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POR EM 21/04/2009 ÀS 02:50 PM

Tente o Google

publicado em

Friedrich Nietzsche, pros que só ouviram o galo cantar, mas não sabem onde, era um filósofo alemão. Tá bom, eu sei que há pessoas que se coçam e têm urticária ao simples nome de alguém inteligente como o Nietzsche – não quero provocar urticária em ninguém só o citei pra começar dizendo que esse “brother” (aposto que agora alguns se ligaram mais) me ensinou muitas coisas pela vida afora.

Quer saber mais dele? Tente o Google.

Ele ensinou-me, por exemplo, que os homens são divididos em carneiros e águias. Os carneiros são os “maria-vai-com-as-outras”, os “covers”, os coadjuvantes do segundo time, os que passaram do segundo grau, às vezes até das universidades, mas permanecem no primário, os que procuram fazer parte de algum bando como os carneiros procuram se juntar aos seus, os fraquinhos de espírito e intelecto, os que têm 40 anos com idade mental de 11.

Carneiros também podem ser definidos como aquele tipo de gente que acusa alguém de preconceituoso e na mesma frase o xinga de veado...sim, eles acham que chamar alguém de veado é xingamento. Cabecinhas de vento que com uma mera furadinha de agulha fina se esvaziam e desabam como aquelas bonecas infláveis de Miami.

Quando os carneiros estão irados eles se juntam ainda mais corporativamente contra o que os irou e berram, berram, berram pra demonstrar sua ira. É a única situação em que berram, normalmente eles apenas acompanham silenciosamente a manada, passivamente desde que tenham à disposição as pobrezas espirituais e materiais que os satisfazem: música ruim, conversas idiotas, comunidades e críticas em blogs, vinho mioranza ou sangue de boi que eles sorvem em grandes goles, gritinhos do tipo Ihuuuuuuu...essas coisas tão interessantes que fazem a felicidade dos carneiros.

Claro que o leitor inteligente sabe que simplifiquei muito os ensinamentos do Nietzsche pra facilitar a compreensão dos carneiros que estão aqui lendo este artigo, todos eles lêem é só observar a maioria dos comentários da revista. Afinal, não dá pra falar profundamente do filósofo alemão com gente que ainda acredita e participa de comunidades que colocam chifrinhos em fotos para demonizar alguém. As águias – NÃO, pensando bem, melhor é não definir as águias porque vai humilhar muito os carneiros-leitores, coitadinhos.

Se quiserem saber mais eles que procurem no Google.

Ah! Esqueci de um detalhe: carneiros detestam águias e isto é perfeitamente compreensível e mais que isso, é lógico.
Mas atualmente, tanto quanto com Nietzsche, aprendo com os budistas quando os leio – alguns são mesmo geniais, bons astrais e ensinam como se livrar de “bodes-pretos”.

(Vá ao Google)

Foi o que fiz na última semana quando uma carta que escrevi e um artigo que publiquei aqui despertaram os baixos instintos de carneiros aí pelas encostas. Águias, sim, sabem conversar com argumentos inteligentes, carneiros só dão coices. Pra contrabalançar o astral dos ovinos ofendidos conversei com meu mestre budista e ele me orientou: que eu acendesse muitos incensos de sete ervas feitos em Pindamonhangaba, poderosíssimos; que só colocasse no meu som a música do Vivaldi ou do Chopin (pena que alguns não os conheçam, nenhum dos dois foi roqueiro) e recebesse em minha casa pessoas de notório grau de inteligência, humor e boa conversa.

Fiz isto e não senti os efeitos nefastos nem aquele cheiro característico que os carneiros exalam quando estão enfurecidos e sem eixo. Como tô em fase de finalizar um espetáculo de teatro musical chamado “THEATRO MUZYCAL PROFANO” estou tendo a felicidade de ocupar minhas noites e dias com coisas sagradas como arte e artistas originais excelentes e divertidos, solares e bem humorados.

Meu trabalho me põe em estado de graça. Nada oriundo das profundezas tem o poder de interromper o processo de criação junto aos músicos e atores e cenógrafo e figurinista e regente musical e pintores e marceneiros e iluminador e webdesigner e costureiras e bordadeiras e produtores e o próprio deus Dionísio. É com esses que eu vou. Aliás, já fui...

PS luxuoso: que a BULA descanse de mim enquanto cuido de estrear meu novo espetáculo e viajar pra Espanha em seguida, dia 12, convidado pra dirigir no Teatro Real de Madrid um show da maior cantora espanhola do momento, uma diva moderna.

(vá ao Google, vá ao Google)

Levo comigo os incensos de Pindamonhangaba, claro. Mas desde já sei que os carneiros vão sentir muito minha falta:  afinal, provocando seus berros, eu os faço ter a impressão que existem.
 

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