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POR EM 12/02/2010 ÀS 01:43 PM

O arroto e a flatulência no aquecimento global (Final)

publicado em

Cena 3:  Sob o manto sagrado do efeito estufa

Com as denúncias sobre a grande fraude, haverá mesmo, nessa pendenga do aquecimento, algo de podre para além do reino da Dinamarca, só que num sentido oposto ao que se pensa ou antes se pensava? Para o leigo, perdido na Torre de Babel, a coisa vai ficando meio confusa, brumosa, como se fosse uma cortina de fumaça — intencional, alguma “jogada” para confundir a opinião pública? —, e vai daí que ele fica por aqui feito um capiau —  sem conotação pejorativa, mas no sentido de gente simples — cujo rio secou; o capiau agora sem a vara de pescar, pois já não há peixe nenhum. Tem água em que não se fisga sequer um girino, embrião de sapo, quanto mais um lambarizinho. Eu mesmo, que lambari logro pescar aqui com estas elucubrações sobre flatulência e aquecimento global? Se muito do que se diz de importante para a humanidade entra por um ouvido e sai pelo outro, fica-se o dito por não-dito; e por onde será, então, que ele se enfia? Deixe-me ver se advinho...

Enquasnto isso, reflita-se sobre as palavras de Adolfo Pérez Esquivel, ativista político e Nobel da Paz argentino, que defende a tipificação dos crimes ambientais como ofensas contra a humanidade, e que estes sejam julgados na Corte de Haia. “Todos os que, de alguma forma, ameaçam a vida dos bilhões de habitantes da terra, precisam ser punidos”, ressalta Esquivel.

Tipificação dos crimes? Se, por outro lado, aqui no Brasil, tipificarem a corrupção como crime hediondo, conforme se propõe para este ano, já estará de bom tamanho, penhoradamente agradeceremos, pois certamente teremos um país mais arejado para respirar, menos poluído pelo rombos ou roubos praticados pelos descarados políticos, com alguma ajuda da incompreensível e absurda justiça brasileira. O mais, sob o manto sagrado do efeito estufa — coisa de  Deus, nosso bode expiatório —, é tratarmos da paz mundial, dos direitos humanos, das diferenças e dos preconceitos, da fome no mundo, da justiça social e da erradicação de quaisquer ranços de governos totalitários. Ainda alguns, que não eu, vivem de utopias. Ainda alguma vez, por mínima solidariedade, me emparelho com alguma delas, embora saiba que utopias, a mais das vezes, têm pernas curtas, como a mentira, e não vão muito longe. 

Para fechar aqui o nosso estreito círculo — círculo vicioso, pois só estamos dando voltas no quintal do nosso mundinho —, voltemos à questão do pum humano, a saber se a emissão do gás metano pelo homem contribui para o aquecimento global. Alguma dúvida? Você outro aí, o que acha, com essa cara de tacho, de quem peidou e agora disfarça? É visto e notório que os gases do homem também são fontes de poluição. Mas vamos e venhamos que, de acordo com as nossas pesquisas, a coisa não é bem assim, como logo se verá. O gás metano, já foi dito, em muito agrava o efeito estufa, porquanto 23 vezes mais danoso do que o dióxido de carbono, que é subproduto da combustão de matérias. Proveniente também de outras fontes, entre elas os arrozais, pântanos e aterros sanitários, o metano está presente não só na flatulência do boi, mas de quase todos os animais, uma vez que o sistema digestivo da maioria deles contém bactérias que ajudam na digestão. São elas que produzem o metano a ser eliminado pelo pum ou pelo arroto. 

No entanto, como foi observado, no caso do ser humano a quantidade de metano  — e de gás carbônico — é ínfima, chinfrin, tão pequena que não se leva em consideração; insignificante o seu poder de fogo — digamos assim — no contexto do efeito estufa. Na imensidão do universo, o homem é só uma formiguinha, como ressaltam os cientistas de escol. Já outros reiterando que nos quesitos de arroto e flatulência a emissão de gás metano pelo homem não apita, ou melhor, apita mas não altera, ou melhor ainda, só assovia com alguma vocação para instrumentos de sopro. Flauta, por exemplo. De sorte que, por conta de suas flatulências, pode o homem estufar-se à vontade. Será mesmo? “In dubio pro reu”— na dúvida, a favor do réu. Portanto, não se prenda, não se reprima. Coma, sossegado, o seu repolho e seu ovo cozido. E se solte, mas antes chegue pra lá... 

Depois deste final ecoescatológico, resta, ainda de mau gosto, um tipo gaiato qualquer vir com o espetáculo de abaixar-se arrebitando a bunda, soltar um pum e “riscar” o isqueiro em cima, para ver o metano — e o circo — pegar fogo. Assim caminha a humanidade — o filme —, brincando com fogo: no caso, o gás metano. Já houve caso de alguém acender fósforo em beira de fossa sanitária aberta e que não viveu para se dar conta do que aconteceu. 

A seguir, apresentamos a série “Cenas Curtas”, epifânicas miniaturas cinematográficas, para vídeos de um minuto e um pouco mais, quando muito. 

Bucólicas de Virgílio

O vaqueiro Virgílio respira as impurezas do oxigênio e, no que devolve pela boca o ar dos pulmões, libera dióxido de carbono, como libera seus arrotos e, pelo canal competente, as suas flatulências. Em níveis inofensivos, de acordo com as fontes fidedignas. À sombra dos coqueiros, o boi rumina a plácida paisagem, arrota e peida, por sua vez, lerdo e despreocupado.  

Terremo(r)tos

Os sinos dobram, tristonhos, pelo Haiti. A morte dos haitianos nos diminui, como diria o poeta John Donne. A fúria oceânica engole a terra e os homens. Lamentamos pelas vítimas da Tsunâmi — “onda do porto” —, na ilha de Sumatra (Indonésia). Terremotos e grandes ondas pelo mundo afora. Enchentes, desmoronamentos e mortes no Brasil. A fúria da natureza, via TV, derruba também a torre com o sino da igreja. Por toda parte, o planeta se desmonta. Desenha-nos um planeta? 

O sol que nos aquece

Sob “o céu que nos protege” — título de romance de Paul Bowles —, o sol se escancara implacável, com seus raios ultravioletas. Cenas tétricas, chocantes. Os répteis se retorcem e se esturricam sobre as pedras. Também os inocentes, as pobres criancinhas, feito répteis. (Aqui, uma apelação cinematográfica do emocional coletivo, para chocar). Os corpos ali deformados, como se feitos de borracha e, como tal, derretidos. Horrores. Labaredas de infernal fornalha lambem e devoram as florestas. Os rios fervem, entram em ebulição. A Terra tórrida, comburindo-se nas próprias chamas, assim como era no princípio o Planeta Fogo. Sobrevêm o degelo e o dilúvio, como no princípio era o Planeta Água. Mas isso já é cenário de um novo filme de catástrofe, em algum lugar do futuro — salvo prova em contrário —, como já o fora em algum lugar do passado. É só o filme de uma grande fraude, em busca de bilheteria. A fraude do catastrofismo atmosférico, falto de base científica, podendo que o título seja este mesmo: “A Grande Fraude”, a não ser que venha a ser “Catástrofe — A tragédia anunciada”. 

The End

Em síntese, como levar este mundo a sério, se, dúbio e tíbio,  o homem não é confiável? Aquecimento global?  Não é culpa dos gases. É tudo culpa do sol. Ah, que bom! Sendo assim, ou melhor, não sendo como então se dizia que era, que venha o bendito aquecimento global. Deixa estar. “Quanto mais quente melhor”, segundo um velho filme com Marylin Monroe. E quanto aos leigos e baratinados no meio dessa zoeira toda, vivam a vida. Aproveitem o dia. Um dia é um dia e cada dia é um outro dia que um dia não será mais dia. Só  a noite escura. Além do mais, o que tiver de ser será. Vão andando, meus filhos, que papai do céu patati, patatá, trololó, pocotó. E por hoje é só.

 

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Comentários (1)

  • Valbraz, quanto à questão do aquecimento global, sabemos que o gás metano é mais de vinte vezes mais letal do que o CO2 - e os responsáveis por sua emissão são os animais, com seus arrotos e flatos. O boi está sendo levado ao matadouro (literalmente) neste quesito, por ser o que flatula e arrota com mais virulência. Já se fala em cria-los em instalações que conteriam suas emissões. Mas e quanto às emissões do animal humano? Seriam alvo de perseguição e punição os que flatulam e arrotam mais do que os outros? Ser ou não ser, is the question. No mais, de seu artigo somos levados a pensar, como Claude Levy-Straus: "Ou mudamos o modelo civilizatório, ou a terra irá continuar sem nós".

    2 anos atrás por Brasigois Felicio


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