Por uma lei de imprensa nazista
Eu matei a Lady Di. Isso mesmo. Fui eu. Não foram os paparazzi, nem o motorista bêbado, nem o namorado milionário, nem a Camila Parker (se bem que, nesse caso, nunca se sabe...). E sabe por quê? Porque eu não agüentava mais notícia idiota sobre a Lady Di. Lady Di na África. Lady Di flagrada de topless. Lady Di espirrou diferente ontem. Lady Di voltou a espirrar normal hoje. Lady Di isso. Lady Di aquilo. Em pleno horário nobre (embora “nobre”, pra mim, seja qualquer horário em potencial), Jornal Nacional, está lá o casal anunciando solenemente a última da... Lady Di. Enchi o saco. Desejei que ela morresse. Daí ela morreu. No dia seguinte (juro!). Nunca mais desejei isso pra ninguém, pois sei que não devo usar meus superpoderes para o mal. Só que era tarde (tadinha, afinal, a culpa não era dela).
É por essas e muitas outras que deixei de ver TV há muito tempo. Ainda resisto bravamente e leio jornais. Só que tem vezes (muitas!) em que dá vontade de por fogo (ou uma bomba) na redação. Ontem, por exemplo, estava eu lendo tranqüilamente minha Folha de São Paulo, quando deparo com uma pequena mas absolutamente oligofrênica matéria a respeito de uma adolescente americana que tinha vencido um concurso de digitação rápida de celular. PQP! Minha retina não é latrina, cidadão! Tem dó! O quê? Eu poderia não ter lido? Não dá, quando vê, já li. É tarde demais. Você está ali, passando os olhos pelo jornal, daí tromba com uma matéria dessas, vai lendo até o fim, progressivamente surpreso com a imbecilidade exposta a nu... pronto! Leu. F...eu.
É por mais essas e muito mais outras que defendo uma lei de imprensa nazista. Ah, que falta nos faz um governante tipo Chávez, ou Fidel, Stalin, Hitler (atenção chavistas e castristas, antes de darem um ataque histérico, não estou afirmando que esses senhores sejam iguais, mas apenas que têm algumas características em comum, sendo a que me interessa a aversão por quem pensa diferente deles). Com um sujeito desses comandando o Brasil nossa lei de imprensa poderia ser mais ou menos assim:
Artigo 1 — Para ser jornalista será necessário ser... jornalista.
Parágrafo 1 — Por “jornalista” entenda-se alguém que estudou pra isso, da mesma forma que um ministro do STF precisou estudar pra ser bacharel em Direito.
Artigo 2 — O jornalista está obrigado a dizer apenas a verdade.
Parágrafo 1 — Por “verdade” entenda-se aquilo que não é mentira. Na eventualidade de não se saber qual dos dois, que se mantenha calado.
Artigo 3 — O jornalista está proibido de partir do pressuposto que seu leitor seja um imbecil (ainda que haja fortes evidências nesse sentido).
Parágrafo 1 — Por “imbecil” entenda-se o leitor que acharia interessantes matérias do tipo “uma adolescente ganhou concurso de digitação em celular, etc”.
Artigo 4 — Todo jornalista, assim que se formar, terá implantado em sua orelha um rastreador com um chip. Esse chip terá, entre outras propriedades, a de produzir um choque elétrico entre 1 e 1000 Volts.
Parágrafo 1 — O leitor, ao assinar um jornal ou revista ou canal de TV, receberá um controle remoto dos jornalistas daquele veículo. Nesse controle, terá as opções “punição” e “prêmio”. A função “punição”, quando acionada, desencadeará uma descarga elétrica no rastreador de seu jornalista de até 1 Volt. Se vários leitores a apertarem ao mesmo tempo, o jornalista será sumariamente eliminado desta para melhor. Se vários apertarem em horários diferentes o jornalista passará horas sofrendo (sugere-se essa penalidade para casos extremos). A função “prêmio”, quando apertada várias vezes, dará direito a aumentos de salários.
Revogam-se as disposições em contrário.





