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POR EM 04/07/2009 ÀS 10:08 AM

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Michael Jackson foi um artista popular fenomenal. Quando eu soube da sua morte, também fiquei triste, com aquela melancoliazinha de quem perde um amigo. Nas minhas contas, contudo, ele zumbizou na condição lastimável de morto-vivo (tal e qual em “Thriller”) durante, pelo menos, uns quinze anos. Foi quando acreditou que era deus e começou a se auto-mutilar, física e psiquicamente, com a anuência e colaboração dos amigos, parentes e profissionais médicos, todos fissurados na sua fortuna. Será que alguém diz verdades nos bastidores do “show biz?!
 
Não sou especialista e nem crítico musical, mas, como imitei bastante os passinhos de “moonwalker” nos anos 80 (naqueles tempos tive elasticidade nos músculos), julgo-me no direito de lucubrar a respeito. No meu ingênuo raciocínio de cidadão comum apreciador de música, tento compreender como é factível que pessoas tão próximas a este polêmico artista se eximiram de resgatá-lo para a vida real. Entregue ao ostracismo, ao aparente esgotamento de sua capacidade criativa e, provavelmente, ao efeito danoso dos analgésicos opióides e dos psicotrópicos, conforme se especula, o cantor degringolou no cenário musical. Ensaiava um retorno triunfante na Inglaterra, com a realização de cinqüenta shows, mas um provável acidente medicamentoso no percurso abortou o projeto de ressurreição do ídolo.
 
Ser uma figura célebre e rica parece mesmo assustador e daria um roteiro e tanto para um vídeo-clipe de suspense (como em “Thriller”, de novo). Tem-se todos os atos vigiados, por onde quer que se vá. É pavoroso que um ser humano fique atado à própria fama, perdendo as suas referências mais simplórias, duvidando das relações com as pessoas do seu convívio, desconhecendo quando provém o afeto desinteressado ou quando prevalece apenas a mais escabrosa relação de interesses. Sobreviver na fragilidade de um mundo particular tão falso não deve ser tarefa fácil.
 
A morte precoce do “rei do pop” suscitou em mim uma reflexão mais abrangente, do ponto de vista musical. O que, realmente inovador, há nas músicas brasileira e internacional? Quem está se esquivando das reinvenções ultrajantes e fazendo história? Quais são as “revelações” a apresentarem trabalhos relevantes que valham a pena ser ouvidos?
 
Fica aquela forte sensação que tudo parece tão igual e que as novidades são repetitivas à exaustão. Será resultado da velocidade da comunicação em nossos dias? Por exemplo: na internet, mídia mais acessada no planeta, encontra-se de tudo em termos musicais, desde os novatos incógnitos vendendo suas almas ao diabo para serem reconhecidos, até os artistas veteranos (alguns deles já mitigados pela artrose e Alzheimer) divulgando os seus “novos trabalhos”. Nem mesmo a decepção é novidade.
 
Percebo, então, um fenômeno mais ou menos comum entre os viventes da minha geração, homens e mulheres além dos quarenta anos de idade: grande parte busca refúgio e alento em CDs e discos de vinil antigos em busca de satisfação. Quando a coisa aperta, lá estamos nós escutando mais da mesma coisa: Elvis, Beatles, Stones, Creedence, Pink Floyd, Bee Gees, Clapton, Chico, Caetano, Miltom, Gil, Djavan, Bossa Nova, enfim, o bom e velho som remanescente dos anos cinqüenta até o final da década de oitenta (conta fechada a muito custo...).
 
Fico pensando quando e se acontecerá uma virada, uma revolução musical, um novo ritmo, uma nova batida, um artista com idéias criativas. O cenário musical parece esgotado e chato. Chatice por chatice, prefiro ouvir as coisas antigas. Neste espólio, ao menos se encontram letras inteligentes e harmonias muito bem elaboradas.
 
Esta sensação de tédio e falta de perspectiva me aflige, mas não ao ponto de impelir ao consumo de porcarias que a mídia oferece. Talvez, o fenômeno seja sintoma de uma era onde a velocidade da comunicação, a superficialidade, a banalização e a falta de conteúdo são atributos de um mercado com consumidores nada exigentes no que tange à qualidade.
 
É provável que muitos leitores me detonem afirmando que eu estou por fora e que tem sim muita coisa boa rolando aí no mercado, principalmente no “cenário underground”... Talvez este meu sentimento seja apenas implicância de um quarentão desatualizado, ou puro preconceito mesmo. No caótico panorama musical que se apresenta, tenho destroços seguros nos quais me agarrar. Mas o que dizer da moçada de hoje submetida a tanta música descartável de péssima qualidade? Quando eles revirarem os seus velhos arquivos musicais no computador (ou noutro tipo de mídia eletrônica do futuro), o que eles vão escolher para escutar assentados nas suas poltronas solitárias? Axé-music, sexy-funk ou canções urbanejas cantadas por duplas ordinárias?
 
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