos de cultura dos jornais, a leitura de quadrinhos já está quase ocupando o seu lugar). 

Tenho fama de ser bom “dedicador” de livros. Amigos pedem-me conselhos quando se sentem embaraçados com a folha em branco e a necessidade de escrever nela algumas linhas para que o presente fique, por assim dizer, mais personalizado. Creio mesmo que esta minha pequena glória não seja imerecida e, para mantê-la, tenho minhas regras e truques. Revelo aqui apenas um: em desespero, grito por socorro — por exemplo, adaptei para uso próprio, muitas vezes, aquela dedicatória feita por meu pai, “Para você, o amor nos tempos do... amor”. Mas, para minha danação eterna, tendo à verborragia quando Cupido entra em cena. Há alguns anos, quando aquela que desorganizou o que estava organizado entrou em minha vida, passei a dar-lhe dezenas de livros, todos com longas e digressivas dedicatórias. Em troca, ganhava dela livros e presentes com cartões — quando havia algum cartão — com poucas linhas, geralmente algo direto do tipo “Para Marcelo” ou “Feliz aniversário”, e essa concisão, comparada com os meus cartapácios, me roubava noites de sono. Não gosto de pensar que meu caos interno tenha ficado preservado em dezenas de dedicatórias amontoadas em estantes alheias (há aí, percebo agora, uma sutil e freudiana forma de poder na relação entre um verborrágico e uma comedida). Contudo, noutras vezes acertei, ainda que também estivesse confuso: a uma mulher especial que meus transtornos não permitiram que fôssemos além, digamos, de uma espécie de modus vivendi sentimental, dei “Amor em Veneza”, de Andrea di Robilant, e, aproveitando o próprio título impresso na folha de rosto, escrevi: “Para B., AMOR EM VENEZA — e também em Goiânia”. Em “O Complexo de Portnoy”, de Philip Roth, estruturado como se fosse uma longa sessão de análise, apenas repeti a única frase que o psicanalista diz a Portnoy depois de mais de duzentos e cinquenta páginas de reclamações do seu paciente (talvez, imagino, como reconhecimento da minha própria tagarelice): “Para B.: agora a gente pode começar?”. Tenho o consolo de pensar que ela, daqui a muitos anos, possa dar de cara por acaso, numa tarde preguiçosa ou numa noite insone, com esses livros perdidos nas estantes e, lendo o que escrevi, sinta condescendência pela minha desorganização sentimental, ternura pelo pouco que tivemos e uma vaga decepção pelas promessas não cumpridas dessas dedicatórias. 

(Sigo pela senda romântica e me traio revelando outro truque: para os namorados, os sonetos de amor de Camões nunca falham. Ninguém resistiria a estes versos, ainda que eventualmente transcritos sem menção ao autor: “Mas, conquanto não pode haver desgosto/Onde esperança falta, lá me esconde/Amor um mal, que mata e não se vê://Que dias há que na alma me tem posto/Um não sei quê, que nasce não sei onde,/Vem não sei como, e dói não sei por quê”. Ou estes: “Porque é tamanha a bem-aventurança/O dar-vos quanto tenho e quanto posso/Que, quanto mais vos pago, mais vos devo”. Usem, mas não espalhem a ideia. Ou usem e digam que os versos são do Renato Russo.) 

Há um clássico problema decorrente de dedicar livros: pode-se encontrá-los num sebo. Como agir? Bem, há o método “Naipaul” e o método “Shaw”. Parece que V.S. Naipaul teria encontrado um livro por ele dedicado a Paul Theroux, seu amigo fraterno transformado desde então em inimigo íntimo. Já George Bernard Shaw viu num sebo um livro que dedicara certa vez a alguém, comprou-o e dedicou-o novamente — a primeira dedicatória: “Para ..., com afeto, G.B.S”; a segunda: “Para ..., com renovado afeto, G.B.S.”. 

Se essas histórias são realmente verdadeiras, não sei, mas um passeio por sebos em Goiânia mostra amizades e amores traídos à venda e, o que talvez seja pior, expostos à permanente curiosidade de quem nem mesmo pretende comprar aqueles livros. Recebi de amigos algumas pérolas como dedicatórias, como “Marcelo, se já tiver este livro, devolva-o a mim”, ou outra, feita num exemplar de “Jaime Bunda, o Agente Secreto”, do angolano Pepetela, que o pudor, meu casto leitor, me impede de transcrever aqui. Se fosse eu o autor de tão elegantes linhas, não gostaria de vê-las tornadas públicas. Talvez a solução seja usar o clássico “Com amizade” e assinar apenas o primeiro nome, o que diluiria a possibilidade de reconhecimento. 

Percebo que derivei pelo rumo das dedicatórias feitas por quem presenteia o livro, então voltemos à vaca fria das dedicatórias feitas pelos próprios escritores. Tenho as minhas preferidas. De imediato, lembro-me de “O Pequeno Príncipe”. Se o encanto do livro perdeu-se por conta das excessivas referências em concursos de miss, ao menos ainda podemos nos deliciar com a dedicatória de Antoine de Saint-Exupéry a Léon Werth. Primeiro, ele pede perdão às crianças “por dedicar este livro a uma pessoa grande”; depois, explica os seus motivos; por fim, ele se emenda: “Todas as pessoas grandes foram um dia crianças. (Mas poucas se lembram disso.) Corrijo, portanto, a dedicatória: a León Werth quando ele era pequeno”. 

Muitas outras são as dedicatórias famosas na literatura mundial, desde a de Cervantes, que suplicou longamente ao Duque de Béjar, Marquês de Gibraleón, Conde de Benalcázar e de Bañares, Visconde de Puebla de Alcocer, Senhor das Vilas de Capilla, Curiel e Burgillo para que recebesse o seu “O Engenhoso Fidalgo D. Quixote de La Mancha” sob sua proteção, até a de Baudelaire, que encerrou o poema-dedicatória de “As Flores do Mal” com esta quadra (na tradução de Ivan Junqueira): “É o Tédio! — O olhar esquivo à mínima emoção,/Com patíbulos sonha, ao cachimbo agarrado./Tu conheces, leitor, o monstro delicado/— Hipócrita leitor, meu igual, meu irmão!”. Da pusilanimidade lamurienta à ofensa descarada, pode-se dizer. No Brasil, fiquemos com Machado, que fez Brás Cubas iniciar as “Memórias Póstumas” com uma mórbida — e hoje famosa — dedicatória: “Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver, dedico com saudosa lembrança estas Memórias Póstumas”. O grande Harold Bloom, que considera Machado de Assis uma espécie de milagre, recusa-se a citar essa dedicatória em “Gênio” por achá-la “terrível demais”. Não me consta que o verme tenha reclamado. 

Mas esses momentos de pura literatura na forma de dedicatória são exceções. Uma rápida olhada nos livros atulhados na imensa bibliopola de livros não lidos em que se transformou meu apartamento parece mostrar que mesmo os grandes escritores são adeptos da simplicidade na hora de dedicar os livros que, com certeza, custaram a eles angustiosas horas de ponderações sobre le mot juste — há uma infindável coleção de dedicatórias reduzidas ao mínimo possível: “Para Ida” (Ralph Ellison, “O Homem Invisível”); “Para H.L.” (Philip Roth, “Nêmesis”); “A Phil Stone” (William Faulkner, “O Povoado”); “A Pilar” (José Saramago, “Todos os Nomes”). Às vezes pode ser divertido, mesmo nas mais sucintas dedicatórias, acompanhar as mutações de afeto, como no caso de Hemingway, que começou com “Este livro é para Hadley e para John Hadley Nicanor” (“O Sol Também se Levanta”), homenageando a primeira mulher e o filho, passou por “Este livro é para Martha Gellhorn” (“Por Quem os Sinos Dobram”), sua terceira mulher, e terminou com “A Mary, com amor” (“Do Outro Lado do Rio, Entre as Árvores”), a quarta e última esposa. Não sei se Vinicius de Moraes seguiu o mesmo exemplo, mas, se o fez, talvez não tenha escrito livros suficientes para todas as musas. 

André Gorz e sua mulher DorinePorém, há quem consiga endurecer sem perder a ternura. A crítica literária Cristina Nehring, no curioso “Em Defesa do Amor”, não deixa de ser amorosa ao mesmo tempo que é sucinta: “Transeunte, amante, guerreiro, idealista: este livro é para você”. E há o oposto das homenagens mínimas, os livros que são eles mesmos longas dedicatórias, geralmente escritos para narrar histórias de pessoas queridas que já morreram ou que estão doentes: o jornalista Calvin Trillin, por exemplo, escreveu o belo e surpreendentemente engraçado “Sobre Alice” depois da morte de sua esposa, que foi o que também fez Joan Didion, autora de “O Ano do Pensamento Mágico”, sobre a morte do marido e a doença da filha. Mas o campeão da categoria de dedicatória em forma de livro é, claro, “Carta a D.”, que o filósofo André Gorz escreveu para sua moribunda companheira de toda a vida — o livro começa com estas palavras que nunca deixam de me emocionar: “Você está para fazer oitenta e dois anos. Encolheu seis centímetros, não pesa mais do que quarenta e cinco quilos e continua bela, graciosa e desejável. Já faz cinquenta e oito anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. De novo, carrego no fundo do meu peito um vazio devorador que somente o calor do seu corpo contra o meu é capaz de preencher”. Uau! (Gorz depois fez outra, digamos, dedicatória à esposa desenganada: matou-se com ela em um pacto suicida.) 

Há algo de muito íntimo em receber um livro com dedicatória: nestes tempos dominados pelo computador e pela pressa, ler algo escrito de próprio punho por pessoa que se estima pode ser uma experiência rara e emocionante. E há sempre o prazer de tentar descobrir novos significados naquilo que a aparente simplicidade das palavras pode ocultar por tartufice. Anne Fadiman, autora de “Ex-Libris: Confissões de Uma Leitora Comum”, um livrinho que eu lamento não ter escrito, lembra que escrutinar as palavras da dedicatória feita por uma pessoa amada é exercício comum de namorados aflitos — a depender da ênfase dada a cada palavra, declarações de amor eterno podem surgir. Eu mesmo passei noites e noites na companhia de Jacques Derrida para desconstruir uma longa dedicatória que trazia, no segundo parágrafo (havia cinco), estas palavras: “Gostar de beleza é fácil. E, surpreendentemente, quando ela se apresenta de maneiras inesperadas é ainda mais fácil”. Ainda não entendi por que o inesperado seria mais fácil, e deve ser por isso que perdi a moça e mantive o livro (e creio que fui chamado de feio). Também já ganhei uma coletânea das tragédias de Shakespeare na qual uma esperançosa admiradora escreveu: “Para Marcelo, a fim de que um dia entenda”. Passaram-se quase vinte anos, entro a passos largos na meia-idade e ainda não entendi. Aliás, não entendi nem mesmo o que seria aquilo que deveria tentar entender — não entender tem sido o meu fado. 

Outra digressão: é também Fadiman, citando o nosso já mencionado Holbrook Jackson, que lembra a proeza de Lorde Byron escrevendo duzentos e vinte seis palavras para a Condessa Teresa Guicciolini num exemplar de “Corinne”, de Madame de Staël. O fogoso poeta terminou sua dedicatória com um apelo de fidelidade: “Eu mais do que a amo, e não consigo parar de amá-la. Pense em mim algumas vezes quando os Alpes e o oceano nos separarem — mas eles jamais o farão, a menos que o desejes”. Falta-me o título de nobreza, mas ao menos empato com Byron em matéria de verborragia e excessos melosos.) 

Como tudo na vida, há regras a serem obedecidas, pois descubro — ainda no livrinho de Fadiman — que existe uma etiqueta para a dedicatória: devemos escrever no falso-rosto, pois a folha de rosto é reservada para o autor do livro. Ora, ora. Eu, como a própria Fadiman, venho há anos estragando centenas de folhas de rosto — quando estou inspirado, começo no falso-rosto, passo ao seu verso, continuo na folha de rosto e de novo no verso. Volto às minhas estantes e vejo, surpreso, que muitos dos livros a mim dedicados o foram corretamente. Por que ninguém me disse isso antes? (A propósito: a suprema falta de elegância seria dedicar um livro de etiqueta na folha de rosto?) 

Sim, tudo isso é de pouca importância e pequeno e talvez seja somente o exercício de minúsculas vaidades em meio a agitações desnecessárias, mas nossas glórias e tragédias cotidianas são também pequenas e desimportantes (foi Shakespeare quem escreveu que as maneiras que falhamos a vida são a própria vida?). Por isso, sei que tenho em mim uma dedicatória ainda não escrita e que porei num livro que ainda não comprei e com o qual presentearei uma pessoa que ainda não conheci — e meu pequeno momento de sinceridade e desnudamento poderá ser uma aragem numa calmaria entediante ou uma bonança depois de um cataclismo. Ou, caso eu consiga transmitir pelas palavras meus sentimentos mais profundos, talvez fique, tal qual marca feita com ferro em brasa, como memento do encontro da minha vida imprecisa e vã com essa outra vida que terá me levado a escolher um livro e nele depositar as minhas próprias palavras, algo sagrado para mim, que sempre tento, e não consigo, entender os mecanismos de funcionamento do mundo nos livros. E, não fôssemos nós humanos tão pouco atentos ao próximo, tudo isso poderia ser também — ah, suprema glória! — sagrado para quem receber na forma de dedicatória meus pequenos e sobretudo tristes instantes de fraqueza e, compreendido o caráter ritualístico de um gesto só na aparência menor, porventura minhas palavras possam abrir uma brecha no entendimento de tal pessoa por ora apenas imaginada e iluminá-la para que perceba que se render ao amor ainda pode ser uma das riquezas de nossas vidas. Sim, há esse livro no qual escreverei palavras talvez aflitas ou talvez resignadas, e haverá uma pessoa que as receberá — por supuesto.

     

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Comentários (34)

  • Marcelo, dedicatórias também servem para estimular a leitura. Lembro-me que li 1984, de George Orwell, estimulada pela dedicatória que acompanhou o exemplar, presente de nosso pai a nossa mãe, em dezembro de 1983: "O gênio de Orwell nos ameaça com um 84 inquietador, que está chegando. Vamos conhecê-lo para enfrentá-lo. Juntos, com gana e fé. E Amor." 8/12/83 - Dia da Justiça.

    2 meses atrás por Elisa Franco de Assis Costa
  • Marcelo, aqui vai a dedicatória do livro com que ainda te presentearei: " Ao amigo, por quem minha admiração e apreço, dele desconhecidos, aos outros aparentemente óbvios, inveja e maledicência provoca." E depois, a parte final, para a loucura e revolta dos maus: "Te adoro."

    2 meses atrás por Patrícia Moreira de Souza
  • Brilhante!

    3 meses atrás por Inácio Mariz
  • Texto apaixonante!!

    3 meses atrás por Socorro Codta
  • Recebi, nesta semana, um livro dedicado do meu marido - hábito entre nós. E um amigo que teve acesso ao livro e à dedicatória publicou em meu mural o endereço deste maravilhoso artigo.Ah, que prazer!...

    3 meses atrás por adriana abreu
  • Gênio. Parabéns.

    3 meses atrás por Cristiane
  • Que delícia de texto. Parabéns Marcelo.

    3 meses atrás por Renata Monteiro
  • Para mim, sempre é um desgosto quando encontro um livro com uma dedicatória do escritor, num sebo. Mas, fiquei atordoada mesmo foi no dia em que me deparei com um livro de poemas, com uma dedicatória linda e muito íntima, do escritor para alguém que também parecia ser próxima dele. Primeiro porque não imaginava encontrar um livro com uma dedicatória daquela, num sebo. Depois, porque era um livro de poemas e, poemas, costumam expor o poeta em vísceras. Aquilo me perturbou imensamente e comprei o livro pensando em proteger o autor daquela situação. Mais tarde, um amigo escritor diminuiu minha raiva dizendo que podia ser alguém que havia recebido uma biblioteca de herança e tinha se livrado dos livros. Penso que não deixar que um livro com uma dedicatória do escritor chegue a um sebo é o mínimo de consideração que alguém deveria ter com o autor que o presenteou.

    3 meses atrás por Margareth Giglio
  • Deliciosa declaração de amor aos livros, às dedicatórias, à B e à R, também. Jamais mandaria embora de mim um livro dedicado. Parabéns!!!

    3 meses atrás por Angela Regina de Freitas
  • Então o negócio é o seguinte: erretes versus bezetes. R. contra B. Vai, Marcelo, conte-nos: quem é R.? R., apareça!

    3 meses atrás por claudia
  • Todo apaixonado por livro é, consequentemente, apaixonado por uma bela dedicatória. As escritas pelos autores, de próprio punho, então, são fantásticas.
    Seu texto delicioso me lembrou uma página que encontrei recentemente - não sei se foi aqui mesmo - mas emocionante: http://eutededico.tumblr.com/ Nela, fotos de livros com suas dedicatórias e as palavras transcritas. Lindo demais - o seu texto e a página.
    Abraço

    3 meses atrás por Sofia Amorim
  • por mim, marcelo franco podia percorrer todo o alfabeto....e acho que deviam colocar papel carbono nos livros, pras dedicatórias passadas, entregues e perdidas não nos atormentarem, por supuesto...

    3 meses atrás por barbara gigonzac
  • Olá, meu caro. Dedico a você esses pequenos elogios ao seu texto, verborrágico, mas não cansativo; exauriente, mas não pedante; culto, mas não prolixo; revelador, mas não piegas. Conheço bem as nuances que levam ao jorro de ideias em profusão caudalosa; acho que temos a mesma doença. Parabéns.

    3 meses atrás por Neto
  • Excelente!!!!!!!!!!!!!


    3 meses atrás por Eduardo Pereira
  • Francamente, Marcelo! Várias vezes tive crises de riso enquanto lia! Obrigado novamente por seu texto, elegante, consistente e tão bem humorado. Diversão e leitura se dão muito bem, não é? Com relação à questão de R., acredito que entrará para o roll dos mistérios: quem é Rosebud, Capitu aprontou ou não, clarice lispector escreveu aquilo que é creditado a ela na internet? E ainda tem essa polarização entre erretes e as anti-erretes! A coisa mais interessante ainda. Abraços

    3 meses atrás por Cesar Centofanti
  • Belíssimo texto,lindooooo já li 2 vezes, prestarei mais atenção nas dedicatórias..rs

    3 meses atrás por Noemi
  • Marcelo Franco, quando é que você escreverá um texto ruim? (hehehehehe) Parabéns por mais essas belíssimas letras, Franco. E, mais uma vez, obrigado pelo livro do Nava e pela dedicatória que tanto me alegram.

    3 meses atrás por Edmar Oliveira
  • Marcelo, dedicatórias é a melhor forma de demonstrar a importância de quem está recebendo um livro. Tenho alguns livros que guardarei para toda a vida, como "Naqueles morros, depois da chuva" do Edival Lourenço que afetuosamente escreveu "Ao prezado Ricardo Silva Oliveira com admiração e apreço". Essas curtas palavras me ganharam. Ou ainda a humilde dedicatória do nosso querido editor, CW: "Para Ricardo, um pouco da minha poesia".

    Sempre fico amuado quando ganho um livro que vem sem dedicatória, que é dado assim de forma quase ríspida, como se vocês estivesse dando algo às pressas e por obrigação.

    Minha biblioteca é parca, muito raro eu comprar livro e mais ainda ganhá-los (ganho muito mais dos amigos espalhados por aí dos que estão próximos), mas cada livro que possuo, tenho um carinho diferente. E, pra cada livro que ganho, tenho um afeto distinto. Escrever à mão uma dedicatória sincera é dar ao livro um calor muito mais humano do que ele já possui, o calor que vai além da transpiração de quem o escreveu; o calor de quem o leu e lembrou de você durante a leitura, e não existe nada que eternize mais algo ou alguém do que as lembranças; como diria Carlos Ruiz Zafón, no livro "A Sombra do Vento": "Cada livro, cada volume que você vê, tem alma. A alma de quem o escreveu, e a alma dos que o leram, que viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro troca de mãos, cada vez que alguém passa os olhos pelas suas páginas, seu espírito cresce e a pessoa se fortalece."

    3 meses atrás por Ricardo Silva
  • Perdi o fôlego lendo seu texto. Parabéns, é lindo.

    3 meses atrás por Fernanda P.
  • Marcelo Franco ainda vai publicar um livro inteiro sobre R. Sou curiosa: quem é R.?

    3 meses atrás por Rejane
  • Fantástico. Olharei minhas dedicatórias de outras forma.

    3 meses atrás por Luana
  • Ah, Marcelo!!!! Texto lindo! Engraçado, as dedicatórias sempre me chamaram atenção. Ao terminar de ler o livro, voltava à dedicatória e ficava pensando sobre a importância do homenageado, a relação dessa pessoa com o conteúdo do livro, o que o autor quis dizer com sucintas palavras, etc e etc. Mas enquanto o seu livro não vem para que eu vá direto na dedicatória, guardo uma linda coletânea do Frank Sinatra em que me desejas 100 anos em italiano! Abraços!

    3 meses atrás por Lara Melo Oliveira
  • Quero ser R. Ou quero ser B. Ou A., C., D., E.... Fosse eu R., já teria me casado ali pelo terceiro texto. Agora a bola está com B.? Já sabe: sou C.

    3 meses atrás por Cíntia Gouveia Silva Costa
  • Já eu sou a favor de B. - a julgar pelos textos, R. parece fria. Será que apreciou ser citada?

    3 meses atrás por Janaína
  • Este assunto é muito sedutor pra mim, só q ao contrário de você, até então eu tinha um sentimento ruim quando num sebo deparava com um livro com dedicatória escrita pelo próprio autor. Me sobe um gosto amargo na boca pois quando ganho uma dedicatória num livro, nada mais ali dentro supera o valor destas palavras manuscritas, e vendê-lo fica parecendo uma traição.

    Um dia aqui em Curitiba estava procurando por um livro do Jamil Snege (cuja obra só se encontra em sebo, e ainda com alguma sorte) e o livreiro me trouxe o exemplar raro e anunciou à guisa de alvíssaras: está com dedicatória! Eu fiz aquele muxoxo e disse: que pena! Ele diminui alguns centímetros diante de mim e nada entendeu mas acabou me dando desconto, e aí foi minha vez de ñ entender...(risos). Mas lhe digo que a partir do seu delicioso texto meu olhar para as dedicatórias com certeza será com outras lentes. Um abraço.


    3 meses atrás por Vanessa
  • Parabéns, amigo. Mais uma vez, excelente texto. Tenho sorte de colecionar algumas de suas dedicatórias, não é?

    3 meses atrás por cyntia melo rosa
  • Que história é essa de B.? Não queremos B., queremos R.!

    3 meses atrás por Claudia G.
  • Marcelo Franco nos apresentou a R. e acompanhamos seus desencontros por seis textos. Neste último texto, não houve R. Ora, torcemos por R. e Marcelo (outras querem ser R.). Por isso, estou lançando o movimento "Queremos R. de Volta".

    3 meses atrás por Fernanda Costa
  • Que belo! Que belo ler algo assim sobre dedicatórias, sobre livros, e sobre o amor nos tempos do computador e nos tempos do... amor, não! Do amor nos tempos da cópula.

    3 meses atrás por Cássia
  • Marcelo, conheci seus textos hoje e já poderia escrever uma carta de amor sobre eles. Mas me disseram que elas são ridículas. E mesmo que fosse da minha vontade, não teria um vocabulário tão complexo para que você não entendesse o que quero dizer. Então não escreverei uma carta de amor. Apenas direi que quero mais.
    Quero mais :).

    3 meses atrás por Gabriella B.
  • Como é possível alguém escrever tão bem assim?

    3 meses atrás por Gloria
  • Caríssimo Marcelo, o seu texto é a melhor dedicatória a nós leitores. Parabéns!

    3 meses atrás por Francisco Perna Filho
  • Chorar lendo esse texto, parar a leitura e ir pesquisar sobre Vinícius (e ver meu mundo cair ao constatar que ele era um Dom Juan) e voltar a ler e chorar de novo, pode? Vi meu avós nesse trecho "Você está para fazer oitenta e dois anos. Encolheu seis centímetros, não pesa mais do que quarenta e cinco quilos e continua bela, graciosa e desejável. Já faz cinquenta e oito anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. De novo, carrego no fundo do meu peito um vazio devorador que somente o calor do seu corpo contra o meu é capaz de preencher” (eles farão 57 anos de casados em junho, mas minha vó, graças a Deus tá mais gordinha) e lendo e relembrando deles, chorei tb.

    Como vc escreve lindo, Marcelo, e como ler vc me enriquece!
    Antes de terminar eu já sabia quem era o autor (sem olhar, juro). É mt seu mesmo se entremear nas histórias dos livros e nos levar com vc.
    Obg por escrever e obg Carlos, por esse espaço tão intensamente delicioso.

    Bjo


    3 meses atrás por @cacau_mila
  • Magistral, seus textos são escritos para inspirar.

    3 meses atrás por Luiza


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