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POR EM 05/04/2010 ÀS 11:46 AM

Se tomar o santo-daime, não atire!

publicado em

Há séculos, a ignorância humana quanto ao seu papel e destino neste e noutros mundos (?!) a arrasta para as mais diversas agremiações religiosas e seitas — muitas delas nefastas (já adoramos o sol e o ornitorrinco!!) —, para a fé cega (fanatismo) ou, contrariamente, para a incredulidade (ateísmo). Impulsionados pela fragilidade de respostas plausíveis nos dogmas e livros sagrados, muitos já amorteceram seus dilemas nas artes, na “porralouquice” das drogas lícitas e ilícitas, e até no autoextermínio (casos extremos incompreensão e vazio existencial).

Fruto da aflição humana, as religiões arregimentam exércitos de seguidores e proliferam no planeta, cada qual reivindicando para si a exclusividade da verdade plena e absoluta. Enfim, percebendo brechas gigantescas no imaginário popular, líderes talentosos em oratória convencem plenários lotados, dão a eles algum alento em troca de fidelidade, dízimos rechonchudos, doações materiais e até depósitos bancários. É a busca da paz interior, custe o que custar...

Nos últimos dias, os debates acerca do Santo Daime retornaram à tona por conta do assassinato de um famoso cartunista brasileiro e seu filho, ambos fulminados bestamente com tiros à queima-roupa desferidos por um jovem desequilibrado. As três personagens eram adeptas da seita na qual a ingestão de um chá alucinógeno integra os ritos.

 O uso da “ayahuasca” é bem remoto e provém dos índios peruanos. O ritual adentrou o Brasil pelo Acre, nos primórdios do século XX, através de seringueiros que, animados com o “barato” do chá, “enxergaram a luz” e criaram uma nova seita. O produto é extraído pela cocção de plantas nativas da Amazônia. A presença nelas de DMT (dimetiltriptamina), provoca alterações bioquímicas no cérebro levando às alucinações, que podem durar minutos ou horas.

Embora distorça o nível de consciência de quem o ingere, o chá do Santo Daime foi liberado pelas autoridades competentes deste país a partir de 1992, desde que fosse utilizado apenas em rituais “religiosos”. O uso de substâncias alucinógenas com o objetivo abrir a mente, aguçar a criatividade e afinar a sintonia direta com a divindade é bem antigo.

Nos anos 60, por exemplo, artistas, intelectuais e uma multidão de anônimos encontravam no LSD a porta de entrada para o auto-conhecimento e, de sobra, o vício. Tamanho o potencial alucinatório do ácido, recomendava-se à época que durante as “viagens” alguém do grupo se mantivesse sóbrio, a fim de controlar as reações intempestivas dos demais companheiros drogados, protegendo-os de danos físicos e da morte.

Alicerçados na desinformação, muitos intelectuais naturebas defendem o uso liberal de entorpecentes pela sociedade. É inimaginável saber como seria a vida no planeta se esta onda lisérgica vigorasse e milhões de pessoas aderissem ao hábito. Porque, comumente, o consumo de drogas se torna vício e, o usuário, um escravo à mercê das reações bioquímicas neuronais imprevisíveis que tornam a vida cotidiana absolutamente estranha, embora dela se dependa para tarefas primárias como produzir alimentos e saciar a própria fome.

Escutar apologia ao uso de drogas provoca indignação e ojeriza, particularmente, naqueles que têm ou tiveram parentes cujos juízos foram deteriorados pelo efeito nocivo destas substâncias no sistema nervoso. Destituídos de sensatez, sem a básica noção de saúde coletiva, os defensores do uso liberal de “drogas leves para fins recreativos” articulam os seus discursos hipócritas embasados tão somente em suas experiências pessoais, preferências duvidosas, interesses escusos, enfim, provas cabais de visão social estreita.

Dentre tantos paradoxos sócio-culturais em que nos metemos, um deles incomoda e horroriza sobremaneira: a proliferação de moradores de rua (especialmente, crianças e adolescentes), uma legião de zumbis escravizados pelo “crack” a serviço dos traficantes. Vê-los amontoados em praças e becos mal iluminados tem sido uma constante na cidade.

Temos medo deles, da sua frieza, brutalidade e crueldade quando se insurgem e atacam em busca pertences alheios e dinheiro para prover o vício. Eles não sentem fome, medo, não têm lembranças boas do passado, não se preocupam com a aparência, e não fazem planos futuros, senão “fumar mais uma pedra” no próximo minuto. Absolutamente perdidos, eles vão sucumbir às moléstias infecciosas, à violência urbana ou aos efeitos deletérios do próprio vício nos seus corpos raquíticos e molambentos.  

Estas vergonhosas contradições urbanas, cada vez mais corriqueiras, parecem visões irreais, imagens distorcidas, alucinações bizarras como aquelas advindas do arriscado uso de entorpecentes. Portanto, se beber o santo-daime, não atire. O crocodilo na parede pode ser apenas uma lagartixa. O monstro assustador, um parente ou um amigo. Se a carne é fraca, imagine só a mente humana destravada, esconderijo dos pensamentos altruístas, mas também, dos instintos mais primitivos.

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Comentários (19)

  • Os que defendem é porque não tem alguém dentro da sua casa que virou fanático e perdeu a noção de família. Só a Igreja existe.Fui frenquentadora de muito tempo e confesso que minhas experiências não foram das melhores, e tendo como exemplo uma pessoa que ficou isolada do mundo e acabou por substituir uma droga pelo chá me sinto a vontade para expor minha tristeza quanto aos dirigentes de algumas casas que não sabem medir a quantidade da bebida e não controlam seus "fardados"!
    Como familiar meu desabafo.

    11 meses atrás por cláudia
  • Nossa que texto cheio de preconceito!

    1 ano atrás por Margarida
  • Esse foi o meu primeiro contato com essa revista e fiquei realmente chocado com a falta de qualidade e coerência do texto (o autor é praticamente um inquisitor oriundo da TFP) .

    Impressionante como os comentários favoráveis são curtos e sem conteúdo.

    2 anos atrás por Bernardo Mazzini
  • É bom refletir sobre isso sim, inclusive porque pessoas com antecedentes de "problemas mentais" ficaram ainda piores. Quem está nisso corre rico. É óbvio.

    2 anos atrás por Maria José Speglich
  • Carol, desculpe, mas aprenda um pouco mais sobre jornalismo querida. Este artigo foi escrito através de um colunista, que tem por princípio BÁSICO emitir sua OPINIÃO. Agora, cabe a nós, leitores, concordar ou discordar dela. Aliás, que pena seria se todos pensassem da mesma maneira, não? Eberth escreveu sua opinião a partir do que pensa por experiências que cabem a ele esclarecer ou não aos leitores. Não se esqueça e aprenda, é muito demodê falar em imparcialidade no jornalismo, mesmo porque todos nós escrevemos a partir de nossa subjetividade. Então, se você não concorda com a opinião do autor, você pode muito bem discordar, mas não colocar em xeque o jornalismo. Aliás, que senso comum falar as palavras "tendencioso e Veja", não?

    Quanto ao Gabriel Moura: você já esteve na Holanda para ver como é? Não é nem leal com o Brasil compará-lo com o país europeu, que existe há MUITO mais tempo que o nosso e tem níveis de educação elevadissímos. E lá não é esse Carnaval que você colocou, apesar da venda legalizada da maconha, por exemplo, ela não pode ser consumida em qualquer ambiente. Há lugares certos para ser. As discussões que permeiam a legalização da maconha no Brasil entra muito mais em questões de drogas X violência do que liberar para parecer um país evoluído. Um país com uma desigualdade social gigante como a nossa teria que se preocupar em primeiro lugar é com a educação, aí sim estariamos preparados para DISCUTIR sobre legalização de drogas.

    Ah, e só pra você saber. Se acaso a maconha fosse legalizada, os impostos que recaíriam sobre ela iriam pra quem, você sabe? Bom, no fim das contas, para nossos amados políticos.

    Há que se pensar muito ainda neste país...

    2 anos atrás por Isalina
  • Vendo uma matéria na tv recentemente falando sobre o Santo Daime me vi chocada com tamanha distorção e preconceito, mais não imaginava que isso pudesse partir também de revistas tão bem conceituadas e também de pessoas que se dizem jornalistas...mais o fato mais chocante é que se esquecem que o autor de um crime comprovadamente premeditado, alem de ser uma pessoa esquizofrenica, também era um viciado em drogas, e uma pessoa fria e calculista, mais não sou mais uma a defender o santo daime, apenas defendo a minha teoria, e a razão nelas encontradas, sempre que presenciamos um viciado, seja em jogo,ou qualquer outro tipo de droga, como tambem o alcool presenciamos um aspecto perturbador e destrutivo, que não arrasta apenas o viciado para o fundo do poço mais também toda sua familia, quantas desgraças ja presenciamos, quantas mortes, assassinatos etc. Mais dizer isso sobre o santo daime, não se trata apenas de ignorancia mais também falta de informação, não estou aqui como uma pessoa alienada, ou taopouco fanática, me considero muito lúcida aliás, é muito triste ler o que está sendo ventilado sobre o santo daime de forma tão vulgar e desrespeitosa, tentando manchar a imagem de uma história tão bonita desde o começo de seus cultos e seus antecessores.
    Mais fica aqui minha indignação a esse texto do Sr. EBERTH VÊNCIO, que compara de forma maldosa e desrespeitosa o santo daime ao Lsd, espero que um dia você possa ter um encontro real com o divino, e que você possa voltar e escrever um novo artigo sobre todas as coisas boas e mudanças positivas em sua vida ...tomo o santo daime há exatamente sete anos e nunca tive alucinações ou coisas parecidas, vivenciei sim, muitas experiencias mediunicas, que considero muito válidas para mim e para minha família, e nessa religião pude encontrar respostas para minhas perguntas e conforto nos momentos dificeis. Gostaria sim,que os senhores ditos jornalistas, tivessem um pouco mais de respeito ao escreverem sobre religiões,apesar de saber que hoje em dia, o que vende e que dá ibope é desgraça, conteúdo pornográfico e difamação, muito triste.

    2 anos atrás por Maria
  • Fanatismo é uma desgraça. Pelo nível dos comentários e pela defesa acirrada do daime, isso fica claro...


    2 anos atrás por Anderson Bueno
  • Ótimo texto. Parabéns.

    2 anos atrás por Cézar Oliveira
  • Tive uma única experiência com o daime. Foi horrível, traumática. O episódio do Glauco, só serviu para reforçar o que eu já pensava.

    2 anos atrás por Helena
  • Senhores. recomendo estudo, pesquisa prévia antes de sair atirando pra tudo que é lado. Existem dezenas e dezenas de teses de mestrado e doutorado em universidades americanas, inglesas, alemas e brasileiras em que em mais de 20 anos de pesquisa não se tem relato cientifico de que o chá seja prejudicial a saúde. existem inclusive pesquisas que comparam por amostragem crianças, jovens adultos e idosos que fazem o uso do chá, comparados com os que não fazem. Nestas pesquisas encontramos pessoas ajustadas socialmente, ordeiras, sem vício, com comprovada sanidade mental, boa saúde física, etç e tal. Agora. por conta de fatos isolados, de pessoas que já tinham um histórico psicopatologico antigo. atribuirmos um crime ao chá é no mínimo falta de responsábilidade de quem acusa sem saber do que esta falando. recomendo aos mais interessados que conversem com pessoas séria que fazem uso do chá a anos. Encontra entre estas pessoas, de lavradores, seringueiros a pilotos de avião, médicos renomados, professores universitários pós-doutores respeitados internacionalmente. Admiro as pessoas que se propoem a falar daquilo que conhecem e não a jogar palavras ao vento como uma metralhadora a cuspir preconceito acído pra todos os lados.

    2 anos atrás por Roberto
  • Carol, concordo plenamente. Jorge, se você não sentiu diferença entre o Santo Daime e outras drogas, é pq você já ficou totalmente sequelado por conta das outras drogas que você usava. A farmacologia, tempo de reaçao/duração e a "onda" variam de uma droga para outra. Os efeitos da maconha são os mesmos da cocaína? A maconha era usada por tribos indíneas em rituais religiosos como maneira de atingir um estado de relaxamento. Relaxamento. Eles não saíam se matando. Marcelo, seu comentário traz novamente a minha posição: Ninguém vira um assassino por efeito de alucinógenos. Não é à toa que se diz que se fica "doidão". Você fica lesado. Não tem raciocínio nem capacidade física ou mental para executar um assassinato (antes disso, uma invasão à residência). Por favor, pensem antes de falar. Procurem conhecer os efeitos de cada droga antes de falar que "é tudo igual". E como a sociedade é extremamente conservadora e preconceituosa, duvido se a essa altura já não estão me rotulando de drogado. Estou errado?

    2 anos atrás por Gabriel Moura
  • É curiosa a fúria dos defensores do santo-daime dizendo que o assassinato do cartunista Glauco foi uma fatalidade e poderia ter acontecido em qualquer lugar... Poderia... mas a verdade é que aconteceu lá, numa extensão do templo: a casa do cartunista; por meio de um adorador do cipó de ficar doidão. Fica uma pergunta para os adoradores: um assassinato cruel não é motivo para ficarmos preocupados?

    2 anos atrás por Marcelo Castro
  • Concordo em absoluto com seu texto. Acho que o Daime é uma droga como outra qualquer. Tomei o Daime por dez anos e não via diferença entre o Daime e outras drogas que usei no mesmo período.



    2 anos atrás por Jorge
  • Jornalismo deveria ser de esclarecimentos, informações corretas e não tendencioso e sensacionalista. Essa revista é fã da Veja? talvez ler algumas artigos científicos ajudaria pra compor a matéria.

    2 anos atrás por Carol
  • Gostei da resposta, Fernando. Eberth, você disse que temos "discursos hipócritas embasados tão somente em suas experiências pessoais". Hipócritas??? Nós??? Você já pensou que as pessoas possam querer a legalização (ou descriminalização) de certas outras por outros motivos? A redução da violência, por exemplo...93% da população "do asfalto" se sente intimidada pela sociedade. Não se pode frequentar certos lugares a determinadas horas "pq é perigoso pra voltar", "pq tem assalto"...Todos os dias no jornal, tem pelo menos uma notícia que fala sobre o "movimento" nos morros. Ou foi helicóptero da polícia derrubado ou playboy que morreu em troca de tiro. Alguém vê esse tipo de notícia na Holanda? NÃO! E lá a maconha e outras drogas (com excessão do crack e heroína) são liberadas. Tocando na questão citada por você, na Holanda, além dos ingredientes para o santo Daime, você pode comprar cogumelos de diveros tipos em lojas de conveniência. E lá você não vê ninguém atirando em todo mundo dentro do McDonalds, vê? Se você fumar um baseado, não vai virar um monstro assassino (no máximo vai virar um monstro com fome e cansado). Se você usar LSD, pode ver jujuba no céu, mas também não vai virar o Rambo. Se você tomar um chá de cogumelo, pode conversar com a montanha, mas não vai virar um assassino. Acho que se você teve o direito de dizer como o resto da sociedade age, com a maior convicção, nos deu o direito de fazer o mesmo com você. Não se pode generalizar os motivos pelos quais as pessoas querem a legalização/discriminalização das drogas. Depois nós é que somos hipócritas...


    2 anos atrás por Gabriel Moura
  • Penso que a intolerância é pior que alucinação, inclusive mata mais gente. Texto ruim, deja vu de um ponto de vista estreito na origem.

    2 anos atrás por fabíola
  • Eu acho que o leitor aí abaixo acabou de tomar o Daime, ele parece alterado...

    2 anos atrás por Marcela Peres
  • Seu texto de tão equivocado, preconceituoso e superficial beira ao infantilismo. Ao querer demonstrar a tese de que a ayahuasca é prejudicial, você a compara com o crack e o lsd, drogas totalmente diversas do chá do santo daime quanto ao tipo farmacológico, rito de uso e fabricação. Aliás, você cita o potencial de causar vício dessas substâncias. A ayahuasca não causa dependência química, tampouco o LSD propagado por você como "porta de entrada para o vício". Bem diferentes da cafeína, alcool ou nicotina presente nos cigarros e no nosso dia-a-dia. Quanto aos "discursos hipócritas embasados tão somente em suas experiências pessoais" percebe-se não a hipocrisia dessas pessoas, mas sim a sua total falta de conhecimento sobre o que escreve. A ayahuasca foi e é estudada no Brasil e no resto do mundo há anos. Não existem estudos científicos sérios que demonstrem qualquer prejuízo aos seus usuários, muito pelo contrário, o chá está sendo utilizado em estudos pela Universidade de São Paulo para combate a depressão entre outras coisas. Até mesmo a ONU já emitiu parecer favorável a utilização do chá em cerimônias religiosas. Infelizmente o Glauco foi assassinado por um rapaz que já havia utilizado o chá do santo daime. Foi uma infeliz coincidência - o mesmo poderia ter ido a um jogo do corinthians ou não gostado do molho da salada feito pela mãe e ainda assim cometido o assassinato.


    2 anos atrás por Fernando Taba
  • Esse Daime não passa de uma droga qualquer. A defesa de se tomá-lo é mais completa imbecilidade, pois o cara que o toma fica alucinado e acha que tá vendo Deus. Tsc tsc...
    www.rodrigoepoesia.blogspot.com

    2 anos atrás por Rodrigo Della Santina


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