Desenho de  Wendy MacNaughton
revista bula

compartilhe



últimos comentários

últimas no twitter

  • O Evangelho Segundo Lennon e McCartney | Revista Bula http://t.co/H7JjAESE
    6 horas atrás
  • @fpulcineli Número cabalístico: 5.000
    7 horas atrás
  • Casos de divã, se resolvem no divã...
    8 horas atrás
  • RT @screamyell Esse twitter novo é genial, mas ao contrario
    8 horas atrás
  • RT @revistaabsurda Para comemorar o #CorruPTosDay, o PT manda prender 150 PMs grevistas.
    9 horas atrás

parceiros

  • twitter rank


sugestões de livros

  • e eventualmente nojentas de casais escatológicos

sugestões de filmes

POR EM 15/04/2010 ÀS 05:16 PM

Nota de falta de esclarecimento

publicado em

Gerou algum frisson o último texto que escrevi e foi publicado nesta revista eletrônica. Seu título: “Se tomar o Santo Daime, não atire!”. Creio que todo escritor aprecia quando os leitores passeiam os olhos (e a imaginação) nos seus textos. Portanto, gostei demais de saber pelo editor da revista, ao me telefonar apavorado, que dezenas de mensagens chegaram pelo correio eletrônico, a maioria delas execrando a crônica.

Bom samaritano, meu amigo editor não publicou comentários que contivessem baixarias, xingamentos e ameaças, “chutes na canela”, como ele mesmo gosta de dizer. Sendo assim, agradeço ao editor-chefe (tão benévolo quanto Sarney e a Irmã Dulce) e àqueles que se dispuseram a ler o texto e emitir as suas considerações. Mesmo aos que apelaram feio, aos que coraram de ira e tiveram seus manifestos barrados, agradeço humildemente como um frade franciscano.

Sinto-me realizado ao saber que provoquei nos leitores maior ou menor grau de ativação das sinapses neuronais. Opiniões são individuais e devem ser respeitadas como tal. Contudo, conforme reza a cartilha de boas maneiras da minha falecida avó, há que se ter compostura e fazer uso das palavras com moderação (será que deputado tem avó?! ói que não tem...). Palavra é disparo a queima-roupa.

Pior ainda para o cronista quando não atinge o leitor no ponto desejado e seu texto é tido e havido só pela digestão das beiradas, rasuras da periferia. Foi assim comigo. A intenção não era atingir o Daime (a minha isca) com um direto de direita, mas com um despretensioso “jab”. Não dosei o peso do peixe, por isto, o anzol, a chumbada e a linha acabaram devorados por ele.

Eu tinha a intenção de focar, em primeiro plano, a questão do uso de substâncias (com fins idiotas) que alteram o nível de consciência das pessoas; num segundo plano, a busca frenética da humanidade pela compreensão do mistério da vida nas mais diversas, criativas (e até rentáveis) religiões. Não saiu bem como eu queria, mas tudo bem. Pelo menos nos divertimos um pouco com a seção de comentários. A todos aqueles que lá postaram os seus pontos de vista, ainda que contrários ao meu, o meu silencioso respeito.

Nesta semana minha família perdeu um querido ente de três anos. Só haveremos de reencontrá-lo nos corações (para sempre dilacerados) ou no céu (?!) em que muitos de nós ainda acreditamos. Foram quatro meses de peleja pela vida dentro de uma UTI. Aos inúmeros profissionais de saúde que zelaram pela sua saúde de menininho promovido a estrela do firmamento, a minha gratidão pura, enquanto eu respirar e dominar o juízo. Embora conste no Código de Defesa do Consumidor (é o fim...), cuidar de gente doente não tem preço.

Por causa da natural tristeza dos últimos dias, reservo-me no direito de ser um franco miserável e não publicar uma crônica esta semana. Que o editor camarada seja ainda mais compreensível e paciente, já que não eu tenho sido. Aos leitores da Bula, deixo aqui registrada esta nota de falta de esclarecimento (é isso mesmo, amigo), finalizando com uma pergunta que, mais do que nunca, faz diuturna tocaia no meu peito: o que é a vida afinal?

Bookmark and Share

Comentários (2)

  • Já eu... li o texto e dou os parabéns por mostrar o outro lado da moeda. Que pena perdermos um cartunista de talento como Glauco em uma morte tão estúpida... Mas sobre o Santo Daime e a irresponsabilidade de seu emprego poucos criticaram abertamente. Meus sentimentos pela criança que perderam...

    2 anos atrás por Daniela Blanco
  • Adorei os comparativos - "tão benévolo quanto Sarney e a Irmã Dulce"; "humildemente como um frade franciscano".. rsrs
    Não li o texto que gerou tanta discórdia, mas.. texto é assim mesmo.. nem sempre a gente consegue expressar exatamente o que queria, e às vezes a repercussão surpreende..

    2 anos atrás por Ana Laura Azevedo


*Obs — todos os comentários são moderados.
Não é aceito nenhum tipo de script ou formatação, caso queira adicionar um link apenas cole o endereço normalmente.

É permitida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia dos editores, desde que citada a fonte.
© Copyright 2009 — Revista Bula — Literatura e Jornalismo Cultural — editorial@revistabula.com


renovatio