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POR EM 16/03/2009 ÀS 05:06 PM

Notícias quentes direto do inferno

publicado em

Em meados dos anos 80, um sujeito contratou um helicóptero na minha cidade e mandou despejar milhares de pétalas de rosas sobre a casa da ex-namorada, a fim de tentar reconquistá-la, se é que seja mesmo possível reacender uma velha chama.

Eu não sei se o protesto perfumoso daquele jovem da alta casta fez com que a moça reatasse o namoro. Pouco me importa. Ficou gravado na memória, contudo, que ele foi o primeiro e único homem a promover uma chuva de flores sobre a cidade. Mesmo os ricos, frequentemente apalermados com efeito de suas fortunas, podem ter boas idéias.

Mais ou menos na mesma época, outra precipitação atmosférica (desta feita, bem mais pobre) chamou a atenção dos goianos. Um grupo de “novos escritores”, do qual eu fazia parte, promoveu um evento denominado Chuva de Poesia. Se não me falha a memória, a iniciativa foi da União Brasileira de Escritores (UBE-GO).

Da mesma forma que o mancebo das flores, um helicóptero lançou sobre o centro da cidade milhares de panfletos com poemas impressos. A chuva, na verdade, foi um chuvisco. Praticamente, uma garoa, considerando-se a longa estiagem literária. A sede por literatura de qualidade já dura anos. Pior de tudo é que o marasmo e a pasmaceira intelectuais perduram. Parece que tão cedo não choverá na nossa horta. E dá-lhe poesia de Cora Coralina!

Ora, cada um tem o ataque suicida que merece... E chuvas de aviões, também. No dia 11 de setembro de 2001, dois deles — dentre outros que se espatifaram em solo norte-americano — colidiram nas torres gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque, no maior e mais espetacular atentado terrorista já visto, filmado e reproduzido pela internet (isso sem contar as matanças de guerra, é claro).

Milhares de pessoas, partidárias ou contrárias ao então Presidente Bush, morreram soterradas pelos escombros de concreto e ferro retorcido, um acontecimento que, lembro muito bem, fez-me crer começasse ali, finalmente, o anunciado fim do mundo, a dizimação completa da humanidade, precipitada pela chuva simultânea de bombas e mísseis atômicos com alto poder destrutivo. Pensei que fosse mais fácil destruir o planeta, mas isto não aconteceu.

Nesta semana, Goiânia voltou aos noticiários nacionais e internacionais. Há sempre uma boa má notícia a nos difamar. Temos escândalos para todos os gostos (e desgostos). E olha que a mídia inconveniente não se deveu, desta feita, às mulheres que torturavam crianças, padrastos que fornicavam enteadas, namorados que estripavam namoradas. Um sujeito desequilibrado (mais um, dentre tantos de nós na corda bamba) cometeu uma série de atrocidades dignas de um “tour” pelo inferno de Dante.

Ele atacou e violentou uma criança de 13 anos, espancou gravemente a esposa com um extintor de incêndio (quanta criatividade...), raptou a filha de 05 anos, roubou um pequeno avião monomotor e o lançou sobre o estacionamento lotado do maior e mais movimento shopping da cidade. Só faltou explosão, fogo e nuvem de fumaça.

O inútil atentado homicida/suicida deixou a cidade em polvorosa. Por pura sorte (será?), ninguém em terra morreu. Passado o susto, as discussões agora recaem sobre um velho e maldito assunto: dinheiro. Quem vai pagar a conta dos prejuízos?  Vinte e três carros ficaram destruídos no desastre. Previsão de duradouros embates jurídicos.      
  
 Entendendo que o buraco fica mais embaixo, algumas pessoas sofrem e se afligem tentando compreender o que leva um ser humano a cometer tantas atrocidades, num espetáculo grotesco de insensatez e maldade.

Aqueles que acreditam num ser supremo a monitorar em silêncio as nossas existências terrenas repetem que “falta Jesus no coração dessa gente”.

Os estudiosos da mente humana teorizam que foi apenas mais um surto psicótico, fenômeno comuníssimo na claudicante sociedade moderna, hoje marcada pelo egoísmo, individualismo e culto ao supérfluo. Ou seja, faltam terapia e psicotrópicos nas veias.

Os profissionais da polícia, bravos homens de coração anestesiado, desconfiam que a barbárie se deva a mais uma mente deteriorada pelo corrosivo submundo das drogas ilícitas. Quer dizer, faltam maiores investimentos em Educação e Segurança Pública.

Tolo e simplista como um jovem poeta que, um dia, eu fui, penso mesmo é que nos falte amor. Ou seja, no fundo, no fundo, não é nada de mais.
 

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