Desenho de  Wendy MacNaughton
revista bula

compartilhe



últimos comentários

  • Euler Belém, como sempre, afinadíssimo. ...

    31 minutos atrás por Carlos Augusto Silva sobre Paulo Francis vive
  • o sentimento não tem explicação e nem utilidade prática, está acima da razão prática do dia-a-dia. Sentir é melhor do que racionalizar ou buscar explicação prática os sentimentos. Eu gosto de jazz, es ...

    1 dia atrás por Linkowski sobre Uma coisa inútil
  • Gosto do cinismo do Vêncio, se der pra ser considerado assim. E como ele, "[...] eu tenho convicção que a humanidade nunca esteve tão boazinha." ...

    1 dia atrás por Chiyoko Gonçalves sobre MMA: bate que eu gosto
  • Respeito o comentário, mas discordo do Rodrigo Molina. Procurar alguém que entenda, é apenas ratificar o "esporte". Penso que o autor entende(embora não seja especialista). E é, justamente aí, que est ...

    1 dia atrás por MAURILHO TEIXEIRA sobre MMA: bate que eu gosto

últimas no twitter

  • @magopaco Haha. Boa.
    28 minutos atrás
  • @bqeg Valeu. Estou treinando para aquele confronto. Rs.
    28 minutos atrás
  • @bqeg Qual id da PSN?
    38 minutos atrás
  • @neiduclos DM...
    59 minutos atrás
  • Os 80 maiores clássicos do blues para ouvir on-line | Revista Bula http://t.co/Jp77X4Bh
    1 hora atrás

parceiros

  • twitter rank


sugestões de livros

sugestões de filmes

  • O Homem de La Mancha, com Sophia Loren

POR EM 06/04/2009 ÀS 05:46 PM

Sou um matador perigoso, confesso!

publicado em

Esta história vai me prejudicar muito e pode até mesmo me levar para a cadeia, mas não agüento mais: sou um assassino confesso, matador de aluguel e também deliberado. Descobri isso aleatoriamente e mais: mato pessoas, enquanto defendo animais. Fiquei uma noite sem dormir pensando no tanto de gente que já matei nessa vida, muitas sem querer e outras querendo realmente. Descobri que acabei me tornando uma pessoa muito má, um sujeito em quem não se pode confiar. A qualquer hora a polícia me leva e a justiça me condena através de um júri popular daqueles de sete a zero, sem direito a recorrer, com penas de mais de 200 anos.

Descobri outro dia, quando matei Edivaldo Pelica e o ressuscitei. Na verdade, minha memória está matando muito mais que eu e por causa dela certamente vão me levar às raias dos tribunais. Confesso que matei deliberadamente a rapariga que me passou uma gonorreia quando eu ainda era de menor e ela uma experiente senhora com seus 65 anos bem xumbregados.

Concordo em ser condenado pelos assassinatos que cometi com a intenção de matar de verdade. É que gente ruim eu mato deletando de minha vida, como se ela não existisse mais. Acho sinceramente que também já fui assassinado por algumas pessoas que por razões, e ponha razões nisso, óbvias não se deram e nem se dão comigo. Matei uma vizinha que não quis nada comigo e ainda veio gozar na minha cara, para muita gente ver e pilheriar.

Matei Dezim de Nenana com um tiro na testa, aquele feladaputa, que não podia me ver e corria atrás querendo me bater, só porque eu não era do top dele, no meu jeito franzino. Não sei onde ele está, se ainda vive, mas se viver para mim está morto e bem enterrado. Eu tenho isso comigo: alguém que não vou com a cara eu mato logo duma paetada só,  no primeiro encontro.

Tem muita gente também que às vezes eu nem queria matar, mas elas vão se esvaindo na memória e de um tiro acabam morrendo. Apesar de viver matando essas pessoas sem querer, acontece também de elas ressuscitarem de repente, quando, por obra do destino e ou do acaso, aparecem sorrateiras depois de 20, 30 anos. Aí a desgraceira é completa, pois a memória não atina e eu me pego de saia justa sem saber o nome e de onde a conheci. A visagem, essa livuzia,  me pega no constrangimento.

Matei bem matada a ex-namorada que me fez de corno. Pelo tempo que passou ela já não deve ter nem ossos mais. Já se acabaram até os da minha testa. Não sei quantas mortes carrego nas costas e será difícil à justiça prová-las todas. Por isso, acho que me safo, mesmo sendo assassino confesso. Peço perdão aos familiares e amigos de quem eu já matei e mato. Não sou feliz por isso. Sofro. Não sei se com vocês é assim, mas comigo acontece de eu matar pessoas que nem conheci. Minha memória se faz de esquecida, mas é a maior culpada. Não me ajudará em nada num tribunal.
 

Bookmark and Share

Comentários (0)



*Obs — todos os comentários são moderados.
Não é aceito nenhum tipo de script ou formatação, caso queira adicionar um link apenas cole o endereço normalmente.

É permitida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia dos editores, desde que citada a fonte.
© Copyright 2012 — Revista Bula — Literatura e Jornalismo Cultural — seutexto@uol.com.br


renovatio