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POR EM 16/03/2009 ÀS 01:41 PM

Ridículos

publicado em

Existem muitos tipos de crises apesar de só se falar numa delas, a do dinheiro. Uma das piores é a crise que afeta a inteligência e a sensibilidade. Telespectadores são suas vítimas mais comuns porque é uma verdadeira tortura o que é veiculado por alguns canais de TV em Goiás.

Não basta sermos submetidos diariamente ao trânsito irritante e estressante; expostos à paranóia de chegar em casa com vida; sofrer as noticias dos telejornais na hora do jantar ou entre o jantar e o sono...além de tudo isso somos também testemunhas do imenso ridículo de algumas pessoas e situações quando ligamos a TV pra tentar desanuviar um pouco o peso do dia.
O ridículo perturba e constrange quem o testemunha.

E em matéria de ridículo as revistas e colunas sociais eletrônicas goianas são imbatíveis. Numa delas, a mais conhecida, o antigo apresentador incentiva os entrevistados a elogiarem-se uns aos outros enquanto a câmera passeia, cruel, pelas mesas das festas que seu programa visita focando corpos rígidos e rostos tensos e feios.

As mulheres que freqüentam essas atividades sociais parecem ter saído todas do mesmo salão de antibeleza: o mesmo penteado, a mesma maquilagem carregada, o mesmo figurino de gosto duvidoso e fora de moda.

Gente feia é que faz vida social em Goiás? Pergunta-se um desavisado telespectador. As mulheres mais jovens dão a impressão de terem combinado ir à festa vestidas de princesas. E tome brilhos, longos faiscantes brilhosos, bijuterias baratas, exagero competitivo.

Se num outro dia o leitor acessar o mesmo canal vai assistir os micos e os ridículos de um outro apresentador que finge que o telespectador não sabe que ele está recebendo jabá para elogiar tudo o que elogia — e elogia tudo, literalmente. O mundo pra ele é absolutamente um sucesso feito de criaturinhas fantásticas, comidas inacreditáveis, hotéis espetaculares, cidades lindas e bebidas deliciosas e, apesar de tudo isso ele consegue a cada semana ser pior do que já é.

Dá até uma certa pena ver um homem velho ter de se submeter a elogiar pra ganhar algum dinheiro —  não é uma boa maneira de envelhecer, convenhamos. E esse usa uma linguagem tão antiga que parece que seu programa está no ar há quase cem anos como ele gosta de frisar: a idade do programa.

Meu Deus do céu! Quem vai mexer nesse vespeiro com aparência de cultura? Quem vai assumir a coragem de denunciar o ridículo a que Goiás é exposto com programas como esses diante de pessoas de fora ou diante de seus cidadãos pensantes?

E quem há de nos livrar daquele dublê de jornalista e publicitário cujo sonho maior é ser cover, o Roberto Justus do cerrado e que é péssimo em tudo o que faz, mas consegue a proeza de estar em dois canais da cidade sempre se exibindo, contando suas viagens internacionais, cuspindo sua falsa erudição entre uma pergunta e outra a entrevistados desavisados?

E o que dizer do ridículo de alguns políticos que fazem aniversários, mas se lixam pra data, só fazem dela um pretexto para demonstrar poder e conexão política. Alugam página inteira de algum jornal onde veiculam fotos suas com figuras carimbadas como senadores, ministros, artistas, governador, vips em geral — o que importa é aparecer ao lado de pessoas que ajudam a impulsionar seu prestigio.

Parece que não há como ser mais ridículo. Mas há.

Preste atenção em deputados, senadores, vereadores sendo entrevistados e assassinando diante das câmeras o idioma português a cada frase que pronunciam. Criam neologismos absurdos com uma convicção que beira dicionário ou atiram frases que começam ou terminam assim: houveram muitas situações dessas; o pessoal gostaram muito; a situação econômica nesta cidade é esbanjativa; só tem que apresentar a indentidade na portaria...etc...

Uma cidade de quase um milhão e meio de habitantes ser representada por tipos como alguns vereadores grosseiros e ignorantes; um deputado oportunista que chegou à Assembléia e a uma secretaria, mas não passa mesmo é de um populista medíocre desses que as televisões produzem às dúzias; pastores evangélicos moralistas e retrógrados; jovens filhos herdeiros de velhas raposas políticas que metem a colher em qualquer assunto e até escrevem artigos pra jornais como se fossem inteligentes — são apenas bonitinhos e burros.

Meu Deus! Ridículo não tem limite?

Enquanto essa gente estreita representar a política, a sociedade e a cultura goianas havemos de fazer cara de cachorro-que-peidou-na-igreja a cada vez que alguém de fora nos visitar e conhecer quem nos representa.

O mais grave é que todas essas barbaridades acontecem num canal que leva o nome de cultura e é mantido pelo governo de Goiás, quer dizer, pago por nós.

Quem mais vai atirar pedra na caixa de marimbondos?
 

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