Desenho de  Wendy MacNaughton
revista bula

compartilhe



últimos comentários

últimas no twitter

  • O Evangelho Segundo Lennon e McCartney | Revista Bula http://t.co/H7JjAESE
    2 horas atrás
  • @fpulcineli Número cabalístico: 5.000
    2 horas atrás
  • Casos de divã, se resolvem no divã...
    4 horas atrás
  • RT @screamyell Esse twitter novo é genial, mas ao contrario
    4 horas atrás
  • RT @revistaabsurda Para comemorar o #CorruPTosDay, o PT manda prender 150 PMs grevistas.
    5 horas atrás

parceiros

  • twitter rank


sugestões de livros

  • e eventualmente nojentas de casais escatológicos

sugestões de filmes

POR EM 01/02/2010 ÀS 11:12 AM

O Twitter e o Soneto

publicado em

Twitter e Soneto apresentam algumas coincidências que vão muito além da aparência inicial: ambos são substantivos paroxítonos que definem um modo formal de exposição do discurso e são dotados de três sílabas gramaticais ou duas sílabas métricas.

Soneto é uma composição poética megavelha, vetusta mesmo. Segundo os “paleontólogos literários”, essa forma poética teve início na idade média, ali pelo final do século 12, início do 13. A autoria do primeiro soneto é controvertida e se divide entre três poetas sicilianos. O termo Soneto vem do provençal (o idioma dos trovadores medievais) sonet, que quer dizer som, melodia, canção. Em pouco tempo virou coqueluche e se tornou a forma preferida dos poetas. Encantou Dante, Petrarca, Camões e Shakespeare. O nosso sonetista mais notável foi certamente Olavo Bilac, aquele do “Ora, direis, ouvir estrelas, certo perdeste o censo e eu vos direi no entanto”... Drummond escreveu sonetos, Bandeira Escreveu Sonetos, Gullar escreveu pelo menos um, que eu sei.

O Twitter, como o Soneto, vem de uma referência ao som. Derivou da palavra homófona Tweeter (que se escreve diferente mas tem o mesmo som), que quer dizer caixa minúscula de sons agudos, de alta frequência (acima de 5000 Hz). Portanto, Twitter é, como o soneto, uma forma de comunicação, só que ultramoderna. Trata-se de uma rede de comunicação em que os assuntos da hora são tricotados entre os usuários em tempo real. Mas sua semelhança convicta com o Soneto, além das que já mencionamos, está no seu aspecto formal. O soneto, de ordinário, comporta no máximo 140 sílabas poéticas. Igualmente, o Twitter comporta no máximo 140 caracteres. É muita coincidência, não?

Desde que foi criado pelo arquiteto de software e nerd americano Jack Dorsey em 2006, o Twitter se alastrou feito praga. No Brasil é o piolho digital da vez. Entre nós, o maioral dessa comunicação é o apresentador da Rede Globo, William Bonner. Toda vez que ele posta uma mensagem, ela é vista por mais de 100 mil seguidores. É uma caixinha de som, mas com um poder de comunicação descomunal.

Mas não pensem que só as pessoas bacanas como o Bonner  aderem à moda, não. É democrático. Qualquer pé-de-pau pode twittar. Quando digo pé-de-pau, é pé-de-pau mesmo. Li outro dia que um camarada abriu um Twitter pra sua samambaia. Pô, meu, mas samambaia não escreve. Não escrevia. Agora escreve. Foi instalado nela um biossensor. E toda vez que quer mais água, mais adubo, mais luz, ela sensibiliza um texto já programado e envia a seus seguidores (o dono dela e também o zelador). Bacana, assim!

Há exceções notáveis. O presidente Lula não tem, porque escrever também lhe dá azia, mesmo que sejam 140 toques apenas. Fidel Castro também não, por motivo oposto. Até chegou a se cadastrar, mas desistiu quando soube que não eram 140 mil toques.

O Twitter é  moderno pra caramba e o soneto é velho que esmolamba. No entanto, são farinhas do mesmo saco. Só que sacos de épocas muito diferentes.

Bookmark and Share

Comentários (2)

  • Marci, obrigado pelo comentário. Acho que vc captou o sentido, ainda que... Não sei exatamento o que vc quer dizer com fútil. Mas um dos propósitos do texto é exatamento fugir da chamada "literatura utilitária".


    2 anos atrás por Edival
  • Achei a sua comparação mais do que fútil... Pelo amor...

    2 anos atrás por Marci


*Obs — todos os comentários são moderados.
Não é aceito nenhum tipo de script ou formatação, caso queira adicionar um link apenas cole o endereço normalmente.

É permitida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia dos editores, desde que citada a fonte.
© Copyright 2009 — Revista Bula — Literatura e Jornalismo Cultural — editorial@revistabula.com


renovatio