POR MENALTON BRAFF
EM 02/02/2009 ÀS 05:59 PM
Uma história de ratos
publicado em colunistas
Cida, além de hipocorístico de Aparecida (o nome) pode também ser o radical de origem latina para aquele ou aquela que mata. Herbicida, fratricida e assim por diante. Curioso a respeito da origem das palavras, no meu tempo de escola recebi um prêmio por saber que aquele que mata a esposa é uxoricida. Muito simples: basta saber que “uxore”, em latim, é mulher casada, portanto, esposa. Na verdade meu latim nunca foi lá dos melhores, apesar de não lhe ter inimizade. O que me aconteceu, nessa história do prêmio, é que tive uma sorte que só hoje, e depois de tantos anos, tomo coragem e revelo: uma semana antes tinha encontrado a palavrinha esquisita num texto de cujo teor já não me lembro, e, curioso, corri ao dicionário. Foi um assombro. Recebi muitos elogios do professor e criei fama de filólogo, coisa que nunca fui nem pretendo ser. Ainda mais agora, com essas reformas que se estão propondo para enlouquecer os pobres dos alunos. Alguém por aí entendeu o emprego do hífen? Então, por favor, me ajude.
Mas de cida, como radical latino, vamos descambar para assunto mais proveitoso, pois vamos falar de indústria. A casa de meu sogro vem sendo visitada quase todas as noites por uma ou mais ratazanas, que aparecem depois de todos já dormindo e apenas deixam as marcas dos dentes no sabão. Na minha opinião, é uma só. Mesmo assim, os progenitores de minha mulher acharam que não estava certo isto de sair uma ratazana por aí comendo o sabão dos outros.
A sugestão de se usar um raticida foi minha e, num instante, estávamos no balcão de uma casa especializada. Meu sogro, cauteloso e previdente, comprou dois tipos de veneno. O primeiro era um tablete meio pastoso e escuro, que deveria, de acordo com o vendedor, ficar amarrado para que o rato não o levasse embora. O segundo era formado de cristais coloridos de vermelho. Uma coisa que a gente até poderia confundir com um açúcar colorido. Eu estava do lado e sou testemunha de que nas duas embalagens vinha a palavra “raticida”.
Pois bem, minha conclusão é a de que o radical já não significa coisa nenhuma. Outra hipótese é a de que os produtos industriais já não nos merecem a menor confiança.
Explico: uma semana passada, o tablete não foi ao menos farejado, porque não se moveu do lugar nem sofreu qualquer deformação em sua estrutura de tablete. Aquele açúcar avermelhado, porém, vem alimentando a ratazana. Todas as noites meu sogro bota no caminho do pequeno mamífero da família dos murídeos três tampinhas de garrafa repletas do açúcar. Dá-nos a impressão de que se trata da ração adequada, pois o sabão tem ficado em paz e as latinhas amanhecem, invariavelmente, vazias.





