O dia da sogra
Dia desses, um jornal diário publicou uma crônica em que este antigo rabiscador (atualmente um digitador) propunha um dia para se homenagear a sogra. A resposta não me veio de sogra nenhuma, mas de uma intelectual das mais respeitadas da região, cujo nome declino por não estar autorizado a expô-la à sanha popular. Essa intelectual, que é minha amiga, mandou-me um emeil fazendo-me o reparo ao informar que o Dia da Sogra já existe e que é o dia 28 de abril. Agradeço pela informação, prometo marcar o dia em meu calendário e ainda sugiro àqueles que, como eu, adotaram a mãe de seu cônjuge como sua segunda mãe que façam o mesmo. Elas merecem.
Mas não é só isso que quero, minha cara amiga. Na verdade eu estava achando que um dia por ano é como aniversário: tão festejado nos primeiros anos quanto esquecido depois de certa idade. Um dia por ano sempre me pareceu muito pouco para que se dedique à reverência desta figura duplamente materna como de qualquer outra que a mereça. Elas merecem mais, muito mais, e não tenho culpa se você não gosta de sua sobra ou se ela não vai muito com a sua cara.
— Minha filha merecia coisa melhor!
Foi então que me vieram à lembrança estas cenas hebdomadárias (eta palavrinha tão... tão... hebdomadária) dos genros, noras e netos chegando à casa da sogra (que acumula as funções de mãe e avó) no domingo de manhã para o almoço em família. E então pergunto: existe almoço melhor, tempero mais excitante, cerveja mais gelada do que na casa da sogra da gente? Não acredito!
E aquela soneca no sofá da sala depois do almoço, o corpo estendido e relaxado, não descarrega os cansaços e tensões de uma semana inteira? Sem o almoço de domingo na casa da sogra, deveríamos ter o direito a pelo menos quinze dias de férias de dois em dois meses.
Não, minha cara amiga, não quero abrir um champanha (antigamente se dizia champanha, agora é pró-seco) por ano. Prefiro a latinha de cerveja todo domingo, o Dia Semanal da Sogra.
E não me venham dizer que estou tentando agradar a genitora da minha mulher, que não é verdade. Ela não mexe em computador e nem sabe pra que lado exatamente fica Goiânia.





