Desenho de  Wendy MacNaughton
revista bula

compartilhe



últimos comentários

  • Euler Belém, como sempre, afinadíssimo. ...

    33 minutos atrás por Carlos Augusto Silva sobre Paulo Francis vive
  • o sentimento não tem explicação e nem utilidade prática, está acima da razão prática do dia-a-dia. Sentir é melhor do que racionalizar ou buscar explicação prática os sentimentos. Eu gosto de jazz, es ...

    1 dia atrás por Linkowski sobre Uma coisa inútil
  • Gosto do cinismo do Vêncio, se der pra ser considerado assim. E como ele, "[...] eu tenho convicção que a humanidade nunca esteve tão boazinha." ...

    1 dia atrás por Chiyoko Gonçalves sobre MMA: bate que eu gosto
  • Respeito o comentário, mas discordo do Rodrigo Molina. Procurar alguém que entenda, é apenas ratificar o "esporte". Penso que o autor entende(embora não seja especialista). E é, justamente aí, que est ...

    1 dia atrás por MAURILHO TEIXEIRA sobre MMA: bate que eu gosto

últimas no twitter

  • @magopaco Haha. Boa.
    30 minutos atrás
  • @bqeg Valeu. Estou treinando para aquele confronto. Rs.
    30 minutos atrás
  • @bqeg Qual id da PSN?
    40 minutos atrás
  • @neiduclos DM...
    1 hora atrás
  • Os 80 maiores clássicos do blues para ouvir on-line | Revista Bula http://t.co/Jp77X4Bh
    1 hora atrás

parceiros

  • twitter rank


sugestões de livros

sugestões de filmes

  • O Homem de La Mancha, com Sophia Loren

POR EM 05/06/2009 ÀS 06:43 PM

The devil

publicado em


Deus é um conceito
Pelo qual nós medimos a nossa dor
Eu não acredito em mágica
Eu não acredito em I Ching
Eu não acredito na Bíblia
Eu não acredito em tarot
Eu não acredito em Hitler
Eu não acredito em Jesus
Eu não acredito em Kennedy
Eu não acredito em Buda
Eu não acredito em mantra
Eu não acredito em Gita
Eu não acredito em ioga
Eu não acredito em reis
Eu não acredito em Elvis
Eu não acredito em Zimmerman
Eu não acredito nos Beatles
Eu só acredito em mim
Em Yoko e em mim
E isto é uma realidade
O que posso dizer?
O sonho acabou

“God”, John Lennon

Ontem tive uma raiva visceral que há tempos não nutria por alguém. Empalideci. Os lábios adormeceram. A saliva secou na boca. As orelhas inflamaram. Os olhos se tingiram com as cores do mal. Todos os sentidos em meu corpo se exercitaram durante dez minutos de ódio. Fui fraco, impulsivo, um humano com intenções desumanas.

Por sorte, eu conversava com o interlocutor por telefone. Se estivéssemos juntos, frente a frente, um mirando os olhos endiabrados do outro, talvez rolássemos pelo chão como cachorros brigando por comida ou por uma cadela. Foi melhor assim. Alimentei sentimentos primitivos. Hoje, resignado, eu escrevo esta crônica e a dedico não ao déspota que insuflou em mim os instintos mais rasteiros, mas ao episódio por si só edificante. Há que se aprender com as misérias dos dias.

Não vou detalhar os fatos e nem citar nomes, para evitar do canalha um Direito de Resposta, ou mesmo fomentar a saga de advocacias perniciosas. O entrevero deveu-se à quebra de compromisso comercial entre nós. Alegando ser um empresário prático,  objetivo, movido por “resultados” e coisa e tal, o antiético rompeu sem aviso prévio nem consideração um contrato de parceria firmado em papel com tinta de caneta MontBlanc e cordiais apertos de mãos. Assim como fez um Deputado Federal lá no Congresso, em deplorável lapso de dignidade, o sujeito declarou estar se “lixando” comigo ou com as conseqüências da quebra contratual. Desisti daquele homem condenando-o ao silêncio. Se ele não tinha escrúpulos, não teria também remorsos. Da mesma forma, desejei que os eleitores do deputado espúrio dele se vingassem, negligenciando os votos em pleitos futuros. Vivendo e aprendendo a jogar...

Atualmente, vários profissionais ganham a vida (e alguns até mesmo fazem fortunas) ensinando as pessoas a conviver. Proliferam as empresas especializadas em “gestão de pessoas”, contratadas para quebrar as inúmeras tensões e melhorar o ambiente de trabalho nas empresas. Em nível familiar, psicólogos e especialistas em comportamento pelejam para soerguer estruturas familiares um tanto despedaçadas: conflitos conjugais diversos, atritos entre pais e filhos adolescentes, degeneração das relações interpessoais por conta da intolerância, do egoísmo, da inveja, da ganância por dinheiro e dos vícios. Relações humanas: eis aqui um assunto animal.

Os embates entre as pessoas estão presentes em todos ambientes: nas famílias, nas escolas, nas ruas, no trabalho, nos parlamentos e até entre as nações. Muitas vezes, tenho a impressão que os diplomatas ganham uma fortuna e trabalham quase nada, mas não deve ser assim. Nas manchetes dos principais jornais mundo afora, os líderes e autoridades importantes como a ONU condenaram o Governo da Coréia do Norte por causa de um recente teste nuclear subterrâneo, absurdo, provocativo. Incoerência e irracionalidade podem principiar brigas entre adolescentes viris, confrontos de torcidas dentro de um estádio de futebol, ou guerras entre nações. Embora tenham proporções diferentes, são conflitos em que a intolerância reina.

Se ainda estivesse vivo, se não tivesse sido baleado pelas costas por um estranho na cidade de Nova Iorque, John Lennon talvez compusesse uma nova versão para “God”, uma “God Number Two” acrescentando novidades a sua lista de incredulidades (eu não acredito em Saddam / eu não acredito em Pyongyang / eu não acredito na ética entre os políticos / eu não acredito em livros de auto-ajuda / eu não acredito em dízimos /  etc...).

Ontem, quando cheguei em casa encharcado de mágoa, deparei com as notícias televisivas divulgando o teste nuclear norte-coreano, agressão estúpida à natureza e à humanidade. Mais tarde, no início da madrugada, enquanto eu lia os capítulos derradeiros da mais recente biografia de John Lennon, escrita por Philip Normam, bati os olhos em “God” e o “link” foi instantâneo. Tive um dia repleto de sentimentos paradoxais. Entretanto, dormi um sono pesado e profundo. Nem sonhos, nem pesadelos. Noite isenta de remorsos. De manhã, acordei bem mais leve do que dormira. Leve como uma nuvem de gás sarin sobre uma aldeia de curdos indefesos.

Ah... traduzindo: “devil” é diabo, capeta, satanás, tinhoso, coisa-ruim.
 

Bookmark and Share

Comentários (0)



*Obs — todos os comentários são moderados.
Não é aceito nenhum tipo de script ou formatação, caso queira adicionar um link apenas cole o endereço normalmente.

É permitida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia dos editores, desde que citada a fonte.
© Copyright 2012 — Revista Bula — Literatura e Jornalismo Cultural — seutexto@uol.com.br


renovatio