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POR EM 08/05/2009 ÀS 06:43 PM

Uma força pra mãe natureza

publicado em

O dia das mães chegou e vou falar aqui da mãe de todas elas, a mãe natureza.

Esta coitada padece em plena Terra, pois trabalha dia e noite, noite e dia sem sossego. Já criaram até uma expressão pro batente pesado e cotidiano dela: “serviços ambientais”. Por exemplo, ela realiza a fotossíntese e com isto retira o gás carbônico da atmosfera, que segundo alguns entendidos e muitos alarmistas, esquenta nossas cabeças.

Neste mesmo processo de produção primária, ela libera oxigênio aumentando o nosso fôlego, e elimina vapor d’água resfriando, mais uma vez, nossos dias quentes de crianças que insistem em exercer seus pequenos e podres poderes.

E o lixo, então. Ela não se contenta em levá-lo para fora. Tem o costume de decompor a matéria orgânica morta nas florestas e campos, ao mesmo tempo que consegue absorver os nutrientes liberados neste processo, através das raízes da plantas. Pois é, fala-se tanto em reciclagem, mas isto já é assunto e prática antiga daquela que não dorme enquanto eu não chegar, aliás não dorme nunca...

Pra piorar, decididamente, não somos bons filhos. Apesar dos esforços de alguns, a maioria ainda tem o costume de degradar a terra, não evitar erosões e usar rios como depósito de esgoto (largar o chinelo na sala é o de menos).

Tudo isto tem enervado a mãe Terra, que responde com extremos de humor: ou deixa esturricar ou manda baldes de água. TPM? Difícil dizer. De qualquer modo estas oscilações bruscas estão dentro do esperado pelos modelos climáticos mais recentes e que há pelo menos uma década têm mostrado o aumento da ocorrência dos extremos de variabilidade climática.

Num editorial de três anos atrás no periódico “Global Environmental Change”, o cientista Steve Ryner já avisava: é necessário aumentar a capacidade buffer das cidades para suportar estes eventos mal humorados da mãe Terra. Assim, além de replantar a mata galeria e aumentar a área verde para evitar enchentes, é necessário reformar o ambiente das cidades, através de práticas de Engenharia Ecológica. Para isto, é preciso delinear procedimentos de restauração ecológica, com base nos exemplos naturais usados pela natureza para reformar sistemas degradados.

O principal modelo de trabalho da mãe natureza é a sucessão ecológica, isto é, a substituição seqüencial de espécies em clareiras de florestas, áreas agrícolas ou mesmo terrenos baldios em cidade. Assim, este exemplo começa a ser seguido pelos filhos quando eles realizam intervenções que iniciem e ou acelerem a sucessão ecológica de uma área, pois a introdução de certas espécies num ambiente degradado facilitará a chegada e o estabelecimento de outras, já que as primeiras adicionarão nutrientes ao solo, aumentarão a umidade e amenizarão a temperatura com o sombreamento. As interações desta nova comunidade poderão, com o tempo, retomar os serviços ambientais paralisados com a degradação.

Em 2000, ao custo de 30 milhões de euros, instituições alemãs iniciaram a restauração ecológica de um trecho de 8 km do rio Isar que atravessa a cidade de  Munique. Os objetivos principais eram o de deixar o rio seguir seu próprio e original regime de fluxo hídrico, suportando os distúrbios naturais, com condições de receber as enchentes em suas áreas de inundação e recompor a fauna aquática (peixes e invertebrados).

As ações no Isar foram pra valer com as retiradas das estruturas de canalização antrópicas, o alargamento do leito e a criação de “piscinas” de cascalho, que compunham o sedimento original do rio e permitiram o re-estabelecimento da fauna até então perdida. É importante notar que o conhecimento das características originais, é oriundo da análise de um trecho do mesmo rio que nunca foi degradado, algo ainda possível de se realizar em alguns rios brasileiros.

Assim, o rio Isar que já foi usado para transporte, geração de energia elétrica e carreamento de esgotos para longe da cidade, está agora em plena restauração ambiental com os alemães já podendo nadar em seu leito, mais limpo e belo. Além disso, a resiliência do rio, isto é, a capacidade de resistir e se adaptar às grandes fúrias da mãe natureza aumentou.

Os brasileiros ainda têm muito o que fazer para agradar mamãe. O tempo tem mostrado que ela não nega auxílio aos que se dispõem a seguir seus passos na restauração ambiental. Afinal, ao contrário do que diz a lenda, coração de mãe é de quem se esforça para lá entrar.
 

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