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POR EM 27/06/2009 ÀS 09:05 AM

O duelo atrapalhado

publicado em

De duas uma: ou Cydoidão percebeu que seu estilo de vida não era mais viável, ou então que era viável demais. O fato é que aproveitando de seu estilo new-jacu, de seu folclore de toureiro sem touro, de montador sem montarias, de matador de aluguel sem mortes, ele abriu um boteco: o Cydoidão Saloon.
 
Não sei quem são seus sócios, nem onde arrumou grana, mas não é de ver que o tal boteco ficou a fina flor de ajeitado? Paredes de pau a pique, telha de zinco, um balcão oval com tamboretinhos redondos, daqueles em que um magro usa um, e um gordo usa dois: uma rodinha pra cada popa. Além do assoalho de tábua e da porta lambedeira; um legítimo saloon do Velho Oeste.
 
O boteco abriu bombando. Toda moçada bonita de Mundocaia, aquela criada com colostro e leite-ninho, queria frequentá-lo. Para se conseguir uma mesa precisava reservar com até uma semana de antecedência. Mas a moçada atraiu os tiosões como um ímã. E os tiosões, também como um ímã, atraíram as biscates mais pé-de-toddy que havia. A moçada fugiu dos tiosões,  os tiosões fugiram das biscas e o boteco passou por um período roscó.
 
Não sei quem lhe soprou a ideia. Mas Cidydão justifica que tudo foi consequência do estouro dos derivativos hipotecários nos Estados Unidos da América. O Saloon, por ser de estilo americano, teria sido o primeiro a sentir o baque.
 
Nesse círculo vicioso, ficaram só as biscas, fazendo seus businesses de biscas. Não demorou para que elas atraíssem os marginais, os tortos, os caolhos da vida, os musculosos e sobretudo os valentões sem causas, de conseqüências imprevisíveis.
 
Agora por último, o boteco andava atufado de esquisitões. Foi nesse clima que um cara musculoso, agigantado e um olho pubo, vindo não se sabe de onde, talvez um caminhoneiro clandestino, entra mastigando um copo de vidro e cuspindo sangue, aos berros:
 
— Quem é que é homem aí pra me encarar? Aqui é terra de frouxos. Cadê os homens daqui? Tem algum macho aqui nesta espelunca? —  e mais um rosário de impropérios contra a homência do lugar.
 
Os insultados entreolham-se na busca quase inútil por um valentão à altura, que pudesse topar a parada. Finalmente a missão recaiu sobre o dono do Buteco. Cydoidão não se deu por vencido:
 
—  Para pegar esse merda? Nem é preciso eu! Basta o Cobra-verde! —  e transferiu a árdua missão para um garçom novato e mofino. Combinou rapidamente com ele que poderia encarar o fera numa boa, que ele, Cydoidão faria a cobertura. Já ficaria com o trabuco enfiado com a perfeita mira. No primeiro sinal de derrota do garçom ele, Cydoidão, mandaria bala no forasteiro.
 
O tal Cobra-verde até que aguentou uns dois ou três sopapos. Mas ali pelo quarto  ia sucumbindo e Cydoidão pregou fogo. Que por azar dos azares, foi bem nomeio da testa do pobre garçom. Finalmente Cydoidão inscreve em seu currículo um crime de sangue, façanha que sonhara por toda vida.
   

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